Minha Oração

*Por Magno Bacelar

Neste Natal não escrevi uma mensagem aos meus queridos conterrâneos como sempre fiz. Não os esqueci, pelo contrário, estive absorto em um turbilhão de lembranças e preocupações. Resolvi conversar com Deus.

Genuflexo diante do Criador, fui desfiando, como nas contas de um terço, todas as doces recordações registradas na minha mente pela vivência e pela história desta tão jovem e amada Coelho Neto.  Da coragem de brasileiros que aqui aportaram para semear os primórdios de uma nova sociedade, aos seus descendentes, aos trabalhadores que, encantados por nossas plagas, aqui se fixaram e contribuíram para o desenvolvimento.

Houve um tempo em que fomos termo da Comarca de Buriti. Não contávamos com doutores juízes, promotores, delegados, muito embora as funções já existissem. Os cargos eram desempenhados pelos nativos (a doc.). As primeiras letras (ABC e TABUADA) eram ministradas por professoras leigas e o Direito exercido por rabulas (advogados provisionados ). Vereador não era remunerado, o cargo era relevante e dignificante, tinham o reconhecimento da sociedade. Não se conhecia supermercado, açougue e padaria, comprava-se tudo na quitanda. Não se conhecia o “progresso” de hoje, mas havia fartura de tudo, principalmente de fraternidade e amor.

Impossível resistir ao progresso ao intercâmbio comercial e cultural.    Evoluir com o mundo cuja comunicações o transformavam em uma única aldeia global. Fomos assaltados por um bombardeio de informações e influenciados por modismos nacionais e estrangeiros. O fim da Segunda Guerra Mundial destruiu mitos, tabus e dogmas. A humanidade sentia a necessidade de viver intensamente, como se não houvesse o amanhã. O trabalhador, aos poucos, foi sendo substituído por máquinas mais produtivas e econômicas. Podemos assegurar que a modernidade trouxe em sua bagagem o desemprego, o ócio e a angústia. Ocioso, o indivíduo tornou-se presa do ódio e do vício.

Evolução tão repentina provocou choque cultural que impôs um preço, por demais, elevado, principalmente nas regiões menos desenvolvidas e estruturadas, onde a tendência à imitação e ao consumismo remeteu ao crime e à violência. Desestruturada, a família impotente viu desaparecer os princípios do respeito e da fraternidade. O consumismo desenfreado conduziu ao ódio e à ambição. Os homens públicos perverteram-se transformando o ideal sublime da política em negócios obscuros e deploráveis. Neste aspecto, e para nossa infelicidade Coelho Neto, foi vítima do maior e pior descalabro administrativo e ético de todos os tempos.

É tempo de reconstruir e renovar esperanças por isso a minha PRECE é para que Deus ilumine aquele a quem confiamos os destinos de nossa sociedade. É para que a família se reúna em torno de si, retome a capacidade de amar e perdoar.  É para que sejamos capazes de superar as querelas e interesses pessoais em favor da comunidade.

Se DEUS tiver piedade e ouvir meu apelo tenho certeza de que, estaremos abrindo caminho para atender ao desejo do poeta Toinho Araújo para que tenhamo nossa Coelho Neto de volta.

*Dr. Magno Bacelar é advogado e exerceu os cargos de deputado estadual, deputado federal, senador da república, vice-prefeito de São Luís e prefeito de Coelho Neto.

2 thoughts on “Minha Oração

  1. Do sábio, sempre vem às melhores esperanças. A esperança de esperanças, de ir em busca, de conquistar, trabalhar e obter resultados positivos e coletivos. Dr. Magno foi, é e será sempre um guia para quem deseja o bem coletivo.

  2. Este texto mostra o inciclopedico Magno Bacelar que durante muitos anos de sua vida participou e ainda participa da vida política,social e econômica desta terra,deste povo,tens seus mérito,lógico deixou a desejar pois imperfeito é.mas está terra onde fecundaste o teu saber também te abraçar.Feliz natal e um próspero não novo.”Marcelo e Familia”.

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