Bomba! Vice-prefeito e vereadora anunciam rompimento com o prefeito de Coelho Neto

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Antônio Pires e Américo: paciência chegou ao limite

Às 08h: 43

Em entrevista concedida a esse blog, o vice-prefeito de Coelho Neto Antônio Pires anunciou oficialmente o rompimento com o grupo do prefeito Américo de Sousa (PT).

Filiado ao PCdoB, Antônio Pires de Oliveira é sindicalista, ex-vereador e ex-presidente da Câmara. Abdicou da disputa para o cargo de prefeito em 2016 para compor na chapa com o PT que há quase duas décadas lutava para chegar a Prefeitura de Coelho Neto.

Na entrevista concedida na sede do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais – STTR, o comunista estava acompanhado da esposa, a vereadora Liza Pires.

1) O que levou o senhor a romper com o governo do prefeito Américo de Sousa?

Rompemos com o governo por não acreditarmos mais no governo. Há quase um ano e cinco meses a nossa população espera por aquela cidade perfeita que era cobrada pelo prefeito Américo quando ele apresentava um programa de rádio. Rompi com o grupo político que tinha, para correr atrás do sonho de ser prefeito e abdiquei desse sonho para compor com o Américo por achar que ele representava o sentimento de mudança que o povo tanto almejava. Passado esse tempo vejo que na prática a coisa tem sido bem diferente daquilo que ele pregava.

  1. Muitos problemas no governo?

Muitos. Começou tão logo quando assumiu e esqueceu de colocar em prática os compromissos defendidos durante a campanha: a recriação da secretaria de Cultura e a criação da secretaria de Juventude que foram prometidas e estão no plano de governo encaminhado a Justiça Eleitoral foram simplesmente esquecidas, só para exemplificar. No ano passado o governo não inaugurou uma obra sequer e não há um projeto com a marca desse governo. A gestão é centralizadora e não funciona.

  1. Mas o senhor não participava do governo?

Nunca. Participei de alguns eventos como convidado, mas nunca fui convocado para colaborar com nada, ao contrário, fui vítima de toda ordem de perseguição. Deixaram de beneficiar várias famílias com uma estrada vicinal porque diziam que lá tinha propriedade do Antônio Pires, tentaram aliciar associados para tentar me prejudicar na eleição do sindicato e a vereadora Liza sempre foi tratada como adversária. Aguentamos tudo calados para não sermos apontados como empecilho para o governo.

  1. Por incrível que pareça a perseguição tem sido a tônica desse governo e nós como veículo de imprensa temos sentido isso na pele. Isso não é prejudicial ao próprio governo?

Claro que sim. É prejudicial do governo e a democracia. Quem imaginaria que o governo de um sindicalista do PT fosse perseguir adversários e veículos da imprensa? Vivemos em outros tempos. Por último acompanhei denúncia de assédio moral com servidores, demissões de contratados sem o devido pagamento, enfim práticas que deveriam ter ficado no passado. Como já disse, deixaram de beneficiar várias famílias com arados de terra por serem próximos a mim e a minha região que é a mais populosa da zona rrual, isso sem falar nas estradas vicinais e iluminação pública. Ele tentou financiar uma chapa com a própria diretoria do sindicato para me deixar de fora, retirou os pouquissimos contratos da vereadora e meus pedidos não eram aceitos pelos secretários. É normal esse tratamento com um companheiro de chapa?

  1. E essa posição é sua ou do partido?

Essa é uma decisão pessoal minha, da vereadora Liza e devidamente comunicada ao nosso grupo político. Não faz sentido manter esse faz de conta de que integramos um governo sem de fato fazer parte dele. A nossa importância foi só até o prefeito garantir a eleição, após a posse nos foi reservado o papel de meros expectadores.

  1. E o governador Flávio Dino onde fica nessa história?

O governador Flávio Dino é quem de fato sem sido o prefeito de Coelho Neto. Ai de nós se não fosse as obras e as ações do Governo do Estado. Mesmo o prefeito tendo dito certa vez que as ajudas do governador eram tímidas, na prática se tirarmos elas, constatamos quem o governo municipal praticamente não fez nada, fato que se confirma com a rejeição do próprio prefeito.

  1. E a agricultura que é uma de suas bandeiras, não tinha como ter avançado?

Logicamente. Não há projetos com a cara desse governo em execução, as áreas de terras aradadas não chegaram a 70 hectares, na agricultura familiar foram contempladas 20 famílias que vendiam produtos comprados de Teresina-PI e as ações de campo agrícola foram simplesmente esquecidas. A inúmera frota que o governo dispõe hoje está praticamente parada, quando deveria está a serviço do homem do campo.

  1. Um dos grandes defeitos do atual governo é a falta de articulação política. A que o senhor atribui isso?

Ao próprio prefeito. Ele se fecha em copas, não conversa com a classe política, não responde as reivindicações dos vereadores e assim a tal articulação política é inexistente. Para se ter uma idéia, o governo perdeu o ex-vereador Lustosa, que foi um dos primeiros a apoiar o Américo nas votações de matérias importantes para o novo governo na época. O governo acaba de perder o Jademil, que tinha tudo para está revolucionando o SAAE, mas que saiu por falta de condições de trabalho. Infelizmente, essa é a realidade.

  1. E para finalizar: o Antônio Pires e a vereadora Liza Pires hoje, são oposição?

Sim, somos oposição porque não foi esse modelo de governo que defendemos em palanque e ajudamos a construir. Nos comprometemos a fazer um governo participativo, em que a população teria voz e que as ações chegariam de fato a quem precisa. Não há como compactuar com um governo de poucos, de perseguição, feito de autoritarismo e que ignora os cidadãos. Os empregos sumiram, a população está à mercê da própria sorte e não vemos uma luz no fim do túnel. Estamos tranquilos por estarmos fazendo a coisa certa e conscientes de que a população entenderá nosso posicionamento. A nossa missão de defender os interesses da população permanece de pé. Vamos continuar fazendo política independentes, tendo por base nosso grupo e trilhando os caminhos que o povo achar que devemos trilhar, pois somos servidores do povo.