SEPULTADO EMPRESÁRIO JOÃO SANTOS: PREFEITO SOLINEY DECRETA LUTO OFICIAL

SEPULTADO EMPRESÁRIO JOÃO SANTOS: PREFEITO SOLINEY DECRETA LUTO OFICIAL

Foi sepultado ontem por volta das 18 horas, no jazigo da família, o empresário João Santos. O caixão foi conduzido por filhos e netos. O enterro aconteceu no Cemitério de Santo Amaro, no Centro do Recife.

João Santos faleceu nesta quarta-feira (15), às 21h25, em decorrência de uma parada cardíaca. O corpo será enterrado no jazigo da família. O industrial de 101 anos, dono da Cimento Nassau e da TV Tribuna, deu entrada nesta terça na emergência cardiológica do Hospital Português. O Prefeito de Coelho Neto SOLINEY SILVA (PSDB) decretou luto oficial no município e os pavilhões foram estendidos a meio mastro.

BIOGRAFIA DO EMPRESÁRIO

Industrial e economista, João Pereira dos Santos nasceu no dia 26 de outubro de 1907, em Vila Bela, hoje município de Serra Talhada. Filho mais moço de Rita Pereira dos Santos e de José Bernardino Gomes dos Santos, próspero fazendeiro, dono da Fazenda Ladeira Vermelha.

Órfão de pai antes mesmo de completar um ano de idade, logo em seguida sua família sofre outro duro golpe: foi em 1909 quando, por conta de brigas políticas locais, todos os bens dos Santos são destruídos ou ocupados (inclusive a fazenda) e eles são obrigados a deixar Pernambuco. Viúva e filhos seguem, então, para a região de Paulo Afonso, Bahia, em busca de sobrevivência.

Na Bahia, em 1915 os Santos conhecem o famoso industrial Delmiro Gouveia e o menino João, então com oito anos, arranja o seu primeiro emprego: vai trabalhar na seção de etiquetas da Fábrica de Linhas da Pedra, empreendimento instalado no ano anterior em terras alagoanas pelo pioneiro da energia elétrica no Nordeste.

Na linha de montagem da Fábrica, João Santos sofre um acidente que lhe mutila um dedo da mão e é transferido para o escritório, passando a exercer a função de “menino-de-recados” de Delmiro.

Começa frequentar a escola na vila operária da Pedra e é também ali que aprende a tocar saxofone. Em 1922, João Santos muda-se para Jaboatão, onde passa a estudar e tocar na banda da escola paroquial. Concluído o curso ginasial, em 1924 João Santos troca Jaboatão por Recife e passa a trabalhar no escritório da Great Western.

Nessa época, abandona o saxofone e, para conciliar emprego e colégio, enfrenta jornadas estafantes. Muitas vezes, utiliza o recurso de mergulhar os pés em água fria enquanto vara a madrugada debruçado sobre os livros. Aos 19 anos, trabalha na empresa Cahuás & Irmãos (armarinho), com salário de 200 mil réis, faz curso de inglês e conquista o título de guarda-livros, equivalente hoje a contador. Em janeiro de 1930, aos 22 anos de idade, torna-se bacharel em Ciências Econômicas, pela então Faculdade de Comércio de Pernambuco.

Diploma universitário na mão, logo consegue o seu primeiro bom emprego, agora na empresa Adriano Ferreira & Cia, com salário de 400 mil réis por mês. Começa como chefe de escritório, torna-se diretor da seção de vendas e um ano mais tarde, em 1931, já é sócio da empresa. Conquista obtida, segundo ele, com a poupança do que ganhava de salário e comissão de vendas de três por cento.

Em 1934, casa-se com Maria Regueira dos Santos e, em sociedade com o português Adriano Ferreira, dá o seu primeiro grande passo como empresário: compra a Usina Sant’Ana de Aguiar, em Goiana, da qual detinha 35% das ações. Um ano mais tarde, João Santos e Adriano vendem esta usina.

Em 1937, João Santos insiste na condição de usineiro. Tendo ainda Adriano Ferreira como sócio, compra a Usina Santa Teresa, com 50% de participação no negócio. Os dois administram a empresa até 1939, quando o português deixa o Brasil e vende suas ações ao companheiro. Sozinho à frente da usina, João Santos parte para a construção do seu grupo.

Em 1951, cria a Fábrica de Cimento Nassau, fundando para este fim a Itapessoca Agro Industrial SA, na época a maior unidade do ramo instalada no Nordeste. Para consolidar sua empresa, além de visão empresarial e disposição para o trabalho, João Santos contou com apoio de pessoas influentes, entre as quais o general Cordeiro de Farias que governou Pernambuco entre 1955/58.

Do cimento, passou a diversificar seus negócios e chegou à década de 90 comandando um dos mais importantes conglomerados industriais do País, o Grupo Industrial João Santos, que gera 10 mil empregos diretos, formado por empresas nos ramos da agropecuária, comunicação (rádio, jornal e televisão) e táxi aéreo, espalhadas em vários Estados brasileiros.

Foi casado com Maria Regueira dos Santos, com quem teve sete filhos: João (falecido), José Bernardino, Geraldo (falecido), Fernando, Rosália, Ana Maria e Maria Clara. Aos 92 anos de idade, mantinha uma rotina de trabalho de 14 horas diárias, mantendo contato permanente com todos os setores de suas várias empresas.

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