DEU NA FOLHA: VILÃO GAY DE “AMOR À VIDA” SEQUESTRA O BRILHO DA MOCINHA

DEU NA FOLHA: VILÃO GAY DE “AMOR À VIDA” SEQUESTRA O BRILHO DA MOCINHA


Esqueça a mocinha. Em “Amor à Vida”, a trama é toda trabalhada na maldade de Félix Khoury. A “bicha má” vivida pelo ator Mateus Solano roubou a cena na semana de estréia da novela de Walcyr Carrasco na faixa das 21h.
Suas frases ferinas viraram hit nas redes sociais e gíria no circuito gay. Nessa toada, “parece uma ratinha” e “salguei a Santa Ceia” vão entrar para o glossário da Parada Gay no domingo que vem.
Na trama, Félix é o irmão da mocinha Paloma (Paolla Oliveira), de quem sente torturantes ciúmes, por julgar-se preterido pelo pai, César Khoury (Antonio Fagundes).
Casado com Edith (Bárbara Paz), com quem tem um filho, Félix se encontra às escondidas com um amante. Edith surpreendeu os dois num almoço romântico no terceiro capítulo da trama.
Na opinião do psicanalista e colunista da Folha Francisco Daudt, a impressão deixada pelos primeiros capítulos “é de que se trata de um caso grave de doença sadomasoquista, quando toda a inteligência da pessoa está voltada para o rancor e para a destruição, que costuma ser também autodestrutiva”. Diz que “o personagem lembra os gays efeminados. Eles nascem assim, brincam de boneca e de casinha com meninas desde muito pequenos”.
Segundo o psicanalista, “quando um menino assim tem uma irmã, sobretudo única e caçula, forma com ela a configuração familiar mais difícil que há: duas irmãs. Ciúmes, inveja, competição, preferir a infelicidade da outra à sua própria felicidade, disputar o amor do/dos pais”.
Essas afirmações, ressalva Daudt, “são estatísticas; sempre haverá exceções”.
O também psicanalista Jorge Forbes encara a trajetória de Félix por outro ângulo. “É perigoso associar gay à maldade, o que reforça a caricatura de bicha má'”, diz.
Forbes considera um equívoco os heterossexuais acharem que só os homossexuais têm dificuldade em expressar sua sexualidade. “Todo ser humano tropeça na pedra de sua sexualidade. Ela é difícil para todo o mundo.”
Diz ainda que o fascínio e o endeusamento exercidos por Félix legitimam o personagem e o espectador. “Essa representação de algo tão perverso nos diz o seguinte: se Félix existe, eu, com minhas fantasias menos graves, também posso existir e dizer: Félix é ele. Ufa!'”
Para além de fomentar discussões sobre comportamento social e sexualidade, porém, “Amor à Vida” tem a tarefa mais urgente de reabilitar a audiência da Globo no horário nobre, que “Salve Jorge” (Gloria Perez) derrubou.
Na estréia, na última segunda, a novela marcou 35 pontos no Ibope (cada ponto equivale a 62 mil domicílios na Grande São Paulo). A média foi mantida nos dois capítulos seguintes –36 e 34 pontos, respectivamente.
Apontado pelos tuiteiros fãs de novela como uma versão gay de Carminha (Adriana Esteves), de “Avenida Brasil” (João Emanuel Carneiro), Félix pode passar a novela toda sem conseguir conquistar o afeto de seu pai, mas o público parece já ter caído de amores por ele.
Da Folha de São Paulo

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