Coluna De bem com a Língua Portuguesa: Que merda é essa?!

Muitos creditam “Menestrel” a William Shakespeare, mas, na verdade, foi escrito por Veronica Shoffstall, no ano de 1971 (coincidentemente, o mesmo em que nasci). Polêmicas à parte, o que importa na contextualização que irei fazer é a passagem desse poema que diz: “…Você aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha…”. Concordo plenamente com isso. Minha personalidade, filosofia e concepções de vida, e boa parte das coisas que escrevo foram inspiradas pelos meus pais, principalmente meu pai.

Eu era ainda criança e ficava encantado ou, dependendo do tema (visagem, como ele dizia), com medo das histórias/estórias que ele contava. Hoje, uns trinta e poucos anos depois, reconheço que aquele homem semialfabetizado era um pensador, um filósofo. Sou suspeito para falar, mas sua sabedoria não vinha da leitura ou do domínio das letras, vinha da observação e das experiências da vida (o que, no meio acadêmico e científico, chama-se de conhecimento empírico) e, principalmente, da sua sensibilidade.

Dentre tantas estórias e histórias, causos e pontos de vistas os quais ele mencionava, escolhi um para discorrer. Dizia meu pai que a palavra MERDA não era um palavrão, mas sim que ela o substituía. Segundo meu pai, toda vez que queremos dizer, por exemplo, uma coisa feia ou que deprecie algo ou outrem, dizemos MERDA. Seria, voltando para meu universo da Língua Portuguesa (lá vem o chato?!), uma espécie de Polissemia (Poli=vários; semia=sentidos), ou seja, vários sentidos que uma palavra pode apresentar. Fiz uma pesquisa e achei algumas conotações interessantes da palavra MERDA. Confiramos:

*Como indicação geográfica 1: onde fica essa MERDA?

*Como indicação geográfica 2: vá à MERDA!

*Como indicação geográfica 3: 18h, vou-me embora dessa MERDA.

*Como substantivo qualificativo: você é um MERDA.

*Como indexador monetário: você não vale MERDA nenhuma.

*Como indicador de especialização profissional: ele só faz MERDA.

*Como auxiliar quantitativo: trabalho pra caramba e não ganho MERDA nenhuma!

*Como sinônimo de covarde: seu MERDA!

*Como questionamento dirigido: fez MERDA, né?!

*Como indicador visual: não se enxerga MERDA nenhuma!

*Como sensação olfativa: isto está me cheirando à MERDA…

*Como elemento de dúvida na indicação do caminho a ser percorrido: por que você não vai à MERDA?

*Como especulação de conhecimento e surpresa: que MERDA é essa?

*Como indicador de admiração: puta MERDA…

*Como auxiliar impositivo de aceleração: vai rápido com essa MERDA.

*Como indicador de espécie: o que esse MERDA pensa que é?

*Como indicador de continuidade: Na mesma MERDA de sempre.

*Como indicador de desordem: Está tudo uma MERDA!

*Como constatação científica dos resultados da alquimia: tudo o que ele toca vira MERDA!

*Como anúncio afirmativo de resultado aplicativo: vai dá MERDA.

*Como constatação negativa: que MERDA!

*Como classificação literária: êta textozinho de MERDA…

Realmente, meu pai tinha razão. Obrigado, Sr. Euclides!

* Antônio Ferreira de Araújo (Toinho Araújo), é Teólogo, Pedagogo, Letrólogo, Especialista em Docência Superior e Mestre em Ciências da Educação.

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