Absurdo! Menino com cabelo black power tem matrícula recusada em escola do Maranhão

Absurdo! Menino com cabelo black power tem matrícula recusada em escola do Maranhão

Um garoto de oito anos teve a matrícula recusada pela direção da escola municipal Professora Augusta Maria Costa, em São José de Ribamar (MA), por usar os cabelos no estilo black power. O caso aconteceu na última terça-feira (12), quando a mãe do menino, Joselma Lima, levou a transferência escolar e a diretora Helenita Rita Sousa informou que ele precisaria cortar o cabelo para ficar no “padrão” da escola. A funcionária nega que tenha agido por racismo.

A criança já começaria, no mesmo dia, a frequentar as aulas, mas com a recusa da diretora, está sem estudar. O garoto tem autismo e está no 3º ano do ensino fundamental. Segundo os pais, o menino precisou mudar de escola porque a unidade escolar anterior só tem até o 2º ano do ensino fundamental.

O pai do garoto, Fábio Lima, registrou Boletim de Ocorrência na delegacia de São José de Ribamar denunciando racismo e aguarda a conclusão do inquérito policial para levar o caso, oficialmente, ao MP-MA (Ministério Público do Maranhão).

Lima relata que o filho ficou constrangido e que a situação causou pânico na criança, a ponto de ela não querer saber da palavra escola.

A família afirma que não vai cortar os cabelos do filho e que também não se sente segura em levar a criança para escola, caso a matrícula esteja liberada, por temer pela segurança com possíveis represálias.

“Meu filho é uma criança especial e ele entende as coisas ao modo dele. Ele tem apego aos cabelos e ficou desesperado quando ouviu que a diretora disse que era para cortar os cabelos para ficar no padrão dos demais colegas. Como minha esposa se recusou a deixar que cortassem o cabelo do nosso filho, a diretora devolveu os documentos de transferência. Quando minha esposa me contou o acontecido, fiquei chocado e procurei a polícia”, diz Lima.

“Fora do padrão”

A mãe do menino já tinha ido à escola consultar sobre a disponibilidade da vaga e foi informada que levasse a documentação no dia que iniciassem as aulas. Na última terça, mãe e filho foram à escola e, segundo os pais, quando a diretora viu os cabelos do menino disse: “Esse cabelo a gente não admite porque é fora do padrão.” A mãe argumentou que os cabelos naquele estilo são a identidade do menino e ouviu da diretora “a senhora vai pegar os documentos e voltar se cortar os cabelos dele.”

“Se fosse um colégio militar a gente entendia. O cabelo é uma referência importante para nosso filho. Ele estudava na outra escola e só recebia elogios ao cabelo. Ser afrodescendente não é problema pra ele, o problema é o preconceito e o que é pior: dentro da comunidade escolar”, destaca o pai do menino.

Diretora nega racismo

A diretora da escola, Helenita Rita Sousa, nega que tenha agido com racismo e afirma que devolveu a documentação da criança porque a mãe disse que ia pensar se cortava ou não o cabelo do menino. Segundo ela, a escola tem um “padrão de corte social” determinado para ser usado em todos os estudantes.

“Perguntei à mãe da criança se ela tinha como cortar o cabelo tipo social e ela disse que ia pensar. Então, eu disse ‘a senhora pensa, porque o corte social é padrão aqui na escola'”, justificou a diretora, destacando que em nenhum momento falou com “racismo”.

Atitude fere o ECA, diz secretária estadual

A secretaria adjunta de Estado de Igualdade Racial, Maria do Socorro Guterres, analisa que o caso se trata de uma manifestação de racismo e que a escola precisa saber trabalhar com a diversidade.

“Essa atitude fere o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), como também outros marcos legais, como o Estatuto da Igualdade Social. O ambiente escolar é o retrato da nossa sociedade e somos diversos sujeitos. A escola precisa está apta a lidar com todos com igualdade”, destaca Guterres.

A Semed (Secretaria Municipal de Educação) informou que abriu processo administrativo para apurar os fatos e que, ao finalizar o processo, tomará as providências cabíveis. A secretaria destacou que a matrícula da criança está garantida.

“O ambiente escolar é o lugar de disseminação do conhecimento, promoção da paz e respeito. Não será tolerada qualquer atitude racista neste espaço”, disse a Secretaria em nota.

Da Uol

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