Vigília, Carta e “Calor”: o primeiro natal de Lula na cadeia

Preso há mais de oito meses em uma cela de 15 metros quadrados no quarto andar da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou seu primeiro Natal atrás das grades. Em suas próprias palavras, porém, o petista não estava “sozinho”.

O ex-presidente divulgou uma carta agradecendo aos militantes que passaram a véspera de Natal acampados em frente ao prédio da PF na autointitulada “Vigília Lula Livre”. “Esse Natal não poderei estar junto fisicamente com a minha família, meus filhos e netos. Mas não estou sozinho. Estou com vocês da vigília, que tem sido minha família, e com todos aqueles que vieram passar esse Natal junto de vocês”, diz um trecho da mensagem.

A vigília contou com a presença de políticos petistas como o deputado federal Pedro Uczai (PT-SC), o presidente do PT-PR, Doutor Rosinha, e o presidente do PT-SP Luiz Marinho. O ato também teve discursos da militância, uma cerimônia ecumênica e comida para a ceia. Segundo os organizadores, cerca de 300 pessoas participaram.

Na carta, Lula também pediu para que seus apoiadores sigam firmes. “O ódio pode estar na moda, mas não temam nem se impressionem com essas pessoas posando de valentões.”

Também houve espaço na mensagem para um breve comentário do ex-presidente sobre o clima paranaense: “Quero agradecer a companhia que [a militância] tem me feito a cada dia, todo o dia, durante essa provação, no frio do inverno do Paraná ou no calor que tem feito esses dias”.

Confira a íntegra da carta:

“Meus amigos e minhas amigas,

O Natal é a época do ano em que lembramos com mais força da vinda de Jesus, dos ideais de solidariedade e bondade cristãos. Nos aproximamos da família e dos amigos, celebramos juntos, nos abraçamos e reunimos força para o ano seguinte.

Esse Natal não poderei estar junto fisicamente com a minha família, meus filhos e netos. Mas não estou sozinho. Estou com vocês da vigília, que tem sido minha família, e com todos aqueles que vieram passar esse Natal junto de vocês.

Quero agradecer a companhia que tem me feito a cada dia, todo o dia, durante essa provação, no frio do inverno do Paraná ou no calor que tem feito esses dias.

Sigamos fortes. O ódio pode estar na moda, mas não temam nem se impressionem com essas pessoas posando de valentões. O tempo deles vai passar e a verdadeira mensagem de Jesus, um marceneiro que foi perseguido pelos vendilhões do templo, pelos soldados e pelos promotores dos poderosos, vai continuar a ecoar em cada Natal: uma mensagem de amor, fraternidade e esperança.

A luta por um mundo melhor continua.

Feliz Natal,

Lula”

Da Veja

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