Não foi acidente! Coelho Neto e a licença para matar sob duas rodas…

Está ficando cada vez mais comum a morte de pessoas inocentes por irresponsáveis inconsequentes sob duas rodas

Imagem ilustrativa

Editorial

A cidade de Coelho Neto assiste estupefata a morte de pelo menos duas pessoas inocentes no intervalo de pouco mais de uma semana em decorrência da irresponsabilidade de condutores – na sua maioria conduzidas por menor de idade que insistem em fazer malabarismos sob duas rodas.

O que deveria ser motivo de indignação e providências ao que parece se tornou apenas números na estatística assombrosa das vítimas dos inconsequentes.

Nesse caso não estamos falando de acidentes de trânsito, estamos falando de mortes no trânsito causado por pessoas conscientes e que assumem friamente o risco de matar.

Nessa hora surgem as teorias e os dedos para apontarem os culpados. De quem é a culpa? A vítima é que não é. Mesmo sabendo de todas as deficiências no trânsito da cidade, o caso em questão é bem particular.

Quem levanta pneu de moto não para em faixa, não se atenta para semáforo e não respeita leis. A cidade poderia está toda sinalizada e com a melhor equipe na rua, mas isso jamais teria poder de coibir a irresponsabilidade desses indivíduos que insistem em tornar essa prática comum.

Quem mora na Avenida Coelho Neto por exemplo, tem essa cena como parte do cotidiano, aliás não tem dia e nem hora. O que diz a Lei sobre um menor de idade circulando pela cidade sem capacete, sem habilitação e fazendo piruetas sob duas rodas? Quem responsabilizar? A questão é bem mais complexa do que se imagina.

Por fim, o fato precisa ser encarado de frente pelas autoridades, mas principalmente pelas famílias. Esse é o tipo de problema que não adianta está querendo apontar o dedo para outro, quando o assunto diz respeito a toda sociedade.

Semana passada foi um, hoje (02) foi outro a morrer sem qualquer relação de parentesco comigo ou com a minha família.

Mas amanhã poderá ser um dos meus, ou ser eu mesmo o atingido pela irresponsabilidade daqueles que fazem questão de assumir a licença para matar…

Brumadinho: Casal vítima da lama veio da Austrália para anunciar gravidez à família

Brumadinho: Casal vítima da lama veio da Austrália para anunciar gravidez à família

Era o primeiro dia de férias de Fernanda Damian de Almeida, de 30 anos, e de Luiz Taliberti Ribeiro Silva, de 31 anos, que vieram da Austrália para contar à família a gravidez da moça, que já estava no quarto mês de gestação. Noivos desde outubro do ano passado, o casal ficou hospedado na Pousada Nova Estância com familiares, em uma área de mata em Brumadinho, e planejavam conhecer o Instituto de Inhotim.

A última mensagem de Fernanda no Whatsapp foi às 11h05, quando avisou ao pai que havia chegado bem em Belo Horizonte na sexta-feira, 25, o mesmo dia do rompimento da barragem de Brumadinho, vizinha do Instituto e da pousada. Após esse horário, Fernanda não deu mais notícias. No começo da tarde do mesmo dia, a pousada foi destruída pela lama.

Não houve tempo para retirar funcionários e hóspedes da pousada Nova Estância. A pousada fica muito próxima da barragem da Vale – a cerca de 200 metros. Após o rompimento da barragem, o mar de rejeitos passou exatamente pela rota do hotel. Moradores da região estimam que cerca de 30 pessoas, entre hóspedes e funcionários, estão desaparecidas.

A lista de desaparecidos divulgada pela mineradora Vale, responsável pela barragem que cedeu em Minas Gerais, ainda mostra Fernanda entre os desaparecidos. Luiz, no entanto, já é uma das vítimas que foi identificada pelo Instituto Médico Legal (IML): o arquiteto esperava por seu primeiro filho, Lorenzo, e estava ‘radiante’ com a gravidez.

“A Vale matou meu filho. Há quatro horas fomos avisados que encontraram o seu corpo. Mas, a sirene não tocou. A gerente da pousada nos contou que todos estavam muito preparados para emergência e rotas de fuga. Em cinco minutos todos estariam seguros. Mas a sirene não tocou. Como a sirene, estamos em um silêncio de dor”, lamentou em redes sociais o padrasto do garoto, Vagner Diniz, que foi até o município de Brumadinho para tentar localizar as vítimas.

Da Veja