A galinha e o trânsito – Por Magno Bacelar

 

Talvez já tenha me referido a parte deste episódio em outa ocasião. Foi lá pelos idos de 1954 quando Duque Bacelar foi assassinado e nós, os filhos em idade escolar, transferidos para o Rio de Janeiro, em busca de melhores escolas, como previsto em seus sonhos. Todos de luto fechado, roupa totalmente preta, padrão dos costumes no Nordeste de então. Não existia a definição “bulling” mas, tal indumentária parecia estranha e chocava os cariocas, fomos alvo de muita gozação e apelidos jocosos. Nada nos atingia ou intimidava, fomos para estudar e o fizemos corajosamente.

Com muita antecedência Duque fizera um seguro de vida destinado à aquisição de imóvel e garantir a educação dos filhos menores nos melhores centros de ensino do país. Nos instalamos em pequeno, mas confortável apartamento no bairro das laranjeiras na capital da República. Capitaneados por Lys e José éramos, inicialmente sete: Lys, Jose, Luis, Bernardo, Magno, Flori e Afonso número posteriormente aumentado com a chegado do sobrinho Artaxerxes.

Matriculados nos melhores colégios, tivemos que nos superar a cada dia para acompanhar o nível das aulas. Professor e línguas entrava e saia da sala falando o idioma da matéria (inglês, francês ou espanhol). De tanto medo o sangue não circulava, era o tempo todo de mãos geladas, coração disparado rezando para não ser chamado. Certa vez o professor de inglês falou alto e claro para que todos ouvissem: “Magno não precisa rezar, procura acompanhar a aula, prometo não te arguir hoje”.

Com dinheiro sempre curto muitas vezes faltava o do transporte, era quando fazíamos longas caminhadas a pé para chegar à escola. Certa feita o meu sapato rasgou, o caixa estava baixo, o resultado é que passei uns dias dividindo o mesmo par com o Bernardo. (os dois com o pé doente só que, coincidentemente, trocados).

José comprou uma moto para se deslocar entre casa trabalho e à ENA (Escola Nacional de Agronomia) situada no KM 47 da estrada Rio-São Paulo, percurso que fazia diariamente para dar conta do trabalho e do estudo. O “veículo” transportava, ainda, alimentos e material de limpeza adquiridos no mercado popular subsidiado pelo Governo, nas proximidades do aeroporto Santos Dumont. Para a missão eram destacados dois José (motoqueiro) e uma das mulheres, munidos de um saco tipo estopa, onde era depositada a mercadoria, e muito barbante para fixa-lo à moto. Coisas mais frágeis eram levadas nas mãos do ajudante garupa.

Um belo dia o dinheiro “sobrou” para comprar uma galinha viva que os feirantes enrolavam em jornal embalagem que a mantinha imóvel. Ocorre que o vento abriu o papel e a galinha saltou da moto, isto em plena avenida que ligava Cinelândia – Zona Sul – Aeroporto. Gerou-se uma cena hilariante e indescritível pois os carrões importados freavam bruscamente “cantando os pneus”, a pobre Flori (ainda menina) correndo atrás do almoço, mais preocupada com o possível prejuízo do que com a própria vida.

Valeram muito todos os sacrifícios e provações que nos ensinaram, como previa Duque, a ser gente. Fomos muito felizes, nos tornamos mais fraternos e humildes, vivemos em busca de honrar os sacrifícios e a memória dos nossos pais e conterrâneos. Doces lembranças, muito a agradecer, inclusive o milagre que, não só salvou a Flori e. ainda, permitiu que uma galinha controlasse o trânsito no Rio de Janeiro.

*Dr. Magno Bacelar é advogado e exerceu os cargos de deputado estadual, deputado federal, senador da república, vice-prefeito de São Luís e prefeito de Coelho Neto.

Gostei do que vi e ouvi – Por Magno Bacelar

Dr Magno Bacelar após a transmissão da faixa símbolo do poder municipal ao prefeito Américo de Sousa

Pela graça de DEUS passei a virada do ano no meio do povo de minha terra. Como todos, preocupado com a violência que intranquiliza e apavora. Pairava no ar o sentimento de pesar e comoção pela covarde agressão sofrida por três adolescentes, na noite de sexta (dia 30).

Em cada alma a angústia, o medo e a vigília refletida na ausência de público no Corredor da Folia para as comemorações da virada sinalizando a tristeza dos jovens. No semblante dos presentes, expectativa e angústia. O júbilo cedeu lugar, ao mais nobre dos sentimentos, a solidariedade.

Neste clima recebemos 2017, o marco de um novo momento. O ano em que, em nenhum instante, perderemos tempo remoendo frustrações e cultuando o revanchismo.  A renovação não é apenas uma imagem de retórica, é um sentimento de amor que brota no coração e vai ao fundo da alma. O momento clama por conciliação e participação universal. Reconstruir não é tarefa apenas para o prefeito, depende de cada cidadão. A força resultará da união e da transparência de ações plurais. O presidente John Kennedy ensinou: “ não pergunte o que sua terra fará por você e sim o que você poderá fazer por ela”. Coelho Neto espera a sua ajuda.

Não insinuo que o cidadão trabalhe pelo prefeito. O voto delegou a ele a função de gerir o município. Permito-me lembrar que a hora da reconciliação é agora. No momento não interessa mais quem concorreu, quem ganhou, quem perdeu, o que está em jogo é o êxito de uma administração da qual dependerá uma melhor qualidade de vida para sociedade. De que adiantará o gestor mandar  coletar o lixo pela manhã se à tarde tudo está de volta. Produzir água tratada, de excelente qualidade e custo elevado, se nós a desperdiçamos por incúria. De que serve segurança policial se não nos preocuparmos em ensinar, aos nossos filhos, a amar e respeitar os direitos dos semelhantes?

Tenhamos em mente dois fatores básicos para a efetivação dos nossos sonhos: Américo não é o prefeito de seus eleitores mas de todos os habitantes do município e os recursos por ele administrados pertencem a sociedade, única prejudicada pelo vandalismo. URGE desarmar os espíritos: – oposição é um bem necessário enquanto o fanatismo radical é o pior dos males. É TEMPO DE CONCILIAÇÃO.

Presenciei a posse do prefeito e da nova Câmara. Mais um ato público, aparentemente, na realidade a efetivação da decisão democrática do voto livre e soberano. Naquele momento emoção e esperança assumiram o coração de cada homem, mulher e criança, os velhinhos também estavam vibrando, o teatro foi envolvido por um único sentimento. A manifestação positiva e contagiante nos fez esquecer o ontem e acreditar num futuro grandioso.

Por fim, para coroar esperanças e a fé, veio o pronunciamento do prefeito marcado pelo amadurecimento e senso de responsabilidade. Sem temor, mostrou conhecer os problemas e a gravidade do que vai enfrentar. Humilde pediu a ajuda de todos afirmando que o governo será do povo e em seu nome exercido. Preocupado com a saúde pública e a segurança, problemas mais agudos e urgentes, sem descuidar dos outros serviços sob sua responsabilidade. Ameno, estendeu as mãos à conciliação assegurando não permitir distinções ou perseguições. Não deixou dúvidas quanto a honestidade, transparência, ética e Justiça que imporá às ações do governo.

Dos vereadores eleitos, impressionou-me a juventude, força da natureza e fonte de idealismo, que adicionada à combatividade do presidente Osmar Aguiar nos assegura uma Câmara diligente e atuante.  Sujeita a algumas turbulências, próprias do exercício democrático.

Ficou a certeza de que os sonhos se tornarão realidade, não por   milagre, mas pelo restabelecimento de confiança e solidariedade. Resgatada a autoestima resta – nos participar, torcer e colaborar.

O Governo já está trabalhando, não é mais hora de papo furado, desejando boa sorte, concluo dizendo: Gostei do que vi e ouvi!

*Dr. Magno Bacelar é advogado e exerceu os cargos de deputado estadual, deputado federal, senador da república, vice-prefeito de São Luís e prefeito de Coelho Neto.

Uma data a ser lembrada. Por Magno Bacelar

Dr Magno Bacelar
Dr Magno Bacelar

Nossa querida Coelho Neto completa mais um aniversário. Muito jovem, mas com uma bela história de lutas e progresso, nasceu Curralinho às margens do rio Parnaíba. Denominação que a caracteriza ser originária de colonização pelas famosas “entradas” que se fizeram no Brasil do litoral para o cento do país.

A denominação “curralinho”, às margens de um rio navegável, significava um ponto de apoio ou entreposto para as caravanas que, partindo do litoral, foram ocupando as terras do interior do Brasil. No caso de nosso torrão, os colonizadores partiram de Parnaíba no litoral piauiense. O fato confere importância histórica à pequena e antiga vila que evoluiu para cidade até se transformar na hoje histórica e próspera Coelho Neto da qual tanto nos orgulhamos. Nova, portanto, é a nossa emancipação política hoje com apenas 123 anos.

Durante longos e penosos anos, desde a chegada dos colonizadores, o pequeno e pobre povoado, que já foi termo de Buriti, ficou estagnado dependente de rústica pecuária e agricultura rudimentar. Praticamente sobrevivendo do extrativismo, pesca, caça, cata de frutos silvestres. Período em que não houve progresso, apenas alguns comerciantes e latifundiários se locupletaram da ignorância e fragilidade popular, período em que não se fez história, fomos tão somente coadjuvantes na ópera pífia regida pelos coronéis.  Sobrevivemos graças à natureza pródiga elaborada por Deus.

Com a emancipação, vieram os primeiros benefícios:  Prefeitura, Delegacia de Polícia, Promotoria, Juizado e Câmara de Vereadores. Surgiram os cargos públicos inerentes à burocracia e necessidade de cada setor. Instrumentos decisivos para a representatividade e avanço democrático. Pessoas locais passaram a exigir das autoridades constituídas providências efetivas e que antes dependiam de outras cidades que, logicamente, já se debatiam com os seus próprios problemas. Em fim brotou uma consciência política local e conhecedora de suas necessidades. Em decorrência da legitimidade desta representação popular vieram as estradas, as escolas públicas o posto médico e outros benefícios. Passamos a ser uma unidade da Federação com representantes estaduais e federais. “ Aparecemos na foto” no dito popular.

Na era Vargas e consequente instalação do Estado Novo, título bonito para a ditadura implantada, perdemos a representação política face ao fechamento das casas do legislativo em todos os níveis. Os anos ditatórias simbolizam atraso e escuridão para as consciências cívicas. Há que ser considerada, também, a coincidência com a Segunda Guerra Mundial. A bravura de nossos conterrâneos (homens e mulheres) nos ajudou a atravessar mais esta barreira capaz de ofuscar e impedir avanços matérias e culturais.

Celebrada a paz mundial e extirpada a Ditadura Vargas, voltamos a normalidade democrática com a Constituinte de 1946 que fortaleceu, ainda que pouco, a municipalidade brasileira. Todos estes fatos exigiram a participação das gerações que nos antecederam e fizeram a história chegar aos anos sessenta quando Coelho Neto experimentou uma mudança total em seu destino. Foi quando empreendedores e idealistas locais sonharam e criaram as indústrias que, uma vez implantadas, transformaram o município no mais próspero do Maranhão colocando o Estado no mapa industrial do país.

Em decorrência da geração de emprego para cá acorreram brasileiros oriundos de todo o Nordeste. Dobramos, em dezenas de vezes, o número de habitantes apesar de havermos cedido grandes áreas para a instalação de dois novos municípios (Afonso Cunha e Duque Bacelar). Além de criar emprego e renda o Município de Coelho Neto passou a ser o maior arrecadador de impostos para o Estado. Vivemos tempos gloriosos de desenvolvimento em todos os setores da atividade humana. Lamentavelmente o Grupo que sucedeu os nossos pioneiros se limitou a explorar os trabalhadores e a terra. Não modernizou as indústrias regredindo ao extrativismo primitivo. Contudo não há porque nos abater, o que foi conquistado não se perde com o fracasso de uma empresa, outras virão. As agruras que temos amargado fortalecem nossos espíritos para novos embates e conquistas.

O desenvolvimento cultural e o exercício da cidadania nos levaram a outras conquistas dentre elas a liberdade, a mais cobiçada de todas as aspirações ao longo da história da humanidade. O povo altaneiro deste município acaba de dar uma demonstração cabal e indelével de maturidade ao eleger um prefeito cujo compromisso com a cidadania foi capaz de superar os carcomidos métodos até então utilizados. De uma só vez o eleitor sepultou a prepotência, a corrupção eleitoral, a intimidação e a demagogia.  E mais importante desmistificou a mau fadada fama de que em Coelho Neto se vende voto. Ecoou, em todo Maranhão, o brado de independência que fez surgir nova maneira de fazer política e florescer a autoestima que parecia entorpecida pelas frustrações.

Cada geração escreve sua página na história da humanidade.  Com muita bravura estamos construindo um futuro mais digno e no qual a última eleição de Coelho Neto será um dos destaques, com certeza.

Temos história e coragem para reconstruir um novo caminho. Nada a lamentar, somos felizes e agradecemos a Deus por nos ter propiciado este berço do qual tanto nos orgulhamos. Para a frente e para o alto terra querida. Salve Coelho Neto, salve o seu grande povo.

*Dr. Magno Bacelar é advogado e exerceu os cargos de deputado estadual, deputado federal, senador da república, vice-prefeito de São Luís e prefeito de Coelho Neto.

Coluna do Magno de férias…

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Pois é, não é a melhor notícia para quem aguarda ansioso esse quadro das segundas-feiras, mas é isso.

O titular da Coluna do Magno entrou em recesso de suas atividades de nosso colaborador em razão de atribuições particulares, mas logo estará de volta para nos brindar com seus textos e suas histórias.

Fica a torcida para que o retorno de Dr Magno Bacelar se dê com maior brevidade possível. Até a volta!

Senhor, tu nos guardarás seguros, e dessa gente nos protegerás para sempre. Salmos 12:7

Coluna do Magno: Sonhar é preciso…

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Com saudades li a notícia, veiculada por Samuel, sobre os nove anos sem a presença de Francisco Silveira, seu Chico da Farmácia (foto). O jornalista nos faz sentir a importância da imprensa na vida social. O registro, sobretudo escrito, é primordial à construção da memória de um povo. Sem a notícia histórica não estaria eu escrevendo esta crônica para reviver os sonhos e realizações deste grande homem, um exemplo a ser seguido.

Francisco Silveira, um idealista que adotou Coelho Neto como terra natal e nos honrou com sua opção. Sonhava alto, sonhava grande, por isso se tornou um empreendedor bem-sucedido e respeitado. Partindo daqui, abriu filiais de suas lojas na região e em Teresina. Amante e entusiasta do carnaval, criou a melhor escola de samba da cidade e desejava que Coelho Neto se tornasse polo carnavalesco de todo o interior maranhense. Otimista inveterado conseguia transformar sonhos em realidade. A ele o   reconhecimento.

A mudança do comando político e consequente ascensão de Duque Bacelar, por volta dos anos 40, criou-se uma onda de otimismo e sonhos. A eleição de Dalva, primeira prefeita e depois deputada seguida da projeção de Raimundo e formatura de outros irmãos foi num crescendo de conquistas jamais vistas no Maranhão. Eram sonhos que se materializavam e despertaram a atenção para Coelho Neto.  A confiança e autoestima elevada contagiaram todos que passaram a compartilhar da mesma Fé.  “ Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.”

Em 1952, imaginem só, Raimundo conseguiu uma linha aérea comercial, São Luís – Salvador, com escala em Coelho Neto. Linha regular, com duas escalas por semana, transportava passageiros e carga com acesso rápido às duas capitais mais próximas: São Luís e Teresina.  A AERONORTE utilizava a aeronave Douglas, DC-3, com capacidade para 21 passageiros, equipamento utilizado em todo o nordeste brasileiro. O primeiro representante e despachante aéreo foi o Sr. José Sila.

Paralelamente instalava-se um órgão Federal de fomento agrícola, com campo experimental, assistência técnica ao agricultor e distribuição de sementes selecionadas. Sede e campo localizados na pimenteira sob a chefia e responsabilidade do   técnico Sr. Jose Tajra, tio do nosso deputado Federal José Carlos do PT, trouxe uma excelente colaboração à nossa agricultura e foi precursor da EMATER, também já extinta, e que veio muitos anos depois.

No embalo dos sonhos, otimismo e confiança chegamos aos grandes projetos agrícolas e industriais. Implantados em menos de uma década de verdadeira explosão de desenvolvimento social e econômico. O município tornou-se referência e matéria de destaque nas primeiras páginas da grande imprensa nacional. Passamos a fazer parte do mapa progressista do Brasil.

Perseguido por maus políticos, inclusive maranhenses, e temido por empresários nacionais o grupo Bacelar foi despojado, por intervenção direta da ditadura de 1964, do patrimônio e dos sonhos. A força e o arbítrio jamais conseguiram fazer    com que a família pioneira abdicasse do amor à terra natal. Amor e compromisso que faltaram aos sucessores que como empresários, limitaram-se a   explorar, até a exaustão, máquinas, trabalhadores e a terra. Não se preocuparam em reciclar o equipamento além de transferir o que havia de melhor para Pernambuco. Veio a paralização da Fábrica de Papéis e, a partir daí as coisas evoluíram para o alheamento e pessimismo.

Desiludido e abandono do poder público municipal, o povo foi contaminado pela desesperança. Coelho Neto hoje é uma cidade em que a população não sonha, não sorri. Teme por tudo, falência do grupo, desemprego, falta de segurança pública, pela saúde inexistente e educação de péssima qualidade. É refém do arbítrio e do medo.

Urge que resgatemos a autoconfiança, o otimismo e a capacidade de sonhar. É preciso combater o derrotismo e a falta de iniciativa. Quanto mais difícil o desafio maior a vitória. Novas eleições se aproximam, é a hora e vez do povo. Democracia é o Governo do povo pelo povo, façamos do voto o instrumento da mudança. Quem sonha é capaz de realizar, voltemos a sonhar com um sorriso confiante nos lábios de nossas crianças.

*Dr. Magno Bacelar é advogado e exerceu os cargos de deputado estadual, deputado federal, senador da república, vice-prefeito de São Luís e prefeito de Coelho Neto.

Senhor, por que estás tão longe? Por que te escondes em tempos de angústia? Salmos 10:1

Coluna do Magno: Madeira de dá em doido

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Na infância ocorrem fatos e coisas que memorizamos pelo resto da vida. Como qualquer pessoa, me recordo de muitos ditos, costumes, e pessoas exóticas. Hoje, acompanhando as agruras por que passa o povo brasileiro, crise política ética, financeira e, sobretudo, moral me veio à lembrança o nome de um arbusto: o “jucá”. Madeira nobre, pesada, flexível “verga mas não quebra”, de mil utilidades.

Nas proximidades do ITAPIREMA havia um pé desta “maravilha” da natureza, (para umas coisas, outras não).  As folhas serviam de alimento para as cabras, as pontas mais delgada das ramas eram utilizadas para chicote de surrar menino mal criado, os galhos um pouco mais grossos utilizados para fazer cacete, para armar os caboclos nas travessias noturnas e brigas em festas, serviam, ainda, para fazer cassetete para os guardas municipais, os galhos mais próximos do tronco os meninos usavam como sanitário para as necessidades fisiológicas e assistir os porcos (criados soltos) comerem,  o tronco  servia para estacas e taboas, por último as raízes excelentes para chá diurético.

O lado desagradável era composto pelo chicote flexível e pesado, que doía demais, os cacetes e cassetetes que causavam fraturas e originaram a denominação: madeira de dá em doido. Na vila das flecheiras, próximo ao Itapirema, morava um negro muito ágil especialista em jogar cacete, dava pulos e gritos quando se exibia. Um espetáculo certamente derivado da capoeira só que mais rústico.

Próximo ao impeachment, quando o PMDB resolveu abandonar o barco, Michael Temer renuncia a presidência do partido, até então maior aliado e beneficiário do Governo. Eis que surge um novo personagem no senário político, o senador Jucá, falante e moralista, substitui o vice de Dilma na presidência do partido. Mancomunado com Eduardo Cunha passou a dar entrevistas e orquestrar aquela baboseira toda da votação no plenário da Câmara, tão hilária quanto vergonhosa. Votaram até pelos insetos da casa dos parlamentares.

Com o envio do processo para o Senado Jucá ditava normas e regras a serem seguidas pela casa. Tudo saiu como previsto, o que resultou na posse de Temer, interinamente, como Presidente da República era o que faltava para transformar o Jucá em pau para toda obra. Nem o sol faria sombra ao novo Ministro do Planejamento. Afoito aproximou-se demais do astro rei cujo calor derreteu a cera com que colara as asas. Tal como acontecera a Ícaro na frustrada tentativa de voar mais alto que o permitido. Carreira efêmera para quem não tinha luz própria. Vitorino Freire, velho político maranhense, gosta de dizer: “jaboti não sobe em arvore, quando vires um trepado pergunta quem trepou”. Bastou a divulgação de um telefonema para que ocorresse a queda fulminante.

Nos novos tempos políticos, e no Brasil contemporâneo, não é a linha que cai e sim o usuário do telefone. Os fatos se repetem, não só a Dilma, o Lula, Delcídio e, agora, o Jucá caíram pelo celular, outros os estão sucedendo diariamente para desapontamento dos eleitores de boa-fé.

O momento de tantas incertezas exige séria reflexão quanto a importância do voto, arma poderosa dos pacifistas para mudar, radicalmente, os destinos desta grande nação brasileira. Nem Temer, nem o atual congresso de indiciados, irão resolver o impasse. Temos que mudar os homens e os hábitos. Leis, já as temos de sobra.

Chega de atentados a ética e a moralidade, em que eleições se transformaram em compra de votos e agiotagem, investimento com dinheiro público, para que falsos líderes cheguem às propinas e ao enriquecimento ilícito.

A corrupção poluiu tanto o ambiente nas casas do Congresso que, do Jucá do Senado, pouca restará, pois se trata de um exemplar fragilizado ética e moralmente, sem a robustez e a nobreza da arvore de nossas matas, de terras férteis e ar puro.

Lastimavelmente, entre os políticos, já não encontramos idealismo e amor a coisa pública, o cenário é de falsos e falsários.

*Dr. Magno Bacelar é advogado e exerceu os cargos de deputado estadual, deputado federal, senador da república, vice-prefeito de São Luís e prefeito de Coelho Neto.

Coluna do Magno: Desaparece uma estrela…

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Cheguei ao Rio de Janeiro num final de tarde, março de 1955. O pouso efetuado no aeroporto Santos Dumont, o mais central dentre tantos que conheci mundo afora. A paisagem emoldurada pelo pão de açúcar, o Corcovado e o “dedo de Deus”, ao fundo, ficou entronizada, para sempre, dentre doces e nostálgicas lembranças. Enquanto o sol, se esgueirava nas sombras as imagens se confundiam e fundiam com os meus mais belos e audaciosos sonhos de adolescente. Imaginei que o sol se recolhia para, fortalecido pela suavidade da noite, voltar mais esplendoroso na manhã seguinte disposto a iniciar um novo ciclo da vida. Naquele momento mágico tive a intuição de que o destino me reservara um caminho de lutas constantes, muitas vezes amargas, mas que terminaria, como aquele entardecer da baia da Guanabara, suave e tranquilo.

O mundo vivia sob o impacto do fim da Segunda Grande Guerra. Além da redistribuição geográfica considerável, entre as potências vencedoras, a violência e a barbárie durante o conflito mudaram radicalmente a concepção de vida dos seres humanos. Surgiu, e agigantou-se, um sentimento de que a vida precisaria ser vivida com mais urgência e intensidade. Não havia legislação tão elástica para normatizar os novos comportamentos e aspirações. Movimentos por reformas invadiram as ruas em todos os continentes. O mundo, ainda confuso, clamava por urgência inspirando  jovens e hippies que mesclaram música com trabalhos  artesanais. Mudou, radicalmente, o relacionamento familiar, quebraram-se os tabus, instalou-se o caos na higiene, modo de vestir roupas rotas, cabelos desgrenhados, dormir ao relento, tudo orquestrado pelo o slogan: Pace and love (paz e amor).

Durante o embate mundial o rádio tornou-se o milagroso elo de ligação entre o front de batalha e os familiares angustiados pela incerteza. Firmou-se como fonte de entretenimento levando música e mensagens incentivadoras aos combatentes enquanto os civis se reuniam em torno dos receptores ansiosos por notícias dos entes queridos. Selada a paz, o habito consolidou o  velho companheiro em definitivo. O RÁDIO transformou-se no maior condutor de massas. Floresciam os programas de auditório, com apresentação de artistas e comandados por animadores como César de Alencar, Chacrinha e Ary Barroso. Foi então que, inspirado em cantores como Silvio Caldas e Orlando Silva, surgia o primeiro “show man” brasileiro.

Nascido em Niterói – RJ,  de família de músicos e instrumentistas, Cauby Peixoto começou a trabalhar muito cedo, para ajudar a mãe, tentou várias atividades mas o seu destino seria a música que o consagrou. Controvertido e extravagante nos gestos e no vestir, tornou-se, desde logo, o mais discutido e badalado cantor nacional. Nada disso foi decisivo para a notoriedade alcançada, sobravam-lhe talento, musicalidade e voz grave e aveludada. A todas as pessoas a quem se dirigia chamava de “professor” o que lhe valeu o apelido.

Atuou em bares e casas noturnas do Rio e de São Paulo, teve o maior fã-clube, vibrante e arrebatador, quando se apresentava em rádios ou shows abertos em praça pública, o professor tinha as roupas rasgadas pelas admiradoras apaixonadas. Muito requisitado Cauby teve a agenda mais disputada dos anos 50/70. Cantava em inglês, fez temporadas nos Estados Unidos, gravou álbuns em inglês que fizeram sucesso na terra do Tio San. Se apresentou ao lado de Nat King Cole.  As duas maiores revistas, da época, Time e Life deram-lhe grande destaque reconhecendo-o como o Elvis Presley brasileiro. No Brasil também mereceu o reconhecimento de grandes compositores, dentre os quais Caetano Veloso, Roberto e Erasmo Carlos, Tom Jobim, que criaram músicas especialmente para o lançamento do álbum “Cauby, Cauby” na década de 80. Mantinha público cativo nas boates e night clubs em que se apresentava chegando, em sociedade com os irmãos, a ser proprietário de uma destas casas noturnas em Copacabana, Rio. Se apresentou em todas a grandes cidades e capitais brasileiras sempre arrebatando multidões.

O fenômeno Cauby foi de tamanha grandeza que atravessou seis décadas, resistindo a influencias estrangeiras e outros modismos, sustentada pelo talento e voz impecável. Atualmente fazia uma turnê, com Ângela Maria, comemorativa dos 50 anos de carreira e se apresentava num dos mais frequentados bares da Avenida São João. Deixou um álbum inédito a ser lançado em breve por Angela Maria (a sapoti da radiofonia nacional), com quem compartilhou muitos sucessos.

As estrelas não morrem, se escondem por momentos, Cauby “pediu um tempo”, ressurgirá sempre, onde predominarem os sentimentos de amor e saudade.

*Dr. Magno Bacelar é advogado e exerceu os cargos de deputado estadual, deputado federal, senador da república, vice-prefeito de São Luís e prefeito de Coelho Neto.

Volta-te, Senhor, e livra-me; salva-me por causa do teu amor leal. Salmos 6:4

Coluna do Magno: A resposta a um agressor…

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O novo rico e atrabiliário alcaide concedeu entrevista à sua emissora pirata. A farsa é conhecida, onde Carlos Machado, processado por exercício ilegal do jornalismo em rádio fantasma é o interlocutor. Pedante o embusteiro simula perguntas as quais o “barbeiro” desonesto responde. Montagem grosseira de uma opera bufa recheada de mentiras, bravatas e inconsequência. Tudo bancado com dinheiro da Prefeitura, de onde sai, inclusive, o salário do chantagista tupiniquim.

Como Dom Quixote e Sancho Pança, a dupla cria inimigos imaginários e fantasmagóricos. Tudo no faz de conta. Na última encenação inventaram inimigos que desejam fechar a fábrica. Ambiente ideal para o “valente barbeiro”, esgrimindo sua tesoura de ouro, possa exibi-la aos súditos da província. Ocorre que a repetição diária de tanto despudor exauriu a paciência da população. Se realmente houvesse Justiça e respeito às leis, esse arremedo de televisão já teria sido lacrado e os dois farsantes presos.

Com palavreado chulo, próprio dos marginais, o reizinho das Pimentas blasfemou que não permitirá o fechamento de fábrica em seu desgoverno e que obrigará os empresários a pagar os Direitos Trabalhistas. MENTIRA, quem fará acontecer o pagamento será a Justiça do Trabalho que, provocada pelos bravos presidentes dos sindicatos, já está em ação. O irresponsável “imperador das Pimentas” está enquadrado em crime de responsabilidade fiscal por não respeitar os direitos dos professores e demais trabalhadores municipais. Aliás, onde ele estava quando o trabalhador, honesto e injustiçado, passava fome e sofria ao relento?

Esbanjando o dinheiro público, inaugurando barbearias milionárias, comprando grandes fazendas em todo o Maranhão. As que aqui restavam já lhe pertencem. Adquirindo milhares de rezes para povoar o seu latifúndio e carros importados luxuosos para os filhos. Pior, para saciar o complexo de pobreza (da sua origem), ostenta despudoradamente a atual riqueza, espúria e fraudulenta.

Sórdido e pusilânime, me insultou “por haver deixado fechar a fábrica de celulose em 2005”. A história registra que fui um dos fundadores das fábricas e, embora a ignorância seja uma de suas características, sabe que Prefeito não pode interferir na iniciativa privada. Só agora, que a solução jurídica está próxima, mais uma vez, o farsante comparece para colher os louros.  Ainda bem que os sindicalistas repudiaram, exemplarmente, o embuste. A máscara caiu, o povo cansou, os tempos são outros. Comprou as Pimentas, porteira fechada com o Jademil dentro para usá-lo, como fantoche, nas eleições de 2016. Usou e abusou de nossa boa- fé, já não fará mais o carrasco da  Pimenteira prefeito de Coelho Neto. Ambos são farinha do mesmo saco, azedo e fétido.

Em 2008 tive a dignidade de reconhecer a derrota e, de cabeça erguida, comparecer à solenidade de transmissão do cargo, ocasião em que o pusilânime agressor de hoje, teceu-me rasgados elogios, tão falsos quanto o seu caráter. Jamais trabalhei contra sua medíocre administração, no que pese ter sido covardemente perseguido e insultado. Tenho certeza de que o corrupto analfabeto não conhece uma palavra menos grosseira para me agredir: cada um dá o que tem. Não merece resposta. Se eu fosse de sua laia diria quem é frouxo, mas não o farei, mesmo porque, ele sabe quem é frouxo e onde está.

Deus me concedeu a dádiva da longevidade e de viver intensamente a política por 54 anos. Ocupei os mais diversos e elevados cargos da política brasileira, jamais me deparei com alguém tão execrável e desqualificado. Em sua mente doentia só o dinheiro conta, pouco importando os meios utilizados para consegui-lo. Princípios, dignidade, ética e respeito ao próximo, não constaram dos ensinamentos a ele ministrados. Especializou-se nas artes da enganação e do trambique, viveu na escuridão do crime e a sombra da impunidade.

Toda a classe política o conhece e dele se afasta com repugnância. Detém uma esteira de traições mais extensa que a folha corrida do Fernandinho Beira – Mar. A Justiça de Deus e dos homens chegará, estou certo.  As fazendas no sul do Maranhão devem servir de pasto para quando cair de quatro, banido pelo voto popular, nas próximas eleições. Isso se a Justiça não se fizer presente antes.

Antes de mais nada, quero avisar que conheço todas as violências e crimes perpetrados por ele contra as famílias de Coelho Neto, principalmente quando se trata dos mais humildes e desprotegidos. Sou um homem educado e pacato, mas desconheço a palavra medo. Já vivi mais que a média do povo brasileiro, nada tenho a perder. Estarei em Coelho Neto, para, ao lado do povo, expulsar o alcaide, sua quadrilha e os repulsivos capangas (armários) trazidos para atemorizar nossa gente.

A história do malfadado meliante Silva em Coelho Neto, lembra a fábula do escorpião e do sapo. Depois de salvo de uma grande enchente e transportado pelo batráquio até a terra firme, na hora de saltar, o escorpião ferrou o pobre animal que nos estertores da morte pergunta: mas, por que? O escorpião responde – é o meu instinto. Assim foi com o incompetente Silva, aqui chegou para integrar uma gang especializada em superfaturar peças para o Grupo João Santos. Vendia dez peças e entregava uma. O povo lhe deu tudo. Eleito vereador, foi a presidência da Câmara para extorquir o prefeito. Depois tentou a Assembleia e virou deputado por conta e graças aos votos de Coelho Neto.

Mentindo e ludibriando a boa-fé de todos chegou a Prefeitura por duas vezes. Ficou rico, dilapidando o município e ainda quer deixa-lo entregue ao Jademil e à própria sorte. Tal como o escorpião, ferrou o povo e inoculou o seu veneno peçonhento no que existe de mais sublime – A esperança.

*Dr. Magno Bacelar é advogado e exerceu os cargos de deputado estadual, deputado federal, senador da república, vice-prefeito de São Luís e prefeito de Coelho Neto.

Por que se amotinam as nações e os povos tramam em vão? Salmos 2:1

Coluna do Magno: Dia do Trabalho…

Da primeira infância, ainda em nossa terra, guardo muitas recordações dentre elas a comemoração do dia 1º de maio, o dia do Trabalho. Já naquela época, como agora, os prefeitos promoviam festas populares com desfiles escolares, quermesses, apresentação de orquestras e bailes à noite. Caminhões buscavam os caboclos nos povoados, também era o momento de exibir cavalos de sela. Comida e bebida servidos gratuitamente, “tudo por conta do governo”.

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Centro Operário e Artístico de Coelho Neto: palco das grandes festas em homenagem ao trabalhador no passado

Foi numa destas festas que assisti à inauguração do “CENTRO OPERARIO E ARTÍSTICO DE COELHO NETO”, cuja sede ainda resiste às investidas capitalistas e à incúria das autoridades municipais. A festa foi animada por artistas e orquestra de fora. Criança, embalado pelos sonhos da inocência, imaginava que os “operários” eram muito prestigiados e felizes por merecer tantas homenagens.

Diferente da minha concepção infantil, o 1º de Maio é um marco na história da humanidade. É uma homenagem às conquistas alcançadas ao longo de séculos. Até o início do século XIX o trabalhador era considerado um instrumento para o enriquecimento do empregador. Em 1889 trabalhadores americanos fizeram uma grande paralização no dia 1º de maio para reivindicar melhores condições de trabalho, no mesmo ano, em Paris, os operários decidiram que a data se tornaria uma homenagem aos grevistas americanos e, ainda na França, no ano seguinte 1891 os franceses consagraram a data de 1º de maio ao Dia do Trabalho. Sindicalização e direito de greve são marcos dos últimos 200 anos.

No Brasil, somente a partir de 1917 e por influência dos imigrantes europeus, tiveram início os primeiros movimentos reivindicatórios da classe trabalhadora. Em 1924, pressionado, o Presidente Artur Bernardes decretou Feriado Nacional o dia 1º de maio. Somente após os anos 1930, com Getúlio Vargas, começamos a ter uma legislação específica. Em 1939 Vargas criou a Justiça do Trabalho, instituiu o salário mínimo, implantou a Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT; são frutos do seu governo a Carteira Profissional, a semana de trabalho de 48 horas e férias remuneradas.

Permanece, ainda hoje, a ideia equivocada de que o Dia do Trabalho é apenas uma data festiva em que maus políticos e demagogos aparecem travestidos de paladinos dos Direitos Trabalhistas. Alguns gestores retornam a Império Romano e, em flagrante afronta, julgam que oferecendo pão e circo cumprem suas obrigações e homenageiam os trabalhadores.  Até o início de 1960 em nossa terra não existiam fontes de emprego, exercendo atividade meramente extrativa, homens e mulheres trabalhavam de maneira independente. Quando prestavam serviços, entre si, a remuneração se verificava na forma de escambo.

O espírito empreendedor dos irmãos Bacelar abriu os horizontes, através da industrialização, para a geração de emprego e renda e a consequente introdução das relações e direitos trabalhistas em nosso meio. O mercado de trabalho tornou-se atrativo para trabalhadores nativos e procedentes de diversas regiões do país (o que até então chamava-se “operário” recebeu a nomenclatura de “trabalhador”), surgiu o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, o decorrente aumento populacional e o surgimento de diferentes ramos de atividades deram origem a outros sindicatos numa sociedade que começava a se organizar.  O polo desenvolvimentista de Coelho Neto transformou a região numa espécie de oásis da bonança e esperanças para milhares de brasileiros nordestinos. Basta a honra e felicidade de haver participado destas realizações para justificar a minha, já longa existência.

A força do idealismo inovador fez com que escolas fossem criadas e funcionassem dentro de padrões avançados, professores foram recrutados em várias cidades e na Capital. O transporte escolar foi implantado, pela primeira vez no interior, com ônibus especiais, bem como fardamento e merenda para as crianças. Surgiram os hospitais e a saúde foi destaque na televisão e nas revistas de maior circulação nacional. Não havia violência.

Lamentavelmente estamos vivendo dias terríveis para os funcionários das empresas do Grupo João Santos. No que pese o esforço e combatividade dos presidentes de nossos sindicatos, retrocedemos ao tempo em que as   Leis não existiam ou não chegavam até nós. Aqueles que, na iniciativa privada ou na administração pública, alegam ser a “crise” responsável pela incúria são mentirosos e embusteiros.  A violência e humilhações a que submetem os trabalhadores ferem a Constituição e atingem a todos nós coelhonetenses que sonhamos e já vivemos uma cidade onde não existiam mendigos. Um exemplo de Justiça Social invejável até para as grandes metrópoles.

Ressaltei que 1º de maio, embora influencie os outros 364 dias do ano, não é um mero dia de festas, é a data consagrada às lutas e conquistas dos trabalhadores. De uma maneira ou de outra, todos nós somos trabalhadores, contribuímos para o bem-estar da família e grandeza da pátria. Dificuldades serão vencidas, devemos nos dar as mãos, solidariamente, na certeza de que a luta continua e melhores dias estão por vir.

Todas as minhas homenagens são prestadas aos, homens e mulheres, trabalhadores de Coelho Neto.

*Dr. Magno Bacelar é advogado e exerceu os cargos de deputado estadual, deputado federal, senador da república, vice-prefeito de São Luís e prefeito de Coelho Neto.

Coluna do Magno completa 01 ano…

Dr. Magno Bacelar: sempre um idealista
Dr. Magno Bacelar: sempre um idealista

No ano passado resolvi desafiar o ex-prefeito de Coelho Neto Dr. Magno Bacelar a escrever. Na verdade desafiei alguém que tem uma habilidade descomunal com a escrita para contar sua história e tentar reviver acontecimentos das últimas décadas da qual por muitas vezes foi o grande protagonista.

Não negando as raízes de um legítimo filho de Duque Bacelar, nosso “contador de histórias” aceitou o desafio e há exatamente 01 ano brinda os nossos leitores com passagens importantes da sua vida e de fatos históricos que merecem ser destacados por quem os vivenciou.

Os textos da Coluna do Magno já serviram como fonte de pesquisa para estudantes e foi tema de rodas de conversa de políticos em Brasília. Nesse período não poderia deixar de elogiar a pontualidade do nosso escritor, que nunca atrasou um texto sequer.

Esse espaço conseguiu fama e atingiu seu principal objetivo: motivar as pessoas a conhecer e se interessar por nossa história.

Dr. Magno foi deputado estadual, Presidente da Assembléia (cassado pela ditadura), secretário de estado, deputado federal, vice-prefeito de São Luís, senador, prefeito e partícipe de grandes empreendimentos empresariais do Estado. Toda essa longa folha de serviços prestados lhe permitiu não só participar da história como também fazer história e é isso que ele tem nos contado todas as segundas-feiras.

Ao tempo em que registramos esse primeiro ano de parceria, gostariamos de agradecer a ele pela presteza com que aceitou nosso convite e por nos brindar com seus textos carregados de sabedoria.

Fazer história parece ter sido o destino de “Duque Bacelar e Filhos”.

E o “velho” Magno fez e continua fazendo isso como ninguém. É um desbravador e continuará sendo!