Ruralidade brasileira é discutida no 3º Fórum dos Secretários da Agricultura Familiar

A professora Tânia Bacelar falou sobre a importância de políticas públicas rurais consistes. Foto: Divulgação
A professora Tânia Bacelar falou sobre a importância de políticas públicas rurais consistes. 

O resultado de estudos do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) sobre “Tipologias da Agricultura Familiar no Semiárido Brasileiro” foi tema do último dia do 3º Fórum dos Secretários de Estado Responsáveis pelas Políticas de Apoio à Agricultura Familiar do Nordeste, que ocorreu na última na sexta-feira (21), no Grand São Luís Hotel, realizado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (SAF).

Na palestra sobre o tema, proferida pela professora Tânia Bacelar (IICA), os secretários concluíram a reunião técnica com a compreensão de que o Brasil é um país essencialmente rural e precisa de políticas públicas adequadas, levando em conta essa especificidade geográfica e social.

“O rural no Brasil é muito mais que imagina o brasileiro. Fomos levados a acreditar, desde 1990, que o país é urbano e industrial, isso não é verdade. Essa concepção desvaloriza o ambiente rural e prejudica as políticas públicas de educação e habitação. Ficamos presos às políticas agrárias comuns”, disse a professora, responsável pela coordenação técnica do estudo ‘Projeto de políticas diferenciadas de desenvolvimento rural para os territórios incluídos em tipos regionalizados do Nordeste’, que busca desmistificar a visão de um Brasil pouco rural.

Ainda segundo a professora, a ruralidade no Brasil se desenvolve, segundo parâmetros usados na União Europeia, como nas pesquisas “Essencialmente Rural e Isolado”, “Essencialmente Rural e Próximo (ao ambiente urbano)”, “Relativamente Rural e Isolado” e “Relativamente Rural e Próximo”, sendo cada um dos estudos cheios de peculiaridades.

Após a apresentação, os presentes puderam debater os pontos apresentados, como o foco no bioma Caatinga como referência para a criação de políticas públicas variadas para desenvolver o País, olhando para o meio rural. “Temos de ver o rural não apenas como um locus de produção agrícola, mas como forma territorial de vida social, que de fato é”, completou o Coordenador de Territórios e Bem Estar Rural do IICA, Carlos Miranda

Assistência técnica

A última pauta do Fórum também tratou do alinhamento da Carta de São Luís, contendo as metas para fortalecer as entidades públicas de assistência técnica e extensão rural, vinculadas à estrutura das secretarias, e a necessidade de ampliar a oferta de Assistência Técnica Rural (ATER) para o conjunto da agricultura familiar, instituindo um pacto com a sociedade civil e governos, além de propor ao Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrário (FIDA) e ao IICA uma integração entre o Fórum e o Projeto Semear para realização de estudos conjuntos.

O secretário de Estado de Agricultura Familiar do Maranhão, Adelmo Soares frisou a importância do Fórum para o estado: “O Maranhão se sente muito honrado não só pela presença de todos aqui, mas pelo conteúdo de debate que geramos. A presença desse conjunto consolida o alcance de melhores políticas públicas para todo o Nordeste”.

A próxima reunião do Fórum acontece em outubro deste ano, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

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