O fim de um pesadelo… Por Magno Bacelar

Coelho Neto: esperança de uma cidade melhor

DEUS me concedeu a dádiva de viver 78 anos durante os quais tive oportunidade de experimentar bons e belos momentos. A infância de sonhos no ITAPIREMA cercado de carinho e amor fraterno, a ingenuidade das amizades infantis e o companheirismo nas primeiras aventuras juvenis.

Conciliador por índole, trilhei o caminho do amor ao próximo e respeito às individualidades. Apaziguei pequenos e grandes conflitos, administrei divergências sem jamais considerar inimigos os meus adversários. Desafetos graciosos encontrei-os ao longo do caminho, contudo foram incapazes de alterar o destino que me tracei. Não tive tempo para semear a discórdia, mágoas e ódios. Bacharelado em Direito tornei-me político, com muita honra. Todo homem é um ser político por natureza, infelizmente, bem poucos são os predestinados à renúncia pelo bem comum.

Nem sempre trilhei caminhos floridos, muitas vezes, às escuras pisei doloridos espinhos. Contei com o povo, a família e a orientação divina. Disputei eleições em todos os níveis: de deputado estadual (aos 21 anos) a senador da República. Exerci cargos executivos (quatro vezes Secretário de Estado, Chefe de   Gabinete de Ministro, Presidente do Conselho de Educação e fundador da TV Educativa do Estado). Faltava, entretanto, alcançar o mais sublime dos sonhos: ser Prefeito e servir a minha cidade. Retribuir a tudo aquilo que recebi e alcancei na vida. Queria transforma-la na mais humana e progressista dentre todas.

Eleito e tendo o ser humano como prioridade única, debrucei-me sobre os problemas mais urgentes. Erradicar o analfabetismo, preparar nossa juventude para os grandes desafios do futuro, resgatar a autoestima e a cidadania, edificar escolas dignas, ampliando as já existentes. Erradicamos os barracões de taipa, piso de chão, cobertas de palha, vergonha que ainda encontramos. Professores que capacitamos passaram a ser dignamente remunerados. Os mais modernos prédios escolares foram construídos nos povoados. Material, fardamento digno, tênis, mochilas e merenda escolar não faltaram jamais.

A saúde mereceu transformações através de ampliação e recuperação dos postos nos povoados, contratação de psicólogos, implantamos postos de saúde dentária e preparamos para a instalação do CEO, adquirimos novas ambulâncias, reforçamos o programa da saúde da família, implantamos o serviço de agua encanada nos povoados. Implantamos o SAMU. Iniciamos o projeto de água do Parnaíba e do esgotamento sanitário como o verdadeiro princípio da medicina preventiva. Os recursos carreados, suficientes para conclusão dos projetos com mais de 70% concluídos, atraíram a cobiça de políticos ambiciosos e carreiristas. Alegando que projetos de tamanho vulto tinham fins eleitoreiros o meu adversário conseguiu em juízo, embargar as obras, todas em fase final de construção. Depois da vitória e da posse, abandonou-as definitivamente. Foi o primeiro grande crime contra o erário municipal, onde milhões foram jogados no lixo da irresponsabilidade.

No setor da infraestrutura e da habitação construímos mais de trezentas casas, estradas vicinais e, até, ponte de concreto ligando o município a Duque Bacelar. Revitalizamos o projeto de melhorias habitacionais, construímos três estádios de futebol, asfaltamos o centro da cidade, além de calçarmos muitas ruas da periferia. Na Assistência Social dentre tantas ações implantamos a Casa do Cidadão, a Defensoria Pública Municipal e o Centro da Juventude.

Não fui capaz de sensibilizar o povo com a verdade e pureza de propósitos. Meu opositor, ao contrário, ofereceu sonhos e quimeras. Dizia que a saúde estava na UTI, que o município recebia tanto dinheiro que dava para calçar todas as ruas com pedras de brilhantes. Iria construir cinco mil casas e um mercado de vidro. Ofertaria tantos empregos que ninguém jamais sairia de Coelho Neto em busca de trabalho. Que reabriria as fábricas. Todo este emaranhado de ilusões, foi apresentado com pomposo título de “Governo de Todos”.

Perdi as eleições, veio o “desgoverno de poucos”, tinha início o pior e mais duradouro pesadelo de nossa história. Ali Babá secundado por quarenta ladrões assumiu o comando e com a panelinha de parentes, afilhados e apaniguados devorou o direito de todos. Aquelas verbas imensuráveis sumiram. As ruas não foram calçadas com brilhantes, as cinco mil casas prometidas evaporaram. Surgia a casta dos novos ricos, dos carrões e da ostentação.

Na campanha de 2008, aquela em que a mentira triunfou sobre a verdade, dizia-se nos palanques que a saúde estava na UTI. Seriam construídos novos hospitais com padrões internacionais. Nada além de falácias. Até o Centro de Imagens foi adaptado na sede do SAMU já existente, apenas as paredes que eram brancas “amarelaram” de vergonha. A mentira continuou galopante, sem pudor e, em entrevistas bombásticas o enganador anunciava a existência de quarenta médicos na cidade. Sobreveio o caos no atendimento aos doentes e na distribuição de medicamentos.  A segurança cedeu lugar ao banditismo e a intranquilidade das famílias. A educação inicialmente estagnou para depois retroceder vertiginosamente nesta área de suma importância, até porque não se poderia mesmo esperar alguma coisa de um analfabeto atrabiliário.

Enquanto me culpava por tudo durante todo o governo, o “reizinho das pimentas” esqueceu o concurso público como forma universal e federativa para o ingresso no serviço público. Criou-se a casta dos concursados com salários diferenciados e dos contratados que prestavam o mesmo serviço. Salário rigorosamente pago em dia, decimo terceiro e até decimo quinto, nem pensar. Ampliação da rede educacional com a construção de novas escolas foram abandonadas, as creches cujo dinheiro chegou o gato comeu, fardamento e material escolar passaram a ser uma vaga lembrança do passado. E a merenda escolar, quem viu?

Hoje o povo desolado assiste a uma declaração (do doentinho crônico) de que, embora os médicos estejam exigindo a sua renúncia (pelo precário estado de saúde), “tadinho,” ele não pode fazer isso porque deseja entregar uma cidade DIFERENTE e muito melhor do que a que recebeu.

Realmente está deixando uma cidade diferente. Uma cidade onde predomina a violência e a desilusão. Onde os serviços públicos não funcionam, nem mesmo a coleta de lixo. Funcionários contratados irregularmente para fins eleitoreiros estão sendo demitidos sem a mínima consideração e respeito aos direitos constitucionais. Onde está o dinheiro (SEIS MILHÕES DE REAIS) do Instituto de Previdência do Município deixados por mim e oriundo dos descontos em folha dos funcionários, inclusive dos contratados? Em quanto estariam estes fundos se somados a mais oito anos da atual gestão? Manifestações nunca antes vista, suscitaram a ira de trabalhadores que não recebiam seus salários e ocupantes de terras que foram enganados numa distribuição de terrenos sem critério algum.

As repartições municipais estão desertas por falta de pagamento à CEMAR. Ameaçada de ser lacrada pela justiça a Maternidade imunda e sem medicamentos poderá ser despejada por falta de pagamento do aluguel (quase um milhão de reais). Enquanto isso o homem ostenta, adquire avião, fazendas em várias regiões, terras no município, barbearias de alto luxo e, pasmem, anuncia um frigorífico moderno e uma fábrica de cachaça.

Por muito menos, gestores estão sendo presos no Maranhão e Brasil afora, enquanto o de Coelho Neto continua afrontando a sociedade, escamoteando informações e documentos, boicotando a Comissão de Transição e enviando para a Câmara projetos cujo objetivo é inviabilizar a futura gestão.

Água quando chega é salobra, não serve para beber. Simboliza a salmoura para agravar a dor do flagelo pelo qual passa nossa pobre gente, cujo único erro foi acreditar num farsante que lhe subtraiu sonhos, esperança e auto estima.

Diferente de outrora, a cidade vive às trevas de uma longa noite de horrores. O voto fez surgir a aurora de um novo tempo.

Terá início um governo legitimamente eleito, avesso à mentira e comprometido com as aspirações populares.

Chega ao fim o apagão moral e ético, para surgir uma cidade melhor

*Dr. Magno Bacelar é advogado e exerceu os cargos de deputado estadual, deputado federal, senador da república, vice-prefeito de São Luís e prefeito de Coelho Neto.

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