Coluna do Magno: Raimundo e Antônio – os primeiros a voltar

Logo no início da saga que marcaria a sua vida e o acompanharia até a morte, Duque sofreu o primeiro atentado: cercado por policiais do destacamento da cidade e na porta da casa de sua irmã, subjugado por quatro soldados para que o comandante o apunhalasse perfurando o peito esquerdo com sabre de uso militar. Conseguiu desvencilhar-se e colocar os “capangas de farda” em fuga. Sobreviveu ao ataque posteriormente comprovado como encomendado por políticos que se sentiam ameaçados em seus antigos domínios.

Com o tempo o fato foi esquecido mas deixou marcas e sequelas. Na primeira viagem a São Luís Duque aproveitou para consultar um médico que o alertou de que a lesão poderia causar-lhe um enfarto a qualquer momento. Como amigo aconselhou-o a tomar providencias urgentes para uma eventual substituição de sua pessoa na condução dos negócios da família já bastante numerosa (a essa altura quase dez filhos menores).

Diante de tal argumento que terminou caracterizado como erro médico, não restava ao Duque outra escolha senão sacrificar os estudos dos dois filhos homens mais velhos e prepará-los para a luta e preservar a família. Ambos estudavam em São Luís, internos no renomado Colégio Ateneu Teixeira Mendes, sabiamente dirigido pelo professor Solano O. Rodrigues e secretariado por Valentim Antônio de Souza. Raimundo, o mais velho, cursava a 4ª série do ginásio (hoje ensino médio) e Antônio a 2ª série. Havia a esperança de que a suspensão do curso seria por pouco tempo o que, infelizmente, não veio a acontecer.

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Ex-deputado Raimundo Bacelar

O Senhor Valentim trabalhou com o Duque a quem se afeiçoou e mais tarde tornou-se sócio de Raimundo na casa comercial. Entretanto a maior contribuição da família foi à política de Coelho Neto cidade da qual foi prefeito. Já o Uiran foi colega de infância dos irmãos mais novos. Trabalhou com Afonso Bacelar na implantação da CEPALMA, enfim, fez parte das grandes transformações industriais e sociais da nossa histórica cidade. Foi gestor municipal, no período pós industrial, época em que tudo era feito com muita paixão e amor transformando um belíssimo sonho em realidade. De volta à terra natal os irmãos trouxeram em sua companhia um grande amigo, principalmente de Raimundo: Valentim Antônio de Souza, o Vaz para sua esposa D. Sinhá. O casal veio acompanhado do filho pequeno Uiran Souza.

Raimundo Emerson Machado Bacelar aproveitou cada momento do seu convívio como pai, trabalhou com afinco em todas as áreas de atividade nas fazendas desde a agricultura, cultivo da terra, até às nuances da pecuária. Recordo-me de uma certa vez em que sofreu uma grave insolação por exposição ao sol, salvando gado isolado na Macaúba por uma das grandes enchentes do rio Parnaíba.

Dedicou-se às máquinas dirigindo os caminhões e fazendo o transporte da produção. Nomeado Promotor ADOC despertou o interesse pelas questões sociais. Em 1950 a convite de Eugênio Barros, então Governador do Estado, voltou à capital como Secretário Particular do chefe do executivo.

Antônio Américo Machado Bacelar, isso mesmo, o velhinho de Afonso Cunha, hoje o patriarca dos irmãos, voltou de São Luís atendendo ao chamamento do pai. Ainda menino (14) apenas iniciando o ginásio, inexperiente e tímido, retornando ao torrão natal não fugiu à luta.

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Antônio Bacelar – ex-prefeito de Afonso Cunha e Coelho Neto

Ombreou-se ao pai e ao irmão não permitindo vácuo nem diferença de efetividade entre os três. Mais arguto preferia o trato direto com os trabalhadores dando conta de várias frentes de trabalho. Com gosto pelo comércio a ele se dedicou.

Antônio também governou nossa cidade e, assim como em todas as suas atividades, sagrou-se um vitorioso.  Esteve ao lado da mãe, D. Maria, até que o José se formasse para substitui-lo. Depois disso aceitou o desafio e, com Raimundo, criou o município de Afonso Cunha do qual foi o mentor e chefe político por várias décadas.  Hoje reside na sua cidade, em paz com todos e a consciência do dever cumprido. Filhos criados (dezenove a todo), muita saúde e disposição.

Aos dois irmãos precursores a minha gratidão, homenagem e respeito.

*Dr. Magno Bacelar é advogado e exerceu os cargos de deputado estadual, deputado federal, senador da república, vice-prefeito de São Luís e prefeito de Coelho Neto.

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