Coluna do Magno: Rádio Difusora – Nasce uma Estrela

Quando o físico e inventor italiano Guglielmo Marconni descobriu o rádio, no final do século XIX, nem ele nem a humanidade poderiam imaginar sua importância para as Comunicações Universais. Iniciando pelo telefone sem fio e sucedâneos:  televisão, controles remotos, celulares, GPS além de tantos outros  que viabilizara   os  voos espaciais e interplanetários. Segundo o filosofo, professor e teórico da comunicação Marshal MacLuhan o mundo se transformou numa aldeia global.

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Logotipo da TV Difusora usado entre 1963 a 1991. A concepção do logotipo (um microfone de rádio e iniciais do nome) era adotada da Rádio Difusora AM

No Maranhão, início dos anos 1950, embora muito recente, a Radio Difusão estagnara, somente constava das estatísticas. Aqui existiam apenas duas emissoras Rádio Ribamar e Radio Timbira, a primeira particular, pertencia a Gerson Tavares a segunda oficial, ao Estado. Os empresários não anunciavam por desconhecer o valor da mídia e pela insignificante   audiência dos veículos. Os ouvintes igualmente as ignoravam por falta de qualidade e profissionalismo na apresentação dos programas levados ao ar. Sem audiência, sem anúncio. Resultado, falência e abandono.

Coincidentemente chegava a São Luís um desconhecido Raimundo Emerson Machado Bacelar, nomeado Secretário Particular do Governador. Perspicaz e inteligente o jovem coelho-netense não se limitou à burocracia do cargo, encarou e venceu os obstáculos que se lhe apresentaram. “Difícil não é governar e sim encontrar pessoas que assumam responsabilidades”. Naquele momento o Governo precisava de alguém para resolver o problema crônico da Radio Timbira. Mesmo sem ser consultado, uma vez designado, Bacelar aceitou o desafio.

Arrojado, o novo Diretor decidiu-se por dar visibilidade à emissora, transferiu os estúdios para a Praça João Lisboa. Na nova sede foi instalado auditório amplo, com porta giratória espelhada, coisa nunca vista em nossa capital. Paralelamente tratou de qualificar os funcionários dando prioridade a locutores e artistas. Foram trazidos astros de prestígio nacional para grandes apresentações à sociedade que, a essa altura, já se envolvera emocionalmente com o sucesso da emissora, discutia e aprovava a nova e vibrante programação.  Restaurada a credibilidade, com ela vieram os anunciantes e a auto sustentabilidade econômica.  Daí para a frente qualquer um poderia gerir a autarquia saneada.

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Magno Bacelar e Afonso Bacelar no início de 1955 em Copacabana-RJ, ano seguinte à morte de Duque Bacelar: ambos dirigiram em tempos distintos a rádio e TV Difusora

Os problemas enfrentados na recuperação da emissora oficial, longe de assustar, serviram de aprendizado, estímulo e inspiração para que Raimundo Bacelar abrisse caminho a grandes feitos. A experiência do executivo aliada à legislativa, foi deputado estadual e presidente da Assembleia, ampliaram o horizonte em que sonhos se transformaram em realidades incontestáveis.

Consciente de que os maranhenses seriam capazes de realizar, tanto quanto cariocas e paulistas, resolveu conferir. Concebeu a ideia de fazer uma emissora moderna que nada ficaria a dever às mais avançadas do pais. Nasciam uma estrela cuja luminosidade ultrapassaria as fronteiras do Brasil: a Rádio Difusora do Maranhão. Não foi tarefa fácil, sacrifícios foram exigidos, obstáculos vencidos. A fé inquebrantável levou Raimundo Bacelar a arriscar, literalmente, abrindo mão do patrimônio e até   de  bens  pessoais vendidos ou hipotecados para viabilizar o inacreditável. O primeiro transmissor foi adquirido pela venda de um automóvel importado, as antenas instaladas em terreno baldio aforado à Prefeitura e, provisoriamente, esticadas nas palmas de palmeiras de babaçu. Arrojo e credibilidade não faltaram. No seu dicionário só existia a palavra vencer desprezando, totalmente, o termo desistir.

A Difusora foi ao AR na data aprazada, 29 de outubro de 1955, excedendo expectativas e enchendo de orgulho a todas às classes sociais. Encurtou distâncias, difundiu educação e cultura, uniu cidades e povoados aproximando-os da capital.  Sob as suas ondas germinaram as sementes dos maiores empreendimentos jamais vistos em nossa querida terra.

Eu, já bacharel em Direito, me projetei para a vida igualmente iluminado pela estrela descoberta por um idealista. Tive a honra de participar do pioneirismo e dos embates para fixá-la, para sempre, na história. Por um tempo esteve sob meus cuidados. Eu passei, os homens passam, enquanto as estrelas continuam brilhando porque são eternas.

*Dr. Magno Bacelar é advogado e exerceu os cargos de deputado estadual, deputado federal, senador da república, vice-prefeito de São Luís e prefeito de Coelho Neto.

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