Coluna do Magno: Políticos e Politiqueiros…

A crise se agrava, as notícias sobre o futuro não são nada alentadoras enquanto o povo, atônito, não sabe a quem recorrer. Os políticos nada fazem senão tentar encobrir o deplorável envolvimento nos escândalos que assolam o país. Mal saímos de uma ditadura e já  estamos a enfrentar desequilíbrios e desilusões de toda ordem. Por ventura o regime democrático é uma farsa e não serve aos interesses do povo? Ou, ainda, não dispomos de homens púbicos dignos e competentes? Não seria uma campanha orquestrada pela mídia para desestabilizar o regime?

A verdade é que estamos vivendo uma crise, sem precedentes. O país está carente de lideranças comprometidas com a causa pública, verdadeiramente idealistas, capazes   de inspirar credibilidade e consolidar as instituições. Os nossos mandatários, de maneira imperdoável, estão confundindo e misturando bem público e privado. Os postulantes aos cargos eletivos não se propõem lutar pela sociedade que lhes delega o mandato; a filosofia não é política e sim da compra de votos para, uma vez eleitos, enriquecer ilicitamente à sombra da imunidade parlamentar e consequente impunidade.

A democracia, para ser exercida em sua plenitude, necessita de partidos fortes com programática definida. Enquanto os nossos partidos proliferavam, em número, iam perdendo em qualidade e identidade. Tornaram-se aglomerados de politiqueiros que emprestam ou alugam suas siglas sem o menor constrangimento ou compromisso. Na maioria das vezes estão unicamente a serviço de interesses escusos.

Ainda na adolescência, quando me iniciava nos meandros da política, observei que os problemas brasileiros já se arrastavam há muito tempo e clamavam por mudanças. Discutia-se a fraude eleitoral capaz de subverter o resultado das eleições. Falta de informação, dificuldade de acesso, precariedade das comunicações e, sobretudo, a ignorância do eleitorado eram responsabilizados pelas falcatruas. Quanto menor, mais pobre e distante o município, maior o eleitorado fantasma. O sistema comandado pelos coronéis estava carcomido pelos vícios. Deputados estaduais sequer faziam campanhas, os federais, quando muito, visitavam os chefes políticos e os senadores nem em retrato. Os protestos das oposições somente podiam ser feitos e ecoavam nas cidades grandes e nas capitais. Foi graças aos avanços nas comunicações, abertura de estradas, ampliação da rede escolar e o acesso às informações que vimos erradicada esta vergonha nacional. Mas, apesar da eleição equivocada, havia mais dignidade e respeito no plenário das duas casas do Congresso.

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O então senador Magno Bacelar ladeado pelos pedetistas Leonel Brizola e Neiva Moreira

 Os poderes político e econômico exercem o mesmo fascínio sobre os homens, contudo são extremamente incompatíveis. Ou se é bom político ou empresário.  Tive a honra de conhecer e até mesmo conviver como lideres honestos. A nível nacional, dentre tantos, Juscelino Kubitschek, Plínio Salgado, Luís Carlos Prestes, Café Filho, Ulysses Guimarães, Leonel Brizola. No Maranhão, Henrique La Roque, Clodomir Milett, Colares Moreira, Pedro Neiva de Santana, Jackson Lago e até mesmo Vitorino Freire que, mesmo não sendo maranhense,  comandou   o nosso Estado. São exemplos de que é possível exercer cargos e governar mantendo a consciência tranquila e as mãos limpas.

Os ventos começaram a mudar quando a eleição passou a ser um negócio com investimentos milionários e retorno incalculáveis. Compromisso, ética, bem comum e questões sociais saíram de pauta substituídos pelo escambo de interesses inconfessáveis. A venda do voto subverte a ordem e libera o comprador. Pior é que alguns se dão ao desplante de dizer aos próprios eleitores que nada lhes devem, nem satisfações. Não estou, longe de mim, pretendendo insinuar que já não existem políticos honestos e comprometidos. Eles estão entre nós que os ignoramos na hora da escolha porque o verdadeiro homem público, o bem intencionado, não utiliza o engodo nem compra consciências.

Escândalos como os de agora sempre existiram, não tão escabrosos; eram pouco divulgados, a Justiça não era acionada, além de não dispor dos mecanismos que a tornam independente para agir. Os meios de comunicação, com raríssimas exceções, estavam sujeitos à manipulação. Se por um lado, no momento, estamos atravessando esta verdadeira tormenta político-econômica, por outro, contamos com instrumentos mais eficazes para supera-la.

Somos partidários das soluções pacíficas mas, virar o jogo, depende somente de nós. Até aqui todas as conquistas se deram lentamente, de maneira quase imperceptível, exigindo grandes sacrifícios, foram   vitórias importantes. Não podemos regredir, temos que continuar avançando. Dispomos de liberdade e cidadania suficientes para fazermos a verdadeira revolução em prol da EDUCAÇÃO. Uma vez capacitados extirparemos os politiqueiros e todas as mazelas deles decorrentes. Povo educado deixará de ser mero espectador para ser artífice na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Seja um incentivador intransigente da educação de seus filhos!. Participe sem a pretensão de impor ou ensinar, mas com sábia humildade de querer aprender com eles.

*Dr. Magno Bacelar é advogado e exerceu os cargos de deputado estadual, deputado federal, senador da república, vice-prefeito de São Luís e prefeito de Coelho Neto.

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