Coluna do Magno: O retorno de José Bacelar

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José Bacelar

Após concluir o curso de Engenheiro Agrônomo na Universidade Federal do Rio de Janeiro no ano de 1960, José Jackson se demite do emprego no IAPC, casa-se com Maria Marlene Mattos e regressa a Coelho Neto conforme planejado. Inicialmente instalou-se na casa grande do Itapirema para residirem em companhia de dona Maria.

Antônio Bacelar, próspero comerciante e empresário residia na cidade de Coelho Neto e, desde o falecimento do Duque, quando necessário, prestava apoio e assistência a D. Maria que se manteve na fazenda e quase nunca dali se afastava. Sempre de comum acordo, em consonância com a mãe, os dois irmãos mais velhos se completavam na representação política. Enquanto Antônio, de espírito municipalista, se  identificava com os problemas locais, chegou a se eleger prefeito por dois mandatos, manteve unida a base de sustentação do grupo político, Raimundo, já deputado estadual e detentor de forte liderança regional, tratava dos interesses de nossa terra a nível estadual e federal.

A chegada do primeiro doutor não causou incidentes nem disputa de poderes. Antônio continuou cuidando dos seus negócios e conduzindo os assuntos políticos do município e José tornou-se um técnico cuja trajetória foi concebida com muita antecedência. Quando do desaparecimento do pai, toda a família já sabia que a especialização dele, como a dos irmãos, seria fundamental para a concretização dos projetos concebidos por nossos pais. Dispúnhamos de terras férteis que se tornavam improdutivas por falta de recursos técnicos e mão de obra qualificada.

O caboclo nativo se acomodara ao primitivismo rudimentar da agricultura, contava com a pesca e a caça além da mulher para quebrar o coco babaçu. Não tinha nenhuma instrução e, consequentemente, ambição por melhores condições de vida, sua produtividade era mais que insignificante e sem nenhuma qualidade para competir no mercado de alimentos. Em verdade praticava-se uma agricultura de subsistência. Por todas estas razões entenderam, nossos antecessores, que se fazia necessário avançar através do investimento na educação. Não mediram sacrifícios para especializar os filhos e, utilizando seus conhecimentos, importar novas técnicas competitivas e eficientes. Grandes empreendimentos e indústrias somente seriam viáveis se conseguíssemos, primeiro, elevar o nível de vida e melhor qualificação da mão de obra local.

José assumiu a tarefa que lhe fora destinada e que precisava ser iniciada desde os mais elementares rudimentos. A agricultura deveria dar um salto de qualidade, do primitivismo para a mecanização sofisticada da utilização de insumos e irrigação. Introduziu a seleção de sementes, a terraplenagem, a curva de nível e a técnica do enxerto na fruticultura. Enquanto isso se passava nos campos, a sua esposa Marlene formada em Filosofia se juntava a outras professoras, igualmente capacitadas, num esforço para modernizar as técnicas de ensino no Grupo Escolar da cidade.

Foram adquiridas grades, arados tratores e outras máquinas não só para melhorar a produtividade das culturas tradicionais mas, sobretudo introduzir em larga escala, a cultura da cana para industrialização de açúcar e álcool. Começavam a germinar as sementes cujos frutos seriam as indústrias que modificariam os destinos de nossa região.

Para sensibilizar e convencer, não só os moradores das terras de propriedade da família, foram realizadas várias reuniões das quais participaram todos aqueles que se dedicavam ao cultivo da terra. Primordialmente não desejávamos empreendimentos para a família Bacelar e sim que melhorassem a qualidade de vida de todos os coelhonetenses. Concebeu-se a criação de uma cooperativa da qual todos poderiam participar integralizando suas quotas através do fornecimento de matéria prima a Usina.  A verdadeira socialização ou reforma agrária se daria pacificamente pelo trabalho e produtividade comunitária.

A Usina foi instalada, inaugurada e com rentabilidade superior à da média alcançada no Nordeste. Quem viveu assistiu e comprovou a repercussão nacional do fato histórico.

*Dr. Magno Bacelar é advogado e exerceu os cargos de deputado estadual, deputado federal, senador da república, vice-prefeito de São Luís e prefeito de Coelho Neto.

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