Coluna do Magno: O Luar dos Sonhos

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Magno Bacelar nos tempos de colegial aos 16 anos de idade

Estávamos chegando ao fim da etapa São Luís de 1947 a 1954, período de sonhos, medos, experiências e embasamento para o futuro. Depois de havermos sido hóspedes de várias famílias e internatos, nos últimos três anos moramos com o Raimundo, solteiro à época, e fazíamos as refeições na casa do Professor Luís Aranha homem de bem, excelente caráter a quem muito devemos. Eu havia concluído o ginásio no Liceu Maranhense, equivalente ao ensino fundamental de hoje. As próximas etapas a vencer seriam o curso clássico e o vestibular. Embora pomposo o clássico nada mais era do que o ensino médio com duas opções: cientifico e clássico, este último para quem pretendia cursos humanísticos. Eu jamais tivera dúvidas da minha vocação para o Direito.

Quando crianças brincando no bagaço do Itapirema em noite de lua cheia, o meu irmão Bernardo saiu-se com esse primor de verso: “Lua, luar está aqui e está no Rio de Janeiro”. A poesia passou longe, entretanto a citação indicava quão remota em nossas mentes infantis, estava a cidade maravilhosa e ressaltava a imensidão do luar capaz de alcançá-la.

O tempo se encarregara de diluir as lembranças, sonhos e também os pesadelos vividos na primeira viagem a São Luís. Agora a distância era bem maior, em contrapartida maturidade e auto- confiança minimizavam as incertezas dos próximos passos no Rio de Janeiro.

Três dos irmãos nos haviam antecedido: Maria Liz, a precursora, fora interna no Colégio Sacré Coeur onde conheceu Maria da Penha de quem se tornou hóspede e juntas se preparavam para o vestibular de medicina. José Jackson, aprovado no vestibular, cursava agronomia na Escola Nacional de Agronomia – ENA, situada no quilometro 47, Estado do Rio. Ainda por intermédio de Liz o casal Pautila e Mario Mattos, pais de Maria da Penha, acolheu fraternalmente a mais nova das irmãs Maria Flori Bacelar.

A continuidade dos estudos dos filhos sempre nos melhores centros havia sido cuidadosamente planejada por Duque. Assim é que, na Capital da República (o Rio de Janeiro) fomos residir em apartamento próprio adquirido através de uma apólice de seguro de vida e de cuja escritura constava uma cláusula determinante e irrevogável:  o imóvel não poderia ser vendido, hipotecado, ou alugado. Somente os herdeiros “estudantes” poderiam usufrui-lo até que todos se formassem.

A montagem da casa eliminou o problema de alojamento. Antes dispersos em casa de um e outro, agora constituiríamos um único núcleo. O AP da Rua General Glicério simbolizava o LAR, o baluarte da família em terras distantes.

Os remanescentes no Maranhão que eram Luís, Bernardo, Magno e Afonso, seriam transferidos no início do ano letivo de 1955. Por se tratar de   verdadeira mudança os preparativos começaram simultaneamente com as férias que foram cheias de conjecturas e especulações. “O bom da festa é esperar por ela”. Os detalhes da viagem, merecem um capítulo à parte a ser detalhado em breve.

*Dr. Magno Bacelar é advogado e exerceu os cargos de deputado estadual, deputado federal, senador da república, vice-prefeito de São Luís e prefeito de Coelho Neto.

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