Coluna do Magno: O lendário mês de agosto…

O país está atravessando uma grande turbulência política e econômica. Não é a primeira e talvez não seja a última. Parece ser uma triste sina dos países subdesenvolvidos.  O fim da Guerra Fria, em que se discutia a supremacia entre o capitalismo e o comunismo, provou que nesta disputa não houve vencedores, ambos os regimes faliram. Disseminou-se, então, uma crise financeira mundial da qual estão emergindo os povos que buscaram, e adotaram, políticas mais modernas e objetivas.

Os efeitos da instabilidade demoraram a chegar até nós mas, agora, agravada por problemas internos, nos atingem de forma avassaladora. Os governantes e a classe política não souberam aproveitar o tempo para elaborar projetos de curto e longo prazos para atravessar a tormenta que se avizinhava. Inebriados pelas benesses do poder, da corrupção e falta de ética desejavam, apenas, a perpetuação  no poder. Cometeram erros tenebrosos dos quais o mais terrível foi a institucionalização da corrupção que minou a ética, corroeu os bons propósitos e levou a classe política ao mais aviltante descrédito.

Pressionado por uma crise institucional e pelas forças armadas o presidente Getúlio Vargas cometera suicídio em agosto de 1954. A causa era política, orquestrada pelo deputado Carlos Lacerda, excelente tribuno, que envolvera o major da aeronáutica Rubens Vaz, tirando proveito de sua morte para incendiar o orgulho dos militares. O que houve, de fato foi uma revanche, uma quartelada. Políticos, representados por Lacerda, ao contrário de hoje, estavam imunes aos escândalos. O Rio, então capital da República, ainda respirava os efeitos da comoção causada pelo fato, quando ali cheguei em maço de 1955.

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Inaugurado em 1926, o Palácio Tiradentes foi sede da Câmara dos Deputados até 1960

Apaixonado por história, debates e oratória, já despertando o interesse pela política, passei a frequentar o Palácio Tiradentes sede da Câmara dos Deputados. Foram tardes memoráveis, tive o privilégio de assistir a grandes debates e ouvir os melhores oradores da casa, dentre eles Afonso Arinos, Aliomar Baleiro, Viera de Melo, o maranhense Pedro Braga, Carlos Lacerda e tantos outros de igual cultura e estirpe. Já se propalava que AGOSTO era o mês das catástrofes, não só no Brasil mas no mundo todo e citavam-se exemplos: Bomba Atômica que lançada em Hiroshima causou o maior  número de mortes da história; suicídio do presidente Getúlio; renúncia do presidente Jânio Quadros; morte do presidente Juscelino Kubtchek, até hoje não esclarecido se acidente ou assassinato. A lista era infindável mas, até hoje, não se justifica.

No momento o Brasil é um “barco à deriva,” sem comando, navegando em mar de escândalos. A Presidente, que hoje visita o nosso Estado, sem a menor condição moral para governar tenta negociar com políticos indiciados por crimes, negociatas e desmandos de toda ordem. Ela própria e o vice ameaçados de perda de mandato por crime eleitoral. Os presidentes da Câmara e do Senado envolvidos em falcatruas com o dinheiro público. Desesperados estão todos blefando em busca de saídas para escapar da justiça. Se a linha sucessória está tão comprometida o povo se questiona: qual a solução? A quem recorrer?

O caos econômico não é menos caótico. Cada pauta bomba, votada na Câmara, atenta contra os interesses nacionais.  Urge uma coalisão suprapartidária para dar sustentação às medidas drásticas e corajosas a serem adotadas. Os senhores parlamentares têm consciência de que sem o Congresso ninguém   governa mas, acima de tudo, devem reconhecer que a instituição não é moeda de troca.

A justiça está cumprindo sua parte, compete à população a vigilância e compromisso solidário para com a pátria. Se assim o fizermos não teremos que temer AGOSTO, um mês igual a todos os outros.

Não há saída fora da Constituição.

*Dr. Magno Bacelar é advogado e exerceu os cargos de deputado estadual, deputado federal, senador da república, vice-prefeito de São Luís e prefeito de Coelho Neto.

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