Coluna do Magno: Início em São Luís, casa da irmã e traquinagens da infância…

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Magno Bacelar além do Marista, estudou no Liceu Maranhense (foto)

Aquela viagem, a primeira dos meus nove anos, terminou na “estação do trem” de onde fomos levados para a casa de Dalva, irmã mais velha, onde ficamos hospedados enquanto eram providenciadas matrículas, fardamenta e enxoval para o internato no Colégio Maristas. De cunho religioso um dos mais tradicionais estabelecimentos de ensino do país e, no Maranhão, responsável direto pela formação de gerações principalmente os oriundos do interior do Estado.

Dalva havia sido prefeita de Coelho Neto e agora exercia o mandato de Deputada Estadual Constituinte, recém-casada com Luís Paulo de Moraes Vilaça, morava à rua das Hortas no centro da cidade, onde nos acolheu de braços abertos e com muita festa. Eleita para a Assembléia Constituinte de 1946, era exceção dentre os parlamentares, todos homens, quando a mulher iniciava os primeiros passos na política e rumo as grandes conquistas no cenário moderno. Dalva obstinada e brilhante se destacou no Maranhão e, também, a nível Nacional. Foi recebida pelo presidente da República General Eurico Gaspar Dutra do qual recebeu de presente um lindo revólver calibre 22. Um mimo para simbolizar o carinho com que era recebida.

O Governador do Maranhão, Senhor Sebastião Archer empresário e industrial de Codó,  enfrentava uma forte oposição na Assembléia onde a base de sustentação de seu governo era representada por maioria insignificante, às vezes a diferença era de apenas um deputado, exigindo  o empenho pessoal do Governador para o sucesso das negociações.  Eram comuns as visitas do chefe do executivo às residências dos parlamentares.

Chegamos à casa da Dalva coincidentemente às vésperas de uma recepção ao chefe do executivo. Providencias eram tomadas para o êxito da visita. Além do cardápio, paredes e portas eram pintadas, piso encerado e tudo mais. Ocorre que eu estava muito impressionado com a assinatura do meu irmão José Jackson Bacelar que assinava com os dois jotas entrelaçados. A casa já estava brilhando para o evento no dia seguinte, não resisti peguei um carvão e pus mãos à obra imitando e aprimorando a assinatura do José, não poupei espaço, no chão, nas paredes, nas portas, estava lá o JJBacelar em carvão. Alguém viu o desastre e denunciou, Dalva colocou todos em fila e mandou mostrar as mãos erguendo-as eu, é claro, só levantava a mão esquerda. Não escapei do flagrante, mas a festa aconteceu sem maiores problemas, desfizeram a minha obra a tempo.

Devo ter aprontado outras tantas, enquanto hóspede de minha querida irmã, mas as assinaturas apressaram, em muito, a transferência para o internato que era dividido em dois seguimentos, maior e menor levando-se em conta a idade dos alunos. Assim é que o José ficou no internato maior, enquanto Luís, Bernardo e eu fomos para o menor. O número de internos era de cento e cinquenta alunos sendo mais frequentado o maior. Eu era o mais novo dentre todos.

Do Maristas, após prestar exame de admissão, fomos sendo transferidos para o Liceu Maranhense, colégio estadual de muito conceito e eficiência, ali cursei o antigo ginásio e presto homenagens aos professores a quem muito devo. Muitos anos mais tarde, 1971, como Secretário de Educação do Estado tive oportunidade de participar da administração do Liceu nomeando professores e diretores melhorando os salários e implantando o Estatuto do Magistério, implantei, ainda, o segundo colégio de nível médio da Capital “o Gonçalves Dias”.

*Dr. Magno Bacelar é advogado e exerceu os cargos de deputado estadual, deputado federal, senador da república, vice-prefeito de São Luís e prefeito de Coelho Neto.

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