Coluna do Magno: Equílibrio e Temperança

equilibrio

Por princípio e temperamento sempre fui avesso aos extremos, ao exibicionismo, à intolerância, aos gritos, blasfêmias e tudo que possa gerar escândalos. Enquanto político submetido ao julgamento popular havia sempre, em meus pronunciamentos, uma palavra clamando pela paz e preservação da família. Advertia   meus ouvintes para que não se deixassem envolver pelas paixões a ponto de se indispor com os vizinhos, amigos ou parentes.

Na maioria das vezes o que ouvimos nos palanques ou na mídia é falso, demagógico e promessas vãs. A política é extremamente mutante, característica também do ser humano, nossos “líderes” sequer precisam de motivos para mudar de ideologia partidária, seguem apenas conveniências pessoais. As eleições passam, candidatos eleitos ou derrotados desaparecem e nós continuamos a viver, como antes em nossa comunidade, dependendo e socorrendo uns aos outros.

Se aproxima uma nova disputa de caráter eminentemente municipal, vamos eleger prefeitos e vereadores, teremos oportunidade de debater os problemas de nossa cidade. Ouviremos propostas dos candidatos e analisaremos seus projetos. O julgamento é impessoal, a democracia só se justifica tendo por propósito o bem comum. Não estará em debate a vida íntima dos candidatos e sim a viabilidade das propostas que nos apresentam. Verificaremos se são demagógicas, o fato de já termos sido vítimas do engodo e da mentira nos torna aptos para um julgamento racional e justo.

É natural que abracemos uma ou outra candidatura e passemos a  defendê-la com argumentos persuasivos. Insultos e ofensas contra os demais concorrentes e seus correligionários não melhoram, em nada, o conceito daqueles a quem defendemos. Quem tem argumentos e acredita na causa não recorre à blasfêmia. Tão pouco precisamos difamar alguém para justificar nossas atitudes ou mudança de propósitos. Devemos estar em paz com a nossa consciência, afinal lutamos para defender a liberdade e a cidadania.

Argumentos e preocupações podem parecer prematuros, aqueles que estão acompanhando o dia – a – dia das conversas nas ruas ou nas redes sociais, sabem que a advertência é oportuna.  Os mais antigos costumavam dizer: “Se grita pelo Santo é antes da cobra morder”.

Reconheçamos que o embate político se restringe ao campo ideológico e se legitima em defesa do bem comum. É uma luta de amor à terra e à família e não uma guerra de ódio contra aqueles que não concordam conosco. Enxovalhar oponentes não nos torna imaculados, muito pelo contrário, nos tira credibilidade e desautoriza os preceitos que propalamos. “Quem perde a razão perde a questão”. Já tem gente extrapolando por absoluta falta de argumentos.

Cristo jamais pregou o ódio e a violência, no entanto fundou uma religião que vem se perpetuando por mais de 2.000 anos. Gandhi libertou a Índia pregando a paz. Nelson Mandela erradicou o Apartheid da África sem derramamento de sangue. Assim foi com Martin Luther King, líder dos direitos civis nos Estados Unidos da América do Norte. No Brasil, Tiradentes foi o nosso mártir precursor da Independência do Brasil. Todos eles foram vítimas de violência por parte daqueles a quem suas ações pacifistas derrotaram.

Violência não gera direitos, gera violência.  O esteio da Democracia é a cidadania e a arma da liberdade é o voto. De quatro em quatro anos temos a oportunidade de decidir sobre o futuro de uma cidade, Estado ou Nação. Não é aconselhável perder tempo tentando semear o ódio ou espalhando boatos e intrigas. A violência verbal fere mais que a física porque atinge o que há de mais sagrado – a família.

Não estou tentando dissuadir as pessoas de participar do processo, pelo contrário, desejo conclamar a todos para que não fujam à luta. Não seremos perdoados por haver ficado alheios ao destino da sociedade em que vivemos. Mil vezes o erro da participação do que a covardia da omissão. Abomino, com todas as forças que me restam a traição, a tocaia e o debate chulo. Conclamo a todos os homens, mulheres e crianças a se engajarem na luta, em defesa daquilo em que acreditam.

Todas as lideranças pacifistas, que tive a ousadia de citar, tiveram como objetivo maior a IGUALDADE a LIBERDADE e o AMOR AO PRÓXIMO.

É com este espírito que iremos às urnas em 2016.

*Dr. Magno Bacelar é advogado e exerceu os cargos de deputado estadual, deputado federal, senador da república, vice-prefeito de São Luís e prefeito de Coelho Neto.

One thought on “Coluna do Magno: Equílibrio e Temperança

  1. Exatamente! Foi com esse espírito que me tornei fã, defensor, e amigo deste grande homem. Tenho orgulho de chamá-lo de amigo. Vou compartilhar para que mais gente tenha acesso a este apelo.

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