Coluna do Magno: Emboscada a Duque Bacelar…

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Duque Bacelar

No ITAPIREMA a vida transcorria dentro da normalidade costumeira, o trabalho árduo transformava-se em progresso. A natureza pródiga em chuva, sol e terras férteis, fazia florescer os campos ondulados pela brisa suave da transformação. A exemplo de anos anteriores, a safra agrícola de 1948/49 foi de muita fartura para todos. Aliás, àquela época, em Coelho Neto, não se via mendigo nas ruas nem existiam pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza.

A sanha dos adversários, entretanto, não dava trégua. Fracos e invejosos tramavam contra aquele que ousava e evoluía. Preguiçosos e acomodados à mesmice dedicavam-se a exploração dos trabalhadores do campo e da cidade; além de comerciantes perdulários intitulavam-se, ainda, chefes políticos. A conspiração levou-os a contratar um pistoleiro de aluguel. Para os retrógrados tudo que significa mudança amedronta e assusta.

O nome e a influência ultrapassaram as fronteiras do município e do Maranhão. Assim é que, no início do segundo trimestre de 1949 explodiu a notícia divulgada em todos os jornais e rádios do Maranhão e Piauí. As manchetes confusas e contraditórias:  “Emboscada contra Duque “, “Baleado Duque Bacelar,” “Duque entre a vida e a morte”, “Pistoleiro embosca Duque Bacelar” e outras tantas, se não nestes termos, em equivalentes…

Naquela manhã, por volta das nove horas, Duque saíra de casa com destino a Coelho Neto fato que fazia parte de sua rotina diária.  Muito próximo à cidade, ao iniciar a descida de uma ladeira íngreme, foi vítima de um disparo.   O impacto do projetil, rifle calibre 44, foi tão forte que esfacelou o braço direito e fez com que o animal, espantado, disparasse retrocedendo ao ITAPIREMA. Num ato reflexo Duque ainda sacou o revolver que caiu por lhe faltar firmeza na mão. Logo adiante foi o cavalheiro quem tombou descordado, enquanto a montaria continuou até a casa grande da fazenda. O fato despertou a atenção de familiares e colaboradores que partiram às pressas para saber o que acontecera e prestar socorro.

O fato de não haver médico residente na cidade e, diante da gravidade do ferimento, fez com que fosse convocada uma equipe médica de Teresina-PI. Ainda não dispúnhamos de pista de pouso, era inverno, as estradas intransitáveis, o rio Parnaíba embora transbordando foi a única alternativa para a vinda de médicos e paramédicos a Coelho Neto. Chegaram somente a noite mas à tempo de salvar o paciente que, graças à boa saúde e robustez física, resistiu à perda de sangue. Posteriormente transferido para hospital na capital piauiense, foi no Rio de Janeiro, Hospital dos Servidores, onde fez um enxerto com ossos da perna, que alcançou a cura definitiva.

Posteriormente um inquérito policial chegou aos mandantes e ao criminoso. Dentre os primeiros existiam parentes indiretos, para evitar constrangimentos e traumas, Duque não deu prosseguimento ao processo contudo, sem condições de sobreviver à vergonha pelo crime abominável, mudaram-se de Coelho Neto. O pistoleiro, Antônio Bastos, evadiu-se sem que jamais se tivesse notícias do seu paradeiro.

A vida voltou ao seu trilho, Duque continuo a escalada de progresso e semeando sonhos. “As maiores realizações da humanidade tem início nos sonhos.”

*Dr. Magno Bacelar é advogado e exerceu os cargos de deputado estadual, deputado federal, senador da república, vice-prefeito de São Luís e prefeito de Coelho Neto.

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