Coluna do Magno: É Natal…

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O Natal me remete à infância no ITAPIREMA, a um tempo em que o Papai Noel dos presentes ainda não era conhecido por aquelas bandas. Quando se comemorava o nascimento do Salvador com um ato religioso, simbolizado por um presépio humilde no qual estavam presentes alguns animais, os três Reis Magos, José e Maria e a manjedoura na qual se agasalhava o menino Jesus. Não havia, até então, a árvore ornamental sob a qual hoje se colocam os presentes. As oferendas dos Magos eram ouro, incenso e mirra que portavam nas mãos. Com o tempo a liturgia cristã incorporou influências externas do mercantilismo e da mídia que desfiguraram, consideravelmente, as honrarias alusivas ao nascimento do Messias.

Herdamos dos nossos colonizadores portugueses o costume de a  25 de dezembro comemorar o nascimento de Cristo, o dia 31 para a despedida do ano velho e recepção do ano novo e, finalmente, o dia 6 de janeiro, dia de Reis  reconhecimento da soberania  espiritual do Messias sobre toda a humanidade. Não havia o costume ou obrigação de presentear as pessoas.  Os nativos de Coelho Neto, assim como eu, usavam a expressão “Minhas festas, meus anos e meus reis” como saudação natalina e maneira ingênua de pedir presentes a parentes e amigos.

Na realidade o mais forte dos sentimentos cristãos estava reservado para a Semana Santa, os chamados Dias Grandes. Tempo de resguardo absoluto pelo sofrimento e morte de Cristo. Um sentimento tão arraigado que levava as famílias ao sacrifício do jejum e a outros flagelos. Na quinta e sexta-feira, os dias da paixão, guardava-se silencio absoluto. Nem mesmo as crianças escapavam a comoção que envolvia a todos. No decorrer de toda a semana ninguém podia ser castigado, uma gloria para a meninada que desfrutava da imunidade até o sábado de aleluia. Dos costumes ainda faziam parte: a troca do jejum entre as famílias (verduras, frutas, bolos e doces), a libertação dos animais em cativeiro, abstinência de carne, apenas o peixe era permitido. Durante quarenta dias, duração da quaresma, as imagens dos Santos permaneciam cobertas por tecidos escuros ou lilás.

Há que considerar-se que o Natal simboliza o nascimento, o alvorecer a luz e a salvação. É a congregação da família em torno da Fé. Com este sentimento devemos refletir sobre os caminhos pelos quais desejamos seguir no futuro. Vivemos um momento crucial para a humanidade. Precisamos tomar consciência de que a própria subsistência no planeta terra está sob ameaça. A poluição causada pelo desenvolvimento destrói o meio ambiente propício a vida. Por outro lado, a violência é avassaladora em todos os continentes. No Oriente Médio famílias estão abandonando as suas próprias casas. O terrorismo prolifera em todos os continentes. Não é o Estado Islâmico o único responsável pelas barbáries que afligem a humanidade. O tráfico e o consumo descontrolado de drogas é produto da ambição desmedida do próprio homem. Os óbitos por assassinatos, pelo transito e drogas, no Brasil, chegam a números próximos ou superiores aos de uma guerra.

Acompanhamos, há pouco, a conferência mundial sobre meio ambiente. Líderes de mais de 150 países, buscaram medidas para a preservação da natureza. Surgiram esperanças e o mundo festejou o feito como uma grande conquista. Devemos ter consciência de que preservar a vida é dever de todos nós. Em nenhum momento foram tão oportunos a união, o debate e o compromisso.

Natal, tempo de fé, com ela volto à pureza da infância e a singeleza dos costumes provincianos para desejar, como numa prece, que as nossas festas sejam de muito amor e paz;  o nosso ano  de sucesso e realizações e o nosso Reis testemunha de confiança no futuro e no reencontro do Brasil com  seu verdadeiro destino.

*Dr. Magno Bacelar é advogado e exerceu os cargos de deputado estadual, deputado federal, senador da república, vice-prefeito de São Luís e prefeito de Coelho Neto.

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