Coluna do Magno: Dia do Médico

Nada mais meritório do que um dia especialmente criado para homenagear homens e mulheres que se dedicam a cuidar da saúde de todos nós. Pelo próprio juramento, um dos mais belos, os médicos se comprometem, perante Deus e as Leis, a socorrer quem deles esteja necessitando.  É um compromisso com a vida. Os   discípulos de Hipócrates  nos trazem à luz e nos acompanham, pela vida afora, procurando  manter a nossa saúde perfeita e, quando isto já não é possível, minorar o sofrimento.

O médico é importante porque a sua profissão se realiza na busca pela saúde e pela vida. A sua presença é fundamental para que se alcance melhor qualidade de vida. Uma das mazelas do nosso país é a carência destes profissionais em todos os níveis. Ainda existem municípios que são apenas visitados pelos contratados do PSF e outros programas. E isso não é privilegio das regiões mais distantes e subdesenvolvidas, nos grandes centros do sul e sudeste o número deles também é insuficiente. Dificilmente alguém se forma em medicina para ir clinicar nas pequenas cidades, preferem disfrutar as mordomias da metrópole onde é maior a oferta de trabalho.

No interior a clientela particular é muito pobre para custear honorários dignos, enquanto o poder municipal não encontra, nos gestores, apoio e compreensão para a importância da saúde pública. Como o tema “saúde” é muito bom para discursos e promessas de campanha mas não gera grandes saques da corrupção todos preferem abandoná-la alegando falta de recursos. Se pagar bons salários aos profissionais da medicina não produz dividendos financeiros nem espaço para as placas demagógicas, então, é melhor abandoná-los à própria sorte se deslocando de um município a outro tentando uma complementação salarial. Os médicos, no Brasil da Dilma, passam mais tempo dentro de veículos, em deslocamentos, do que consultando a população. Todas as esferas de governo alegam falta de recursos, e não é de agora, já criaram imposto (lembram a CPMF), a unificação dos recursos com o SUS, médicos cubanos e outras balelas infrutíferas.

Quando os herdeiros de Duque Bacelar começaram a se formar e a regressar cheios de sonhos e projetos, traziam também na bagagem duas preocupações: a educação e a saúde dos seus conterrâneos. Dentre os primeiros atos destaque-se a criação da Fundação de Saúde e a Fundação Educacional. Nenhum dos irmãos formou-se em medicina mas foram construídos e instalados dois hospitais, melhor equipados que muitos da capital. Foram recrutadas equipes competentes, médicos verdadeiramente vocacionados e dispostos a enfrentar desafios e sacrifícios do interior.

Hospital Ivan Ruy
Hospital Ivan Ruy na década de 80: mantido pela Fundação de Saúde e Assistência de Coelho Neto e instituido pelo Prefeito Afonso Augusto Duque Bacelar

Em Coelho Neto foram realizadas intervenções que ainda não se faziam em São Luís. Seria necessário me delongar muito para enumerar quantos especialistas prestaram serviços no Hospital Marly Sarney e, posteriormente, no Ivan Ruy. Mencionarei alguns dos pioneiros que aqui fixaram residência e permaneceram são eles: Dr. Benedito Duarte que chegou a ser Prefeito e Deputado Estadual, Dra. Gemma igualmente foi vereadora, Dra. Diana e Dr. Luís Gregório, ontem falecido.

IMG_5403

Luís Gregório, o nosso Doutor Luís, trabalhou em medicina desde o dia em que chegou. Não gozou férias e não teve tempo para a própria família. Aqui criou os filhos mas a prioridade foi sempre o povo pobre de nossa terra. Não procurou emprego em outras plagas porque o seu destino, já estava escrito, era Coelho Neto.  Sobreviveu a vários administradores, não fez fortuna porque na sua filosofia a medicina não era um negócio.

Ao retornar, em 2004, pouco antes de me candidatar a Prefeito, fui procurado por um colega de infância o Santos Izidio, (caboclo do ITAPIREMA e discípulo do João Aleixo), cuja saúde inspirava cuidados médicos. Levei-o ao consultório de Dr. Luís pedindo-lhe que cuidasse do meu doente. O Santos se recuperou e voltei para pagar o tratamento, surpreendi-me com a resposta: – “o senhor não me deve nada”. Mas doutor, quis argumentar, ele fulminou o assunto dizendo – “aprendi com os senhores que ajudar a quem necessita é um dever”. Coelho Neto me ensinou muito, mesmo depois de velho, e esta foi mais uma bela lição.

O impacto da notícia do falecimento trouxe também aos meus ouvidos o eco de comentários gratificantes como:  cuidou dos meus filhos desde o nascimento; acompanhou as cesarianas da minha mulher e tantos outros. Podemos nos questionar – quantas crianças o Doutor Luís trouxe à luz? – Quantas dores amenizou? – Quantas vidas salvou nestes, mais de cinquenta anos de pura dedicação?

Nos últimos tempos, mesmo com a saúde debilitada e quase cego, Dr. Luís continuou trabalhando diuturnamente. Morreu como viveu, TRABALHANDO, com dignidade e honradez.

DEUS nos indicou o reconhecimento, chamou Dr. Luís para o seu lado ontem, justamente no Dia do Médico. Preservaremos sua memória com agradecimentos, saudades sinceras e imorredouras.

*Dr. Magno Bacelar é advogado e exerceu os cargos de deputado estadual, deputado federal, senador da república, vice-prefeito de São Luís e prefeito de Coelho Neto.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *