Coluna do Magno: Choque cultural

Sempre que se introduz algo de novo, inovador, revolucionário ou simples quebra de tradições e rotinas está produzindo um choque cultural que pode ser de maior ou menor impacto. Hoje, com a gama de informações trazidas pela mídia e empurrada de goela abaixo, é mais difícil identificar este fenômeno mas ele ainda insiste em perdurar.

Durante toda a Idade Média, e antes disso, as populações viveram isoladas em povoados, vilas e cidades estanques. Somente os viajantes, e eram bem poucos, traziam as novidades de outros povos; transportavam mercadorias, jornais e outros impressos propagadores e veículos de divulgação. Com o advento do rádio, final do século XIX, as distâncias começaram a encurtar e foram mais e mais com o advento dos satélites, fibras óticas, internet chegando à comunicação simultânea e em tempo real em nossos dias. Hoje o limite às interagir com o mundo está no subdesenvolvimento e pobreza do povo e não é mais uma questão técnica.

O ser humano tem uma tendência inata a imitar ou copiar tudo aquilo que é novo e lhe causa impacto. É o que ocorre com o modismo e o aculturamento irresponsável. Aleatoriamente, e fugindo ao nosso controle satélites, antenas parabólicas e repetidoras de televisão invadem diariamente nossos lares, introduzindo programação descompromissada com a ética e os bons costumes influenciando, negativamente, na formação moral da juventude. Onde há deficiências de escolas ou elas, sequer existem, a antena ali está presente ao lado da casa ou casebre. Sedentos de   conhecimentos e diversão os jovens absorvem modismos que chocam até mesmo os mais liberais e   evoluídos intelectuais.

Jamais tive tendências ou admiti qualquer tipo de censura mas, diante da barbárie que assola o mundo atual, e o Brasil é um dos países mais violentos, seria de bom alvitre uma revisão mais cuidadosa das notícias veiculadas por toda a mídia. Hoje a prioridade é para drogas, crimes e violência. A brutalidade não pode atrair amenidade, falemos de paz, dos bons exemplos, de harmonia e de amor. Nesta linha o Papa Francisco (foto) deve ter mais espaço, ser mais noticiado pois, ninguém, está mais empenhado na busca por um mundo mais fraterno. Francisco deve ser o caminho que Deus nos está indicando.

papa

Coelho Neto foi palco de choque de culturas. Quando ainda era uma cidade bucólica, pequena e isolada, onde todos se conheciam e eram saudados pelo nome de batismo, foi invadida por tecnologia industrial e introdução de culturas inovadoras. Para implantar o progresso vieram os técnicos oriundos do sul do país e, muitos deles, até mesmo do exterior.  O caboclo dos Quiabos, do Baluarte, do Cafundó, das Piranhas, do Monte Alegre e tantos outros povoados ainda mais longínquos passou a trabalhar, ombro a ombro, com esta gente. Paralelamente os introdutores do modernismo não esqueceram de recrutar professores, equipar as escolas, introduzir merenda e ônibus escolares. O avanço não se deu somente no aprendizado, incluiu a qualidade de vida dos habitantes e trabalhadores com a construção de residências, melhoria das estradas e construção de Hospitais. Em nossa terra o choque foi um grito de alerta para a vida, o povo acordou, saiu da inércia, aprendeu, criou ambição e esperança. A oferta de emprego e a expectativa de um futuro promissor trouxeram a migração positiva com a afluência de trabalhadores de todo o Brasil, principalmente do Nordeste, que aqui se mesclaram conosco dando origem a  uma miscigenação salutar em todos os sentidos.

Estamos, neste feriado prolongado, comemorando datas significativas e emblemáticas para todos nós. O dia da padroeira do país Senhora Aparecida, o dia das crianças e, ainda, o dia dos professores. Uma trilogia que nos deveria remeter a uma profunda reflexão sobre o futuro. A padroeira simbolizando a fé que precisamos ter para vencer os desafios de cada instante. As crianças representam a preocupação com o amanhã e, finalmente os professores que, juntamente conosco (a família), poderão ser os guias a encontrar os verdadeiros destinos da humanidade.

Iniciei a nossa conversa tratando dos perigos que nos cercam, da tecnologia utilizada de forma descontrolada nas comunicações. Do impacto da manipulação intencional sobre os aculturados. Citei Coelho Neto como beneficiário da evolução repentina nos anos 50, mas é preciso considerar os cuidados que cercaram todos os procedimentos além de que ali os fatos foram reais, conduzidos por homens que assumiram pessoalmente as responsabilidades. No exemplo detalhado houve muita ação e audácia enquanto o que nos preocupa agora é a inércia a omissão. Estamos no vácuo da responsabilidade.

Enquanto o rádio, a televisão, a internet, o celular e o whatsapp ocupam as mentes dos nossos filhos tornando-os obcecados, nós, os pais, estamos ausentes preocupados com assuntos materiais e secundários. Não interagimos com nossos filhos, não procuramos saber com quem andam, não trocamos ideias com eles ou com os professores. Comodamente achamos que educar é matricular os filhos sem, sequer, procuramos saber se eles estão frequentando as escolas. Só a educação forma homens e mulheres dignas, capazes e independentes. Urge que façamos um exame de consciência, que nos aliemos aos professores e lutemos para que a sua profissão seja valorizada e as escolas melhor equipadas.

Se aproveitarmos a simbologia destes dias, se seguirmos os exemplos do Papa Francisco, e fizermos o “MEA CULPA” teremos, com certeza, dado um passo à frente.

*Dr. Magno Bacelar é advogado e exerceu os cargos de deputado estadual, deputado federal, senador da república, vice-prefeito de São Luís e prefeito de Coelho Neto.

One thought on “Coluna do Magno: Choque cultural

  1. Sou um leitor assíduo da Coluna do Magno.
    Sou admirador de seus comentários e reportagens.
    São muitos interessantes seus comentários sobre fatos ocorridos em nossa Coelho Neto principalmente sobre fatos e/ou personagens pitorescas.
    Sou seu admirador principalmente da época de sua gestão como prefeito de Coelho Neto,
    Sou Manoel Oliveira da Costa, moro em Teresina, mas sou de Coelho Neto.
    Sou graduado em ciencias da educação pela Universidade Federal do Piauí;
    Tenho pós graduação em:
    Supervisão Escolar – Universidade Federal do Piauí;
    Administração Escolar – Universidade Federal do Piauí;
    Desenvolvimento Rural Sustentável – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro;
    Desenvolvimento e Gestão Ambiental – Universidade Federal do Piauí.

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