Coluna do Magno: Ano Novo em Lolóia…

Quando ainda estudávamos em São Luís permanecíamos na Capital, durante todo o ano letivo, chegávamos em março e somente retornávamos em dezembro, para as férias de fim de ano. Vários fatores concorriam para que assim fosse:  primeiro porque éramos muitos e o fator financeiro era considerado; segundo as distâncias agravadas pela precariedade das estradas e dos transportes e, finalmente, porque a folga no mês de julho era muito curta. A aprovação de ano era mais que obrigação, uma questão de honra, mesmo assim passar férias com a família era a melhor das recompensas, contudo nós trabalhávamos e tínhamos tarefas a cumprir.

Antônio, um dos quatro irmãos mais velhos, já cuidava dos próprios   negócios, era proprietário de terras na localidade de Lolóia onde estabelecera uma “loja sortida”, no dizer da época. Recém-casado, ali fixara residência. Era costume, entre os lojistas, proceder a uma avaliação das atividades ao fim de cada ano. A isso dava-se o nome de balanço no qual eram minuciosamente conferidos todos os saldos e se constituía em atividade a ser desempenhada por pessoas de absoluta confiança. Por este procedimento o comerciante tomava conhecimento dos lucros ou prejuízos aferidos.

A pretexto de ajudar, muito mais para que aprendêssemos, fomos designados, eu e Luís, para irmos passar uns dias trabalhando com o irmão empresário. A missão coincidiu com a virada de 1951/1952, trabalhamos duro por aproximadamente uma semana e concluindo no dia 30 de dezembro. Aproveitando a nossa presença Antônio e a esposa Zilmar resolveram viajar para a cidade onde assistiriam a entrada do novo ano, cuidando da propriedade e dos negócios ficamos eu e o” chefe de equipe Luís”.

Não posso assegurar se foi à meia noite, pois dormimos muito cedo, o certo é que em determinado momento Luís me acordou e, com um rifle 44 nas mãos, convidou para saudarmos o ano novo lá fora, no terreiro. Quebramos o silêncio da noite, disparando doze tiros para o ar, acordamos a vizinhança os servidores da casa e da loja. Registramos a virada da maneira impulsiva com que os jovens costumam agir, saudamos o ano novo com o amor e a esperança dos inexperientes.

Neste Natal, graças às postagens através do WhatsApp, vi a feliz confraternização do casal Antônio-Zilmar Bacelar, cercados por filhos e netos o mesmo acontecendo ao meu companheiro Luís, também privilegiado por uma belíssima família em torno de si. Recordei aquela noite perdida no tempo e no espaço, tão   presente e muito viva, na memória e no coração.

Confraternização da família de Antônio e Zilmar Bacelar: muita festa
Confraternização da família de Antônio e Zilmar Bacelar: muita festa

Estamos nos despedindo de um dos anos mais conturbados de nossa história republicana. Escândalos políticos e frustrações econômicas abalaram a credibilidade do país e, de forma contundente, atingiram as nossas famílias. É hora de união, de assumir responsabilidades, não podemos nos tornar reféns do medo e das desilusões. Mais do que nunca, é hora de nos darmos as mãos conscientes de que pessimismo e ódio nos aprisionam ao sofrimento e ao atraso. Vamos olhar o futuro com otimismo e entusiasmo. Vivemos em pleno Estado de Direito, as instituições estão solidas e o Brasil é tão grande e rico, milhões de vezes maior que a crise.

O amor mandou dizer que o ano de 2016 será grandioso para todos aqueles que encontram a paz na família e no trabalho. Que venha a ventura e as bênçãos de Deus para todos que tem fé.

FELIZ E PRÓSPERO ANO NOVO!

*Dr. Magno Bacelar é advogado e exerceu os cargos de deputado estadual, deputado federal, senador da república, vice-prefeito de São Luís e prefeito de Coelho Neto.

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