Coluna do Magno: Ano das Políticas

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Iniciamos um ano da maior importância para os brasileiros. Teremos eleições municipais que apaixonaram mais as pessoas do que as gerais e nacionais. Uma disputa que envolve diretamente a todos, amigos, pais, irmãos, filhos e netos porque vai decidir os nossos interesses imediatos. Quando criança escutava, nas conversas dos adultos, o termo política utilizado com duplo sentido: o primeiro referente as eleições e o segundo significando o rompimento de relações entre pessoas ou famílias, dizia-se “eles estão políticos”. Ainda hoje ouvimos a ameaça “as políticas estão chegando, deixa ele me procurar para ver”. Querendo ou não, felizes ou decepcionados, em 2016 teremos eleições. A penúria econômica em que o país está vivendo é real, com cortes no orçamento e Ministros do STF ameaçando o retorno da velha cédula de papel.

A mídia nacional divulgou resolução da Justiça Eleitoral proibindo pintura de muros e reduzindo o tempo da propaganda nas rádios e televisões, medidas salutares para o avanço democrático. A produção dos programas gratuitos é muito onerosa e elimina os mais pobres.

Política é algo tão apaixonante e necessário que nem mesmo os maus representantes e o anedotário arrefecem nosso ânimo ou enfraquecem esperanças. Sobre as estórias relembraremos algumas: O ex-presidente Vargas dizia que no Brasil jamais faltará dinheiro para eleição e para combater saúvas; após sair da cabine eleitoral onde depositara um envelope, que recebera lacrado, o caboclo perguntou ao coronel: em quem eu votei mesmo coronel? O outro respondeu: não posso dizer o voto é secreto.

Certa vez eu era candidato e estava na fila, para votar e na frente  estava o vaqueiro Raimundo Alves que ao  sair da cabine gritou: Magno acabou o meu prestígio. Houve um deputado, depois governador, comprador de votos nos seguintes termos: acertado o preço e a quantidade de sufrágios conferia as cédulas e as cortava ao meio ficando com uma metade entregando a outra metade ao vendedor, depois de apurada a eleição se reuniam para a entrega da outra metade proporcional aos votos conferidos. Conheci um deputado de quem se dizia “promete como sem falta e falta como sem dúvidas”. O folclore é muito rico e infindável.

Antes não havia a influência do poder econômico, de maneira tão incisiva e acintosa, o chefe setorial, quase sempre proprietário de terras, no máximo exigia favores e prestígio já o eleitor ganhava alguns mimos como prova de amizade. Os mais atrevidos ousavam pedir uma roupa ou um calçado, pois estavam desprevenidos “para o dia”. Quando se inventou a figura do corretor e a compra direta deu-se início à derrocada, à corrupção e descaracterização do processo eleitoral. Surgiram, à partir daí, os profissionais das eleições: marqueteiros, compositores,  professores de oratória, pregadores e distribuidores de impressos, sonoplastas e locutores de  carros de som,  condutores de bandeirolas, cabos eleitorais, boca de urna  além de muitos outros componentes da indústria do engodo que torna o candidato mais enfeitado que burro de cigano mas sem nenhum compromisso ou conteúdo. Lamentavelmente o candidato ideal não dispõe de recursos e não consegue, sequer, expor suas propostas. A corrupção cunhou a expressão: “fulano é o melhor candidato mais é liso”. Quem tem compromisso não compra votos ao contrário dos corruptores que não assumem compromisso, fazem aplicação de recursos com garantia de retorno e lucros inconfessáveis.  Antes da eleição são ricos, depois de eleitos são “lisos que nem quiabo”.

Defendo a dotação de verbas para o aperfeiçoamento do processo eleitoral, além do financiamento público de maneira igualitária. Mas, enquanto a reforma política se arrasta, aplaudo as decisões do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que reduzem o tempo e prazo da propaganda no rádio e na televisão, proíbem a pintura de muros e aplicam punições mais severas aos infratores.  O país dispõe de legislação muito avançada, as instituições é que não as fazem cumprir.

Em defesa da família, da educação, da saúde, da segurança e da paz não podemos fugir ao dever de cumprir a nossa parte. Com o voto eliminaremos os empresários eleitorais, os vendilhões da pátria.

As políticas veem aí, com todos os erros e vícios, devemos reconhecer que ainda é o melhor caminho para a liberdade. Não podemos é ficar políticos com a nossa consciência.

*Dr. Magno Bacelar é advogado e exerceu os cargos de deputado estadual, deputado federal, senador da república, vice-prefeito de São Luís e prefeito de Coelho Neto.

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