Coluna do Magno: A parceria e a vitória com Jackson Lago

jackson-lago-e-o-céu

Homem ameno, jamais guardei rancor, ataquei ou denegri a honra de   adversários, tratei a todos com lhaneza e lealdade, o que não significa haver recebido   reciprocidade ou vivido em um mar de rosas.  Tive adversários, inimigos gratuitos e   opositores poderosos. Poucas vezes fui tolerado ou engolido, na grande maioria boicotado e perseguido. Jamais fui protegido ou apadrinhado, por detentores de poder decisório, para alcançar os cargos que ocupei. Me impus, inicialmente pela pertinácia e competência, mais tarde porque já não conseguiam me impedir.  Vitórias e derrotas fazem parte do roteiro de quem não foge à luta, não me arrependo das escolhas que fiz. Deus me guiou para grandes conquistas e realizações, as decepções insignificantes, nada a lamentar.

Depois de exercer três mandatos de deputado surgiu a oportunidade de   disputar uma a vaga de Senador. A tradição maranhense era indicar ex-Governadores, desta vez, 1986, não havia nenhum destes candidatos “natos”. Jose Sarney era o Presidente da República, procurei-o para dizer da minha intenção de disputar, não ouvi nenhuma palavra de apoio ou veto, apenas a insinuação de que o Deputado João   Alberto tinha serviços prestados ao que retruquei, respeitosamente, que eu também os tinha e preferia ser julgado pelo povo.

Minha decisão impediu a “nomeação” de João Alberto substituído, a contragosto, pelo colega Edson Lobão em dobradinha com o Senador Alexandre Costa além da falsa candidatura de Américo de Souza, com rios de dinheiro para corromper a eleição nos locais em que as pesquisas indicavam a minha esmagadora preferência. A propaganda veiculada pelo partido dizia tudo e induzia o eleitor para o voto do cabresto: “para senador vote Alexandre Costa e Edson Lobão”.

Na sublegenda e com o slogan “O POVO ESCOLHE O MARANHÃO VENCE” percorri todo o Estado, lutei contra o Presidente da República, o Governador do Estado, os três Senadores e os prefeitos submissos. Até a última pesquisa divulgada uma semana antes, pela Globo, estive à frente e considerado Senador eleito. Sucumbi à manobra idealizada e executada em Imperatriz, no decorrer da apuração, para subtrair e transpor votos. Fiquei na primeira suplência vindo a assumir por renúncia de Edson Lobão.

A fraude escandalosa que me vitimou revoltou os eleitores, passei a ser recebido com simpatia e solidariedade por onde passava. Sem mandato, aguardava as   eleições de 1988 para a Prefeitura de São Luís, quando fui consultado, pelo Governador Cafeteira, se aceitaria ser o candidato do grupo (naquele momento ele e Sarney eram aliados), disse-lhe ser a consulta inócua já que haviam acabado de me tirar uma eleição para o Senado, repetiu que falava em nome de todos. Não lhe dei crédito, alguns dias depois, voltou a me convocar para anunciar que o Presidente Sarney me vetara deixando-o de mãos atadas.

Sem surpresas disse-lhe que, não tendo condições de enfrentar, duas vezes seguidas, os donatários do Estado, iria apoiar Jackson Lago. Cafeteira blefou dizendo não permitir que seu secretário de Saúde disputasse aquela eleição. Declaração descabida e petulante para quem se dizia democrata. Sai do Palácio e fui à casa de Jackson, sem conhecê-lo pessoalmente, me apresentei comunicando a minha disposição de apoia-lo e me integrar à sua luta. Após narrar a conversa com o Governador percebi   que as bravatas não seriam levadas em conta. Foi assim que, sem apresentações ou formalidade, encontrei um dos homens mais dignos que tive a honra de conhecer.

Com a participação de lideranças como Jayme Santana, Haroldo Sabóia, Jose Carlos Saboia, Conceição Andrade, dentre outros, iniciamos uma das mais apaixonantes campanhas já realizadas em São Luís. Decorrido algum tempo, chegou-se à conclusão de que o meu nome traria ganhos e que por isso deveria compor a chapa como vice, se o meu objetivo era somar, não poderia recusar. Não dispúnhamos de recursos financeiros para enfrentar o Presidente da República e o Governador do Estado, acreditávamos, que se conquistássemos o eleitor, nenhuma outra força poderia deter a nossa marcha. Percorremos a cidade inteira andando a pé, de porta em porta, apertando a mão de moradores e transeuntes, pedindo voto empenhando a palavra e nossa credibilidade conquistada ao longo da vida digna. Contra o poder da máquina e da mídia, por ela controlada, vencemos a eleição.

Administramos com transparência, honrando compromissos, realizando audiências públicas para discutir, os problemas e prioridades da cidade. Era a cidadania se consolidando no Maranhão. As transformações não pararam por aí, o nome de Jackson mereceu o reconhecimento público. Continuou pobre enfrentando os poderosos e os vencendo por mais três vezes até chegar Governo.

Faleceu em 2011 deixando um legado de dignidade a ser seguido, sua contribuição ao Maranhão é  grandiosa e não se resumirá a uma despretensiosa crônica. Com certeza voltaremos a falar em Jackson Kepler Lago.

*Dr. Magno Bacelar é advogado e exerceu os cargos de deputado estadual, deputado federal, senador da república, vice-prefeito de São Luís e prefeito de Coelho Neto.

One thought on “Coluna do Magno: A parceria e a vitória com Jackson Lago

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *