Sarney comenta possível greve de médicos no Maranhão

 

Salários e greves

Da Coluna do Sarney

Leio que médicos e rodoviários têm greve marcada, a começar segunda-feira. O Sindicato dos Médicos e o Conselho Regional de Medicina, presidido pelo operoso dr. Abdon Murad, dizem que a motivação é o atraso dos salários.

Até hoje mantenho o recorde de enfrentamento de greve: mais de doze mil. Nenhuma por atraso de salários. Estabeleci também a maneira de tratá-las: nunca por enfrentamento, sempre por negociação. A greve é um direito assegurado ao trabalhador para forçar o reconhecimento de outro direito.

Quando assumi a Presidência minha principal missão era a transição, fazer voltar a democracia.

Com 4 dias de governo, em 1985, reabilitei a vida sindical, com uma anistia ampla, fazendo voltar aos cargos de que estavam afastados os dirigentes sindicais. Em seguida decretei o fim da censura.

Legalizei as Centrais Sindicais. Estabeleci a antiga e grande aspiração dos trabalhadores: o salário-desemprego, que desde então — e até hoje — socorre os desempregados em seus momentos mais difíceis. Criei o Vale-Transporte, que paga o deslocamento dos trabalhadores, e o Vale-Alimentação.

Para assegurar a efetividade da Justiça do Trabalho, criamos 340 novas Juntas de Conciliação e Julgamento. Demos o adicional de periculosidade aos eletricitários. Também poucos dias depois da posse aumentamos (Decreto 91.213/85) o salário mínimo em 112%.

Fizemos, com ousadia e coragem, o Plano Cruzado, rompendo com a velha fórmula de combater a inflação pela recessão. O congelamento de preços criou os “fiscais do Sarney”, e nasceram daí os direitos do consumidor e o exercício efetivo da cidadania. Foi a maior distribuição de renda da História do Brasil. Os que viveram aquele tempo e ainda estão vivos são testemunhas da felicidade do povo brasileiro e de como sua vida prosperou.

Vivemos o pleno emprego, com toda a indústria utilizando sua parte ociosa e obtivemos a menor taxa de desemprego em todos os tempos. A média do desemprego no meu governo foi de 3,86% e em dezembro de 1989, meu último ano, ele foi de 2,36%. O trabalhador escolhia onde trabalhar e, assim, consolidaram-se as lideranças sindicais, que a partir daí tiveram vez e voz nas decisões nacionais.

Também, para completar nossa política trabalhista, assinamos muitas Convenções na Organização Internacional do Trabalho que estabeleciam conquistas para a dignidade do trabalhador.

Sempre tive uma grande preocupação pelos direitos sociais. Quando fundamos a Bossa Nova da UDN, em 1959, o manifesto, redigido por mim, tinha como objetivo apoiar a política desenvolvimentista do Juscelino, MAS COM JUSTIÇA SOCIAL.

Vamos torcer para que cada vez mais se desenvolva a proteção aos direitos do trabalhador e à dignidade do trabalho.

Do Blog do Gilberto Leda

“Soliney é um grande líder”, diz Sarney sobre o ex-prefeito de Coelho Neto…

 

 

Em conversa com o blog ontem (05), em seu escritório em São Luís, o ex-presidente José Sarney (MDB), destacou a lealdade do ex-prefeito de Coelho Neto Soliney Silva ao seu grupo político.

“Soliney é um grande líder há muitos anos ao nosso lado, sempre um lutador e que tem um prestígio também muito grande que extrapola Coelho Neto como defensor da região inteira”, disse ele. Soliney atualmente integra o MDB e deve disputar a eleição esse ano para garantir seu retorno a Assembleia Legislativa.

Ao ser questionado sobre o seu badalado retorno ao Maranhão, o emedebista falou da relação com a política e a literatura.

“O que me fez não concorrer mais a eleição foi um único motivo: a idade. Eu tinha uma reeleição garantida lá no Amapá e acho que aqui também se eu saísse candidato. De maneira que eu tenho 88 anos e todo mundo sabe que minha vida teve duas vertentes: a vertente da política e da literatura. Na política graças a Deus eu cheguei a presidente da república e na literatura na Academia Brasileira de Letras, onde eu sou decano e já escrevi 142 livros”, pontuou.

Na conversa, Sarney negou sair da política e destacou o lançamento do seu novo livro “Galopes à beira-mar: caso e acasos da política e outras histórias”.

“Estou chegando em um tempo que devo não encerrar, dizer que não sou mais político isso não posso, até o fim da vida eu tenho o dever de pensar no Brasil, no povo brasileiro e na melhor solução. E quanto a literatura continuo escrevendo, agora saiu um livro meu, nesta semana, está saindo, já está nas livrarias, é um livro de histórias  e de memórias, histórias que eu presenciei e participei durante o tempo de vida pública”, explicou.

Sarney também defendeu o nome da filha Roseana Sarney (MDB), ao ser questionado sobre o processo eleitoral de 2018.

“Aqui no Maranhão hoje o comando da política está na mão da Roseana, porque ela é a grande líder, ela é a pessoa que hoje tem um carisma muito grande com o povo maranhense e uma grande obra que ela deixou aqui no Estado. E eu acho que ela está ai, sempre como ela diz a disposição do povo maranhense”, comentou.

Ao final, o ex-presidente lembrou com empolgação sua relação e o histórico que sempre teve com a cidade de Coelho Neto.

“E Coelho Neto quero mandar um grande abraço para todo o povo de Coelho Neto e lembrar-me das vezes – velho gosta de contar história – então eu me lembro das vezes que estive em Coelho Neto, ainda muitos e muitos anos no princípio da minha vida, quando eu era advogado estive em Coelho Neto e depois na oportunidade da luta que eu tive para a apoiar a ida da usina e posteriormente a fábrica de papel numa época difícil quando nem estrada tinha”, lembrou ele.

Desde que retornou ao Maranhão, o ex-presidente José Sarney mantém uma rotina de receber aliados e lideranças políticas de todo o Estado. Disposto, bem humorado e com uma lucidez de fazer inveja, o político mais longevo da política maranhense demonstra todo seu vigor e que a idéia de “pendurar as chuteiras” passa longe dos seus planos. Participaram da entrevista o senador Edinho Lobão (MDB), o vereador de Coelho Neto João Paulo (MDB) e apoiadores da pré-candidatura de Soliney SIlva.

Sarney lançará novo livro neste mês…

Chega em março às livrarias o novo livro de José Sarney, “Galope à beira-mar: casos e acasos da política e outras histórias”, um apanhado de causos acumulados pelo ex-presidente em décadas de vida pública.

O lançamento terá direito a três noites de autógrafos: em Brasília, no Rio de Janeiro e no Maranhão. A publicação é da editora Leya.

Por Lauro Jardim

Em novo livro, José Sarney relembra causos da política

Do experiente articulador político José Sarney não se espere análises conjunturais nem históricas ou juízo de valor sobre aliados e adversários neste trepidante 2018.

O ex-presidente que se tornou conselheiro de seus sucessores escolheu revelar uma faceta bem-humorada de contador dos causos que coleciona ao longo de 87 anos, com a pena leve e atenta às ironias da vida.

Para os primeiros meses do próximo ano eleitoral, Sarney prepara o seu 120º livro, provisoriamente intitulado “Galope à Beira-Mar”, inspirado no nome dado a um dos ritmos dos cantadores do Nordeste. Os personagens da vida pública recente do país quase todos estarão contemplados, mas não em sua versão noticiosa.

O decano da Academia Brasileira de Letras preferiu se ater a detalhes, às graças e “às voltas que a política dá” -como deu quando Fernando Collor ouviu de Ulysses Guimarães um sonoro não ao pedir para ser seu vice na chapa presidencial de 1989. Perdeu Ulysses, ganhou Collor.

É verdade que Fernando Henrique Cardoso e Dilma Rousseff preencherão menos linhas que Luiz Inácio Lula da Silva, mas definitivamente não por critérios eleitorais.

TEMER

A julgar pelas circunstâncias atuais, Michel Temer teria lugar destacado em um livro sobre o Brasil contemporâneo na visão de Sarney, que acabou por se firmar como um de seus mais vividos interlocutores. Mas, nessas linhas, o atual presidente da República não aparece.

Aparecem, aí sim, relatos de família, da infância em Pinheiro, no interior do Maranhão, e da juventude em São Luís. Cenas da política em Brasília, em Cuba, no Vaticano e outros cantos também, porém em seu viés anedótico.

“Neste livro, a prosa de Sarney mira o avesso de qualquer pretensão, seja literária, seja política”, observa Rodrigo de Almeida, editor de “Galope” na Casa da Palavra/Leya.

“São histórias de quem tem boa memória e um gosto especial pela conversa. Um ‘causeur’ que, por acaso, observou, ouviu e protagonizou histórias e estórias em décadas de vida pública. Grandes personagens em pequenas histórias, ou pequenas personagens em grandes causos.”

FORTUNA CRÍTICA

O autor de “O Dono do Mar” e “Marimbondos de Fogo” explora, já no prefácio, a extensão de títulos possíveis para a nova obra. “Livro dos Casos”, por exemplo, foi descartado porque o autor o considerou “vulgar”. “Casos e Acasos”, “Pé de Conversa” e “Conversa Puxa Conversa” tampouco sobreviveram à crítica sarneysiana.

Zeloso de sua trajetória literária, o autor a cultiva há tanto tempo quanto a sua carreira política. Tinha 23 anos quando publicou na revista que criara, “A Ilha”, o ensaio de cunho social “Pesquisa sobre a Pesca de Curral”.

Em 1954, aos 24, venceu sua primeira eleição, para a Câmara dos Deputados, ao mesmo tempo que lançou o seu primeiro livro, no caso de poesia, “A Canção Inicial”.

Depois de três mandatos na Câmara, elegeu-se governador do Maranhão e, de quebra, lançou sua segunda obra, “Norte das Águas” (1969), ainda no mandato.

E assim foi. Senador, vice-presidente que se tornou presidente, senador de novo e presidente do Senado.

Um total de dez mandatos e 120 títulos, incluindo discursos e planos de governo que ele editou em livros.

Embora pouco estudados, o emedebista esbanja orgulho de seus feitos literários.

Prepara para os próximos dias a impressão privada da compilação de que tudo o que produziu, com comentários críticos das 168 edições de sua carreira até o presente, traduzidas em inglês, francês, espanhol, alemão, chinês, coreano, grego, árabe, russo, húngaro, romeno e búlgaro.

Na “Bibliografia e Fortuna Crítica de José Sarney”, foram incluídas as palavras de “intelectuais de expressão universal” como Claude Lévi-Strauss e Octavio Paz sobre a obra de Sarney.

Ainda muito influente nos bastidores políticos, Sarney tem reservado suas aparições públicas ao universo cultural. Acaba de voltar de Guadalajara, no México, onde fez a “conferência magistral ” da Feira Internacional do Livro.

Discorreu sobre “O Livro e a Internet”, as evoluções da tecnologia e da literatura.

*

VEJA TRECHOS DO LIVRO

PARA QUÊ?

O presidente Lula estava em uma reunião em Cuba e, num desses momentos de conversa fora da agenda, teve um diálogo muito significativo com o presidente Raúl Castro. Também estava presente o ministro [Edison] Lobão.

Conversa vai, conversa vem, foram repassados episódios da Revolução Cubana e da luta para o país sobreviver à segregação política nos anos de confronto com os Estados Unidos.

Entre esses fatos, abordaram o problema das bombas atômicas e dos foguetes em Cuba, o que, como todos sabem, quase nos leva a uma terceira guerra mundial […].

Outro momento dramático: o submarino soviético B-59, armado com torpedos nucleares com a capacidade igual à da bomba de Hiroshima, teve necessidade de renovar seus depósitos de ar. Cercados por unidades americanas, o capitão, um oficial político e o comandante da Marinha soviética discutiram o que fazer: lançar os torpedos, como queria o capitão, ou subir à superfície, como queria o comandante. Finalmente, a opinião deste prevaleceu, e o mundo foi salvo.

Assim, Cuba não foi invadida, e os EUA não sofreram a desgraça que viveu o povo de Hiroshima e Nagasaki. No meio desse relembrar o passado, Lula, com esse seu jeito aberto, perguntou a Raúl Castro:

– Mas para que vocês queriam bomba atômica e foguetes em Cuba?

Castro respondeu:

– Para jogar nos Estados Unidos! É claro!

O PRIMEIRO

Logo que o papa Francisco assumiu a Cadeira de São Pedro, houve uma corrida para definir quem seria recebido, em primeiro lugar, pelo Santo Padre. Evidentemente, a vitória foi da Cristina Kirchner, por ser presidente da Argentina, embora, em Buenos Aires, não tivessem tido bom relacionamento: viviam quase sempre se bicando.

Pouco tempo depois a nossa presidente Dilma foi recebida, e o papa foi muito simpático com ela, sorrindo bastante. Mas, com certo gosto pela ironia, disse-lhe:

– Presidente Dilma, sou o primeiro papa latino-americano, sou o primeiro papa argentino, sou o primeiro papa jesuíta, sou o primeiro papa do Club Atlético San Lorenzo e sou o primeiro papa peronista!

A MOSCA AZUL

No período de dois anos antes de eleição, em geral, começam a surgir moscas azuis na cabeça de todo mundo.

Com o sucesso da sua campanha contra os marajás, construída pelo Alberico Silva, o grande jornalista que dirigia o “Jornal Nacional” [da TV Globo], Collor foi colocando na cabeça que podia participar da campanha presidencial.

Como a candidatura [presidencial] de Ulysses Guimarães era consagrada dentro do partido, o PMDB, como uma solução natural, não contestada por ninguém, Collor procurou-o em Brasília e começou com uma conversa de cerca-lourenço, que jamais apanharia o velho Ulysses na sua teia.

Em determinado momento, pediu-lhe -foi testemunha o Jader Barbalho- que o aceitasse como vice na chapa.

Construiu seu argumento de que, como Ulysses era de certa idade, ele, como jovem, equilibraria a chapa e seria um nome ideal para o cargo.

Ulysses foi rápido no gatilho e respondeu-lhe:

– Collor, cresça e apareça!

A política dá suas voltas…

TIRIRICA

Antes de Tiririca ser candidato a deputado [federal], perguntei a um jovem que trabalha no Senado se ele gostava de política. Respondeu-me que não. E aventurei:

– De que você gosta?

Ele respondeu-me:

– Agora, do Tiririca; há alguns meses, dos Mamonas Assassinas.

Em casa, fui com curiosidade atualizar-me com um neto:

– Quero saber tudo sobre o Tiririca.

– Meu avô, tu estás totalmente por fora. Só ficas aí nesse negócio de Senado, FHC, PMDB. E aí começou a cantarolar:

– Florentina, Florentina, Florentina de Jesus…

Ligo para o Maranhão, quero saber notícias. Atende minha neta. Antes que eu falasse com seu pai sobre o andamento da eleição em São Luís, ela se antecipa e me dá a grande notícia:

– Vovô, sabe quem vem ao Maranhão esta semana? Tiririca. Vê se tu mandas para mim a Neguinha, a Beijoca, a Sorriso, a Manhosa e a Delícia -eram as bonecas do Tiririca.

(Folha de SP)

As lições de José Sarney…

José Sarney

O marquês de Pombal, muitas vezes chamado de “déspota esclarecido”, gostava de dar conselhos a todos aqueles que nomeava para postos de mando no mundo português.

Assim, a um governador do Maranhão, seu sobrinho, o marquês de Mello e Póvoas, Pombal fez uma carta dizendo-lhe como devia governar. Esta carta é, até hoje, um manual de bom senso. Não era na linha de Maquiavel, da sobrevivência esperta, dos interesses do Príncipe, mas na direção do bem comum.

O primeiro conselho que lhe dava era o de ter espinhos nos ouvidos, para que as coisas não entrassem de uma vez só.

E que quem governa deve ter dois ouvidos, um para ouvir o presente e outro para ouvir o ausente. Há um brocardo muito nosso que diz que “conselho e água benta só se dá a quem pede”.

E não há coisa mais difícil do que dar conselhos.

Há muitas espécies de conselhos. Uma parte que se pode chamar de conselhos de bem-querer. São os dos amigos mais chegados, dos filhos, dos parentes e de todos aqueles que nos cercam com afeto. Em geral superestimam as nossas qualidades, são intolerantes com os que nos criticam, mas todos eles são voltados para o melhor e têm como base o amor.

Outro conselho é aquele do amigo sincero, porém pouco inteligente, que nos dá de boa fé conselhos errados e muitas vezes desastrosos.

Há o conselho dos bons amigos e inteligentes, experientes e com espírito público, que muitas vezes são duros, são claros, são difíceis de ouvir, mas estes são melhores e devemos nos aproximar deles. Em geral são de pessoas que têm espírito público, que muitas vezes não têm tantos motivos de nutrir afetos por nós. Este é o bom conselho. É tão bom que se criou a devoção de Nossa Senhora do Bom Conselho.

Mas há o conselho pior de todos que é o dos bajuladores, dos interessados, daqueles que desejam aconselhar errado para que as coisas não deem certo e eles possam prestar serviços e ganhar espaço. Este conselho tem o defeito de esconder-se nos mantos de todos os outros conselhos, é cheio de mimetismo e é muito agradável de ouvir. Fuja dele como o Diabo da Cruz, como diz a boca do povo.

Faço estas reflexões um pouco gongóricas para lembrar-me de quantas vezes recebi conselhos, de quantas vezes errei em segui-los e como é difícil descobrir entre o bom e o mau conselho.

Há o conselho da experiência, mas este conselho não é conselho, é testemunho.

Dizer o que se fez por um conselho não significa que venham ocorrer os mesmos efeitos, embora existindo as mesmas causas.

Há – não devo entrar no terreno da sociologia – a chamada teoria do intervalo. O que acontece nesse tempo, que correu do antigo tempo ao novo tempo? Por outro lado, há sempre aquele ceticismo quanto ao valor da experiência.

Bernard Shaw dizia, naquele seu famoso humor britânico, que a experiência só serve para uma coisa: que a experiência não serve para nada. A gente tem sempre a impressão de que tudo é fácil de ser corrigido e de que as decisões são fáceis.

É mais ou menos aquela indagação de Garrincha ao técnico que dizia como devia jogar: “E o senhor combinou com o outro time?”

O melhor mesmo é o que está no espírito de nosso provérbio popular, de que conselho e água benta são coisas parecidas. Mas não são.

Água benta se não faz bem, mal não faz.

Um mau conselho, às vezes, é pior do que um mau amigo.

Publicado com o título “Conselho e água benta” em O EstadoMaranhão, em 25/04/2015

De Sarney sobre Gullar: “Brasil perde seu maior poeta”

Brasil, Brasília, DF, 25/03/2014. Retrato do ex-presidente do Brasil, José Sarney, durante entrevista exclusiva em seu gabinete no Senado, em Brasília. - Crédito:ANDRE DUSEK/ESTADÃO CONTEÚDO/AE/Código imagem:161620
José Sarney

À TV Mirante, o ex-Presidente da República e integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL), José Sarney, também comentou sobre a morte de a perda de Ferreira Gullar – que faleceu neste domingo (4), aos 86 anos.

“Um grande poeta, um grande intelectual”, comentou José Sarney. E acrescentou: “Pessoalmente, perco um grande [poeta] e o Brasil o seu maior poeta”, finalizou.

A causa da morte do poeta, ainda, não foi revelada. Ele estava internado no Hospital Copa D’Or, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

De O Estado

Morre o escritor Evandro, irmão de Sarney

 

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Irmão do ex-presidente da República José Sarney, o escritor e poeta maranhense Evandro Sarney Costa morreu na madrugada deste domingo (10), em São Luís, de falência múltipla dos órgãos. Ele tinha 84 anos e foi conhecido, principalmente, por sua forte vocação para as letras, onde obteve grande destaque na literatura.

Membro da Academia Maranhense de Letras (AML), Evandro Sarney nasceu no município de São Bento, a 299 km de São Luís. Ele também teve participação na política e elegeu-se deputado estadual no período de 1954 a 1970, mandato a que foi reconduzido em diversas e sucessivas legislaturas.

Evandro Sarney Costa também fez parte da Academia de São Bento e atuou como jornalista militante ao longo dos anos. Com vasta colaboração no campo, ele deixa o seu legado jornalístico na crônica, conto, artigo e o ensaio.

As produções poéticas do escritor e poeta foram publicadas em grande parte em jornais e revistas. Evandro Sarney foi ainda conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, cargo em que se aposentou. Ele era viúvo e deixa seis filhos.

De acordo com a apuração do G1-MA, o corpo de Evandro Sarney Costa está sendo velado na capital e será enterrado às 17h, no Cemitério do bairro Vinhais.

Do G1

Soliney Filho participa de evento do PMDB e enaltece discurso de Sarney

 

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Soliney Filho e o ex-presidente José Sarney

O Presidente do PRTB de São Luís Soliney Filho, mostrou empolgação ao participar da visita do ex-presidente José Sarney à sede do PMDB na última sexta (06).

Jovem militante político, Filho tem garantido atenções da imprensa sempre que se posiciona em seu perfil na rede social, na maioria das vezes com críticas ao Governo do Estado.

Tenho o mesmo pensamento do Presidente Sarney ao defender que devemos permanecer na oposição porque o povo nos colocou na oposição. De forma responsável precisamos exercitar o nosso papel de cobrar e fiscalizar se ações estão chegando de fato à população como prometeram“, disse ele.

Soliney Filho disse que o discurso do peemedebista deveria servir de motivação aos políticos da nova geração em manter seus posicionamentos e a continuar defendendo o que acreditam.

O Presidente Sarney com sua experiência nos deu mais uma vez uma aula e mostrou porque continua sendo um dos políticos mais importante desse país. Precisamos ter posicionamento firme, defender as idéias que acreditamos e manter fidelidade ao grupo do qual fazemos parte. Me senti motivado em permanecer na posição em que estou de continuar defendendo melhores dias ao povo do nosso Estado“, concluiu ele.

Vai entender… Zé Reinaldo defende união com Sarney

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O ex-governador e deputado federal José Reinaldo Tavares (PSB) propõe, em artigo surpreendente publicado abaixo no blog, uma união, em prol do interesse comum, com o ex-senador José Sarney, até então seu inimigo político e pessoal. Tavares sugere uma reconciliação com Sarney e afirma que não irá mais criticá-lo. “Isso ficou para trás e tenho que olhar para a frente e não ficar remoendo o passado”, diz.

Para Zé Reinaldo, o ex-presidente Sarney ainda tem muito prestígio pessoal e ainda detém grande força política. “Isso é inegável”, admite o deputado, ao encerrar seu apelo ao pai de Roseana Sarney: “Pronto, falei”.

Abaixo, o comentário de Zé Reinaldo no blog propondo um entendimento com José Sarney.

Pacto pelo Maranhão

José Sarney foi sem dúvidas o político que reteve maior poder e prestígio político no Maranhão, além de ter sido um dos mais fortes do país. E ficou mais poderoso ainda após o exercício na presidência da república. Sarney foi o poderosíssimo ex-presidente, sobretudo no governo de Lula da Silva. Mandava e desmandava à vontade e Lula chegou a dizer, inclusive, que Sarney não era um homem como os outros. Era quase um mito.

Mas no Maranhão, em que pese o seu julgamento, ficou devendo muito em relação ao que poderia ter feito, considerando o seu poder pessoal e político incontestáveis.

Mas, enfim, este não é um artigo para criticá-lo. Isso já fiz muitas vezes ao longo de muitos anos e por isso recebi muitas vezes o peso de sua ira. Contudo, isso ficou para trás e tenho que olhar para a frente e não ficar remoendo o passado.

Sarney não tem mais a força que teve, mas ainda tem muito prestígio pessoal e ainda detém grande força política. Isso é inegável.

Hoje se diverte criticando o governo de Flávio Dino, homem que derrotou de maneira muito clara o seu grupo político. Isso são fatos.

Farei aqui um apelo ao ex-presidente e àquele político que fascinou a todos os jovens promissores que com ele trabalharam, quando governador e nele acreditaram, como eu. Vejam bem, não estou pedindo aqui que deixe de fazer oposição, sendo esse o seu desejo. Não, nada disso! Estou propondo é um pacto pelo Maranhão, por esse estado pobre e com grande parte da população vivendo com renda oriunda do Bolsa Família. Estou propondo uma união de importantes forças políticas em torno de projetos fundamentais para o desenvolvimento do estado e para tirar o estado dessa situação. O Ceará fez isso no passado e disparou com uma agenda de consenso que o transformou num dos estados mais importantes do país. E o nosso Maranhão tem muito mais condições naturais para o desenvolvimento que o Ceará, mas hoje estamos bem atrás.

Países só se desenvolveram com pactos como esse, vejam o caso da Espanha, onde as questões eram tão acirradas que chegaram a ir a uma guerra civil sangrenta e terrível. Lá ficou na história o Pacto de Moncloa, fundamental para a busca do desenvolvimento que hoje sustenta a Espanha moderna.

É claro que se isso não acontecer, iremos lutar até conseguirmos, mas se pudermos fazer uma agenda acima da política, juntando as forças de todos que puderem contribuir, será muito mais fácil e mais rápido conseguir mudar o Maranhão.

Parece óbvio que o ex-presidente teria, como tem em qualquer lugar, uma participação muito importante em tudo. Repito: não se trata de pacto político, mas sim de tentar elencar um grupo de projetos estruturantes para que possamos pular etapas e colocar o Maranhão em seu lugar entre os estados mais promissores do país.

Aqui falo por mim. Não falo por mais ninguém. Portanto não se trata de qualquer tipo de barganha. Não se trata da oferta de cargos em troca de apoio. Não é, enfatizo, um pacto político. Não se trata, enfim, de troca de favores.

O que pretendo é unir todos pelo desenvolvimento do Maranhão. É escolher pelo debate alguns projetos realmente fundamentais para alavancar o crescimento do estado e melhorar a vida sofrida de nossa população. Entre nós temos vários políticos de enorme prestígio, a começar pelo governador Flávio Dino e pelo ex-presidente José Sarney, juntando senadores, deputados federais e estaduais. Temos força política para, juntos nesse propósito, conseguirmos grandes avanços, desde que todos puxem numa só direção. O momento é de imensa dificuldade. O país quebrado, o governo federal politicamente paralisado por uma crise que começou política, indo em seguida tomar conta da economia e agora é social, com a inflação e o desemprego batendo à porta.

Não será tarefa fácil. Mas se estivermos unidos e com uma pauta bem estabelecida, creio que seremos fortes, objetivos e com grandes chances de conseguirmos grandes avanços. Só o fato de termos uma agenda em comum será de uma importância extraordinária.

Falo por mim, sem medos de patrulhas e de maus entendidos. Não serei eu a ganhar nada me arriscando assim. Será o povo do Maranhão. Mas sei que muitos entre nós pensam como eu. Não estarei sozinho e nem pregando no deserto. Nossa sociedade não perdoará a nós políticos, se não nos unirmos em torno do projeto maior que é o desenvolvimento do Maranhão. Essa é a finalidade maior de estarmos na política, com ou sem mandatos.

“Pronto, falei” – como dizem os internautas. Peço a reflexão de todos. Não se trata de rendição e nem de submissão. Trata-se do Maranhão!

Pensem nisso e vamos juntos!

Do Blog do John Cutrim

‘No Brasil, não leram e não gostaram dos meus livros’, diz Sarney

Folha de São Paulo

José Sarney, 85, ex-presidente do Brasil, ex-governador do Maranhão e senador cinco vezes por dois Estados (a terra natal e o Amapá), não quer que a literatura seja uma letra morta em sua trajetória.

Atualmente, trabalha em duas obras: suas memórias e seu quarto romance, “O Solar dos Tarquínios”, que acabará “se Deus me der alguns anos de vida”. A ficção fala sobre uma família incapaz de morrer. Em 2014, a filha, Roseana Sarney, renunciou ao governo maranhense, pondo fim a um ciclo de quase 50 anos do clã no poder local.

Sarney é imortal. Ocupa a cadeira 38 —que já pertenceu a Santos Dumont e Graça Aranha— na Academia Brasileira de Letras desde 1980. Ao ganhá-la, discursou sobre “um sonho que se realizou e, como diz Jorge Luis Borges, quem realiza um sonho, constrói uma parcela de sua própria eternidade”.

O ex-presidente José Sarney fala sobre sua obra literária, em seu escritório em, Brasília

O ex-presidente José Sarney fala sobre sua obra literária, em seu escritório em, Brasília

 

Sarney quer ser eterno. Não pela política, que praticou ao longo de 60 anos e sete partidos (é do PMDB desde 1984), mas por obras com pitadas de realismo fantástico como “Saraminda” –a mulata dos “bicos dos seios amarelos como ouro bruto”, de pontas “altas, duras, roliças, que faiscavam como tição”.

Em 25 de outubro de 1996, o amigo Claude Lévi-Strauss (1908-2009) enviou uma carta manuscrita com elogios ao então presidente do Senado. Era “monumental” a edição francesa de “O Dono do Mar”, livro povoado por seres como Querente, que flutua pelo mar há 400 anos, e Zé do Casco, o violador de pescadores distraídos.

Já Millôr Fernandes (1923-2012) definia “Sir Ney” como autor de obras que seriam “motivos para impeachment”.

Sarney diz que “há mais de 30 anos não nasce um grande romancista”. Quanto a ele, paciência. “Quando o tempo afastar o político, o trabalhador das letras vai aparecer.”

MÁ VONTADE

Na quarta-feira (22), a dois dias de completar 85 anos, recebeu a Folha em seu escritório em Brasília, decorado com um crucifixo na parede e uma Bíblia na mesa.

“O presidente não está querendo dar entrevistas por esses dias, mas talvez abra uma exceção para falar de literatura”, explicou o assessor antes de combinar a entrevista.

Exceção aberta. Por uma hora, o ex-presidente e fã de “Dom Quixote” falou sobre sua saga literária, pouco conhecida no país que presidiu. “Havia má vontade. Não viam o escritor, viam o político.”

Sarney tomou gosto por biografias políticas –recentemente leu as de Getúlio Vargas, Josef Stálin e Tancredo Neves, fora “O Capital no Século 21″, de Thomas Piketty.

Sua própria passagem pelo cargo mais alto no país foi conturbada, diz. “Ninguém sabia, mas atravessava um período de grande depressão quando assumi a Presidência. Não passei pela crise dos 50 anos. Mas de repente, com 52, me surgiu. Era uma cobrança que fazia a mim mesmo do que tinha feito da minha vida.”

A cura veio pelas letras. Emposta a voz para recitar o poema “Garça Negra”: “Garça negra/ asas de fogo e silêncio/ noites de tédio e de calmantes/ não me busques”. “O Carl Jung dizia que todos morremos frustrados por não termos tido a vida que queríamos.”

Folha Jorge Amado disse certa vez que “José Sarney é um escritor a quem o político José Sarney tem causado graves prejuízos”. Concorda?

José Sarney O Napoleão dizia que política é destino, literatura, vocação. Eu me lembro da definição do Ernesto Sabato sobre literatura como antagonista da realidade. Mas a política tem dos dois. Teve a morte do Tancredo Neves [em 1985, antes de assumir a Presidência, abrindo espaço para ele, vice], em que a realidade imitou a ficção.

Folha Arrepende-se de ter privilegiado destino e não vocação?

José Sarney – Olhe, se Deus tivesse me perguntado se eu queria ficar com a literatura ou a política, teria escolhido a literatura. Não passou um dia sem que eu não tivesse um convite de noivado para a literatura. Calculo que passei 25% da vida lendo ou escrevendo. Não tenho nenhum outro hábito: não cultivo esporte, não costumo ir a cinema, teatro, não frequento restaurantes, não sou de dar recepções em casa.

Folha Terminou sua autobiografia?

José Sarney – Estou na fase de revisão, pois ela foi escrita durante muitos anos [desde 2003]. Sendo um intelectual, com o privilégio de participar da história do Brasil como assistente e até mesmo protagonista, não compreenderia se não deixasse um depoimento da minha visão do poder.

Pensei [no título] “Boa Noite, Presidente”. Adotei uma técnica para escrever. O primeiro capítulo sobre a noite da doença do Tancredo. O segundo, meu nascimento. O terceiro, meu governo… No fim, as partes se encontram.

Folha O senhor escreveu obras de realismo fantástico, como “Saraminda”. Encontrou na vida alguém tão mágico?

José Sarney – É fácil criar um drama que seja uma cópia da realidade. Difícil é criar um personagem. Eu consegui. De tal maneira me liguei a Saraminda que a minha mulher [dona Marly] dizia que já estava com ciúmes dela. “Você não larga essa mulata de jeito nenhum.”

Folha E como achou sua musa?

José Sarney – Fui até Caiena [capital da Guiana Francesa] pesquisar para o livro. Passa uma mulata muito bonita, e eu me senti seduzido. Ela, Saraminda, passou a existir. Arrematada no leilão de prostitutas onde o Cleito Bonfim pagou dez quilos de ouro por ela [no enredo do romance]. Seus seios tinham os bicos de ouro.

Folha Seus críticos sempre citam esse “erotismo light” na obra.

José Sarney – Descartes foi o grande filósofo que estabeleceu essa separação da alma e do corpo, embora eu seja católico e acredite que nunca podemos separar os dois. O próprio São Paulo disse: se não tivesse amor, de nada valia a vida.

Folha Desde “A Duquesa Vale uma Missa”, de 2007, o senhor não escreve ficção. Algo à vista?

José Sarney – Comecei “O Solar dos Tarquínios”, história de um sobradão construído junto com essa família que passa a viver muito e não morrer. Queriam, mas não morriam. Era a grande angústia deles.

Folha Tem livro seu até em romeno.

José Sarney – Fui traduzido em 13 línguas e tenho a grande satisfação de ser um dos poucos autores incluídos na Folio [coleção da editora francesa Gallimard, uma das mais importantes na Europa]. Inclusive tive críticas do Lévi-Strauss –tive a felicidade de ter sua amizade.

Folha Já no Brasil seus livros receberam críticas bem duras.

José Sarney – É aquela história: não leram e não gostaram. Não conheço um grande crítico brasileiro que tenha feito críticas contrárias aos meus livros. Apenas deixei de cultivar a divulgação no Brasil porque havia má vontade. Não viam o escritor, viam o político.

Folha O Millôr Fernandes escreveu que, quando se larga um livro seu, não se consegue mais pegar. Era seu melhor inimigo?

José Sarney – Ele não era crítico literário, ele era humorista.

Folha O senhor acompanha algo da nova literatura brasileira?

José Sarney – Confesso que estou na fase da releitura. Acho que passamos por um período de declínio. Há mais de 30 anos não nasce um grande romancista, poeta, pintor, músico.

Folha E o senhor, onde está?

José Sarney – Acho que quando o tempo afastar o político um pouco, a figura do trabalhador das letras vai aparecer.

Folha O que acha de biografias não autorizadas? Tem a de Palmério Dória sobre os Sarney (“Honoráveis Bandidos”).

José Sarney – Sou a favor da publicação de biografias, quaisquer que sejam. [A do Dória] não é biografia. É sobre políticos interessados em destruir imagens das pessoas.

Folha Comemora os 85 anos?

José Sarney – Agora não comemoro mais nem o mês nem o ano, e sim os dias. Minha mãe, quando morreu, deixou uma carta. A primeira coisa que disse: “Tive até um filho que foi da Academia Brasileira de Letras”. No Maranhão, quando se nasce, ninguém pensa em ser presidente, mas todos pensam em ir à Academia.

As parteiras já conhecem o choro dos meninos: “Academiiiiiiia”. Ninguém sabe, mas quando assumi a Presidência, atravessava um período de grande depressão.

Não passei pela crise dos 50 anos. Mas de repente, com 52, me surgiu essa depressão. Era uma cobrança que fazia a mim mesmo do que tinha feito da minha vida.

O Carl Jung, ao contrário do Freud, dizia que todos morremos frustrados por não termos tido a vida que queríamos.

SARNEY É POUCO ESTUDADO

Sarney virou imortal antes de publicar qualquer livro e de ingressar na política.

Tinha só 22 anos quando foi eleito para a Academia Maranhense de Letras, em 1953, em reconhecimento pelo ativismo cultural em São Luís, com a criação da revista “A Ilha” e do suplemento literário do jornal “O Imparcial”.

Embora o escritor seja anterior ao político –o livro de poemas “A Canção Inicial” é de 1954, um ano antes da estreia na vida pública–, a atuação no poder foi mais prolífica que a literária.

Tirando textos políticos e crônicas, foram três romances, três volumes de contos e três de poesia em seis décadas.

Publicada em boa parte pela antiga editora Siciliano, essa produção ficou anos fora de catálogo. Em 2014, a Leya, que já publicava parte de suas crônicas e seus ensaios, reeditou os romances “Saraminda” e “O Dono do Mar”.

Não é fácil encontrar quem tenha se dedicado a estudar esses livros. Dos quase 300 currículos da plataforma Lattes que têm alguma citação ao ex-presidente, menos de dez são de estudiosos da área de letras interessados em sua prosa –no geral, estudantes de graduação no Maranhão.

Em 1988, ao destrinchar os contos de “O Brejal dos Guajas”, Millôr Fernandes resumiu assim: “É uma anedotinha ‘socialzinha’ tolinha (já contada mais de um milhão de vezes) da briguinha de dois coroneizinhos de uma cidadezinha perdidinha no interiorzinho do Maranhão”.