‘Homem correto’, diz Sarney em nota, após soltura e Temer

‘Homem correto’, diz Sarney em nota, após soltura e Temer

O ex-presidente da República José Sarney (MDB) manifestou-se hoje (25), por meio de nota, sobre a prisão – e posterior soltura do também ex-presidente Michel Temer(MDB).

Para o maranhense, seu colega de partido é “um homem correto”, vítima de uma “violência” que “feriu a Constituição” e “acabou com o direito à presunção de inocência”.

“Meu testemunho é o de que o ex-Presidente Michel Temer é um homem correto, que prestou grandes serviços ao Brasil”, disse Sarney.

‘Alcântara renasce agora’, diz Sarney após acordo Brasil/EUA

‘Alcântara renasce agora’, diz Sarney após acordo Brasil/EUA

A viagem do Presidente Bolsonaro aos Estados Unidos consolidou o nosso sonho de ver Alcântara como um dos grandes centros espaciais do mundo.

A viagem do Presidente Bolsonaro aos Estados Unidos consolidou o nosso sonho de ver Alcântara como um dos grandes centros espaciais do mundo.

Quando, em 1980, iniciaram-se os estudos para a Missão Espacial Completa Brasileira, criada em 1979, eles incluíam a localização de nova base de lançamentos de foguetes, satélites e monitoramento de naves espaciais. Era Ministro da Aeronáutica Délio Jardim de Matos, meu amigo, que me disse que Alcântara, no Maranhão, estava entre os possíveis locais. Suas condições técnicas eram imbatíveis. Mais tarde o Brigadeiro Délio me procurou para dizer que tinha batido o martelo e Alcântara tinha sido escolhida.

Em 1º de março de 1983 foi criado formalmente o Centro de Lançamento de Alcântara. Era a vitória da nossa batalha. Devemos fazer justiça ao Governador João Castello, que ofereceu todo o apoio do Estado para sua construção.

Presidente da República, pude efetivar o esforço de implantação, e, em 21 de fevereiro de 1990, num dos meus últimos atos de governo, inaugurar as instalações do seu centro de operações e assistir ao lançamento de um foguete meteorológico. Foi com orgulho que apertei o botão para que subisse em céus do Maranhão. Destinei, como Presidente, os maiores recursos de nossa História ao nosso sonho espacial.

Alcântara foi escolhida. Na minha cabeça eu já via o Maranhão tendo um ITA e rivalizando com Cabo Canaveral e Kourou. Daí em diante, só tivemos decepções.

Em minha visita oficial à China, em 1988, fizemos um convênio de cooperação es­pacial, no qual estava previsto um programa de lançamentos conjuntos: os chineses lançariam um foguete em Alcântara e nós, um satélite em seu similar, o deserto de Gobi. Infelizmente, no Brasil, um governo não dá continuidade ao que o outro fez, e Alcântara ficou no esquecimento. Depois, com lágrimas e lamento, fui enterrar os corpos das vítimas da explosão do foguete brasileiro VLS-1 V03, cujo fracasso enterrou o sonho nacional de um programa próprio do CTA. Com Lula, demos um suspiro tentando um acordo com a Ucrânia, que foi uma perda de tempo e um fracasso completo.

Alcântara renasce agora, com o acordo firmado com os Estados Unidos, e vamos retomar o sonho de lançar foguetes, satélites e participar da aventura espacial do mundo. Ficar contra esse acordo seria um crime contra o Brasil, que não teve, e não tem, recursos para realizar esse sonho. Esse acordo nos dá a oportunidade de sermos referência mundial de tecnologia de ponta e de a nossa juventude entrar na modernidade.

Saudemos a ressurreição de Alcântara. Ela pode ser um grande passo para aumentar o patamar de desenvolvimento do Maranhão e participarmos do Futuro.

José Sarney

Romance de Sarney vai virar filme

Romance de Sarney vai virar filme

“A duquesa vale uma missa” (2007), romance de José Sarney, está sendo adaptado para o cinema. Rebatizado de “Minha amada Julienne”, em pré-produção, terá direção e roteiro de Fernando Nasser.

Na história, o protagonista sofre com um desejo obsessivo pelo quadro “Suposto retrato de Gabrielle d’Estrées e sua irmã a Duquesa de Villars“, que pertence ao pai do personagem.

Não é a primeira obra do ex-presidente a virar filme. “O dono do mar”, dirigido por Odorico Mendes, foi às telas em 2005.

Por Lauro Jardim

José Sarney: “A cadeira da Presidência é maior do que o presidente”

A Presidência da República não é um cargo, é uma instituição. O povo tem, de quem a ocupa, uma visão do senhor de bem e do mal, que tudo pode e tudo resolve. Mas a cadeira da Presidência é maior do que o Presidente, e ninguém a modifica. Todos são por ela modificados. O Presidente deve tomar as decisões que lhe parecem melhores, e muitas vezes o tempo demonstra que não foram.

O Presidente é um ser humano moldado por educação, formação moral, cultura, experiência, família, virtudes, defeitos e temperamento. Ele está sempre aprisionado pelos problemas do tempo que governa. Não há como fugir da visão de Ortega y Gasset: o homem e suas circunstâncias.

A Presidência no Brasil, como em alguns países, tem duas faces reunidas num só rosto: a do Chefe de Estado e a do Chefe do Governo. A primeira é representar o símbolo da identidade nacional e soberania; a segunda, o barro de cada dia: fazer funcionar a máquina do Estado.

Ela tem forças próprias, que agem como leis físicas. Ela exige defender dia e noite a legitimidade de ocupá-la. É própria de sua natureza política uma constante força centrífuga, que tenta expulsar o ocupante. As surpresas impensadas ou impossíveis de prever acontecem, e nossa história está cheia de exemplos. Surgem pela incapacidade de exercê-la e de liderar pessoas, pela corrosão moral, pela desintegração administrativa, pela saúde e por pressões que são superiores à integridade humana, na obsessão de Descartes – alma e corpo. Pode transformar heróis em vilões, santos em demônios, mas pode também revelar grandes estadistas.

A Presidência mantém sua estabilidade com boa convivência com a mídia, por sua vez vocalizadora das ruas, com as Forças Armadas, responsáveis pela ordem interna, com o Congresso, com os partidos e com a sociedade.

Hoje a grande interlocutora da democracia representativa, a opinião pública, expressa-se pela mídia em tempo real, pelas redes sociais e pela sociedade de comunicação. Sua aferição de desempenho, a pesquisa de opinião pública, aliada à mídia retira, coloca e retoma a legitimidade.

Juscelino dizia que pela porta do Gabinete só entravam problemas. Os resolvidos ficavam fora. Minha vivência é que os maiores problemas da administração diária são a vaidade, a disputa, a intriga e a concorrência por espaços no governo. Estão sempre uns divergindo dos outros e o Presidente não toma conhecimento de quase nada que acontece de verdadeiramente desestabilizador ou irregular. Ter dois ouvidos, um para ouvir o presente e o outro o ausente. O Presidente é sempre o último a saber das coisas erradas e fica sem saber de outras mais. Mas termina sendo responsável por todas.

Dois dogmas devem ser abandonados. Não voltar atrás e acreditar no chavão da solidão do poder. Deve-se rever o que se fez de errado e fazer que as decisões nunca sejam solitárias: sempre ouvir, aceitar conselhos, partilhar dúvidas e buscar a melhor opção.

E nunca esquecer que uma nação é feita de historiadores para conhecer o passado, de políticos para resolver os dilemas do presente e de poetas para sonhar o futuro. E saber os versos do poeta latino Ovídio, nas Tristes:“Enquanto fores feliz terás numerosos amigos; se os tempos nublarem, ficarás só”.

José Sarney foi eleito vice-presidente em 1985 pelo colégio eleitoral. Com a morte de Tancredo Neves, tornou-se presidente da República, cargo que exerceu até 1990

Sarney comenta possível greve de médicos no Maranhão

 

Salários e greves

Da Coluna do Sarney

Leio que médicos e rodoviários têm greve marcada, a começar segunda-feira. O Sindicato dos Médicos e o Conselho Regional de Medicina, presidido pelo operoso dr. Abdon Murad, dizem que a motivação é o atraso dos salários.

Até hoje mantenho o recorde de enfrentamento de greve: mais de doze mil. Nenhuma por atraso de salários. Estabeleci também a maneira de tratá-las: nunca por enfrentamento, sempre por negociação. A greve é um direito assegurado ao trabalhador para forçar o reconhecimento de outro direito.

Quando assumi a Presidência minha principal missão era a transição, fazer voltar a democracia.

Com 4 dias de governo, em 1985, reabilitei a vida sindical, com uma anistia ampla, fazendo voltar aos cargos de que estavam afastados os dirigentes sindicais. Em seguida decretei o fim da censura.

Legalizei as Centrais Sindicais. Estabeleci a antiga e grande aspiração dos trabalhadores: o salário-desemprego, que desde então — e até hoje — socorre os desempregados em seus momentos mais difíceis. Criei o Vale-Transporte, que paga o deslocamento dos trabalhadores, e o Vale-Alimentação.

Para assegurar a efetividade da Justiça do Trabalho, criamos 340 novas Juntas de Conciliação e Julgamento. Demos o adicional de periculosidade aos eletricitários. Também poucos dias depois da posse aumentamos (Decreto 91.213/85) o salário mínimo em 112%.

Fizemos, com ousadia e coragem, o Plano Cruzado, rompendo com a velha fórmula de combater a inflação pela recessão. O congelamento de preços criou os “fiscais do Sarney”, e nasceram daí os direitos do consumidor e o exercício efetivo da cidadania. Foi a maior distribuição de renda da História do Brasil. Os que viveram aquele tempo e ainda estão vivos são testemunhas da felicidade do povo brasileiro e de como sua vida prosperou.

Vivemos o pleno emprego, com toda a indústria utilizando sua parte ociosa e obtivemos a menor taxa de desemprego em todos os tempos. A média do desemprego no meu governo foi de 3,86% e em dezembro de 1989, meu último ano, ele foi de 2,36%. O trabalhador escolhia onde trabalhar e, assim, consolidaram-se as lideranças sindicais, que a partir daí tiveram vez e voz nas decisões nacionais.

Também, para completar nossa política trabalhista, assinamos muitas Convenções na Organização Internacional do Trabalho que estabeleciam conquistas para a dignidade do trabalhador.

Sempre tive uma grande preocupação pelos direitos sociais. Quando fundamos a Bossa Nova da UDN, em 1959, o manifesto, redigido por mim, tinha como objetivo apoiar a política desenvolvimentista do Juscelino, MAS COM JUSTIÇA SOCIAL.

Vamos torcer para que cada vez mais se desenvolva a proteção aos direitos do trabalhador e à dignidade do trabalho.

Do Blog do Gilberto Leda

“Soliney é um grande líder”, diz Sarney sobre o ex-prefeito de Coelho Neto…

 

 

Em conversa com o blog ontem (05), em seu escritório em São Luís, o ex-presidente José Sarney (MDB), destacou a lealdade do ex-prefeito de Coelho Neto Soliney Silva ao seu grupo político.

“Soliney é um grande líder há muitos anos ao nosso lado, sempre um lutador e que tem um prestígio também muito grande que extrapola Coelho Neto como defensor da região inteira”, disse ele. Soliney atualmente integra o MDB e deve disputar a eleição esse ano para garantir seu retorno a Assembleia Legislativa.

Ao ser questionado sobre o seu badalado retorno ao Maranhão, o emedebista falou da relação com a política e a literatura.

“O que me fez não concorrer mais a eleição foi um único motivo: a idade. Eu tinha uma reeleição garantida lá no Amapá e acho que aqui também se eu saísse candidato. De maneira que eu tenho 88 anos e todo mundo sabe que minha vida teve duas vertentes: a vertente da política e da literatura. Na política graças a Deus eu cheguei a presidente da república e na literatura na Academia Brasileira de Letras, onde eu sou decano e já escrevi 142 livros”, pontuou.

Na conversa, Sarney negou sair da política e destacou o lançamento do seu novo livro “Galopes à beira-mar: caso e acasos da política e outras histórias”.

“Estou chegando em um tempo que devo não encerrar, dizer que não sou mais político isso não posso, até o fim da vida eu tenho o dever de pensar no Brasil, no povo brasileiro e na melhor solução. E quanto a literatura continuo escrevendo, agora saiu um livro meu, nesta semana, está saindo, já está nas livrarias, é um livro de histórias  e de memórias, histórias que eu presenciei e participei durante o tempo de vida pública”, explicou.

Sarney também defendeu o nome da filha Roseana Sarney (MDB), ao ser questionado sobre o processo eleitoral de 2018.

“Aqui no Maranhão hoje o comando da política está na mão da Roseana, porque ela é a grande líder, ela é a pessoa que hoje tem um carisma muito grande com o povo maranhense e uma grande obra que ela deixou aqui no Estado. E eu acho que ela está ai, sempre como ela diz a disposição do povo maranhense”, comentou.

Ao final, o ex-presidente lembrou com empolgação sua relação e o histórico que sempre teve com a cidade de Coelho Neto.

“E Coelho Neto quero mandar um grande abraço para todo o povo de Coelho Neto e lembrar-me das vezes – velho gosta de contar história – então eu me lembro das vezes que estive em Coelho Neto, ainda muitos e muitos anos no princípio da minha vida, quando eu era advogado estive em Coelho Neto e depois na oportunidade da luta que eu tive para a apoiar a ida da usina e posteriormente a fábrica de papel numa época difícil quando nem estrada tinha”, lembrou ele.

Desde que retornou ao Maranhão, o ex-presidente José Sarney mantém uma rotina de receber aliados e lideranças políticas de todo o Estado. Disposto, bem humorado e com uma lucidez de fazer inveja, o político mais longevo da política maranhense demonstra todo seu vigor e que a idéia de “pendurar as chuteiras” passa longe dos seus planos. Participaram da entrevista o senador Edinho Lobão (MDB), o vereador de Coelho Neto João Paulo (MDB) e apoiadores da pré-candidatura de Soliney SIlva.

Sarney lançará novo livro neste mês…

Chega em março às livrarias o novo livro de José Sarney, “Galope à beira-mar: casos e acasos da política e outras histórias”, um apanhado de causos acumulados pelo ex-presidente em décadas de vida pública.

O lançamento terá direito a três noites de autógrafos: em Brasília, no Rio de Janeiro e no Maranhão. A publicação é da editora Leya.

Por Lauro Jardim

Em novo livro, José Sarney relembra causos da política

Do experiente articulador político José Sarney não se espere análises conjunturais nem históricas ou juízo de valor sobre aliados e adversários neste trepidante 2018.

O ex-presidente que se tornou conselheiro de seus sucessores escolheu revelar uma faceta bem-humorada de contador dos causos que coleciona ao longo de 87 anos, com a pena leve e atenta às ironias da vida.

Para os primeiros meses do próximo ano eleitoral, Sarney prepara o seu 120º livro, provisoriamente intitulado “Galope à Beira-Mar”, inspirado no nome dado a um dos ritmos dos cantadores do Nordeste. Os personagens da vida pública recente do país quase todos estarão contemplados, mas não em sua versão noticiosa.

O decano da Academia Brasileira de Letras preferiu se ater a detalhes, às graças e “às voltas que a política dá” -como deu quando Fernando Collor ouviu de Ulysses Guimarães um sonoro não ao pedir para ser seu vice na chapa presidencial de 1989. Perdeu Ulysses, ganhou Collor.

É verdade que Fernando Henrique Cardoso e Dilma Rousseff preencherão menos linhas que Luiz Inácio Lula da Silva, mas definitivamente não por critérios eleitorais.

TEMER

A julgar pelas circunstâncias atuais, Michel Temer teria lugar destacado em um livro sobre o Brasil contemporâneo na visão de Sarney, que acabou por se firmar como um de seus mais vividos interlocutores. Mas, nessas linhas, o atual presidente da República não aparece.

Aparecem, aí sim, relatos de família, da infância em Pinheiro, no interior do Maranhão, e da juventude em São Luís. Cenas da política em Brasília, em Cuba, no Vaticano e outros cantos também, porém em seu viés anedótico.

“Neste livro, a prosa de Sarney mira o avesso de qualquer pretensão, seja literária, seja política”, observa Rodrigo de Almeida, editor de “Galope” na Casa da Palavra/Leya.

“São histórias de quem tem boa memória e um gosto especial pela conversa. Um ‘causeur’ que, por acaso, observou, ouviu e protagonizou histórias e estórias em décadas de vida pública. Grandes personagens em pequenas histórias, ou pequenas personagens em grandes causos.”

FORTUNA CRÍTICA

O autor de “O Dono do Mar” e “Marimbondos de Fogo” explora, já no prefácio, a extensão de títulos possíveis para a nova obra. “Livro dos Casos”, por exemplo, foi descartado porque o autor o considerou “vulgar”. “Casos e Acasos”, “Pé de Conversa” e “Conversa Puxa Conversa” tampouco sobreviveram à crítica sarneysiana.

Zeloso de sua trajetória literária, o autor a cultiva há tanto tempo quanto a sua carreira política. Tinha 23 anos quando publicou na revista que criara, “A Ilha”, o ensaio de cunho social “Pesquisa sobre a Pesca de Curral”.

Em 1954, aos 24, venceu sua primeira eleição, para a Câmara dos Deputados, ao mesmo tempo que lançou o seu primeiro livro, no caso de poesia, “A Canção Inicial”.

Depois de três mandatos na Câmara, elegeu-se governador do Maranhão e, de quebra, lançou sua segunda obra, “Norte das Águas” (1969), ainda no mandato.

E assim foi. Senador, vice-presidente que se tornou presidente, senador de novo e presidente do Senado.

Um total de dez mandatos e 120 títulos, incluindo discursos e planos de governo que ele editou em livros.

Embora pouco estudados, o emedebista esbanja orgulho de seus feitos literários.

Prepara para os próximos dias a impressão privada da compilação de que tudo o que produziu, com comentários críticos das 168 edições de sua carreira até o presente, traduzidas em inglês, francês, espanhol, alemão, chinês, coreano, grego, árabe, russo, húngaro, romeno e búlgaro.

Na “Bibliografia e Fortuna Crítica de José Sarney”, foram incluídas as palavras de “intelectuais de expressão universal” como Claude Lévi-Strauss e Octavio Paz sobre a obra de Sarney.

Ainda muito influente nos bastidores políticos, Sarney tem reservado suas aparições públicas ao universo cultural. Acaba de voltar de Guadalajara, no México, onde fez a “conferência magistral ” da Feira Internacional do Livro.

Discorreu sobre “O Livro e a Internet”, as evoluções da tecnologia e da literatura.

*

VEJA TRECHOS DO LIVRO

PARA QUÊ?

O presidente Lula estava em uma reunião em Cuba e, num desses momentos de conversa fora da agenda, teve um diálogo muito significativo com o presidente Raúl Castro. Também estava presente o ministro [Edison] Lobão.

Conversa vai, conversa vem, foram repassados episódios da Revolução Cubana e da luta para o país sobreviver à segregação política nos anos de confronto com os Estados Unidos.

Entre esses fatos, abordaram o problema das bombas atômicas e dos foguetes em Cuba, o que, como todos sabem, quase nos leva a uma terceira guerra mundial […].

Outro momento dramático: o submarino soviético B-59, armado com torpedos nucleares com a capacidade igual à da bomba de Hiroshima, teve necessidade de renovar seus depósitos de ar. Cercados por unidades americanas, o capitão, um oficial político e o comandante da Marinha soviética discutiram o que fazer: lançar os torpedos, como queria o capitão, ou subir à superfície, como queria o comandante. Finalmente, a opinião deste prevaleceu, e o mundo foi salvo.

Assim, Cuba não foi invadida, e os EUA não sofreram a desgraça que viveu o povo de Hiroshima e Nagasaki. No meio desse relembrar o passado, Lula, com esse seu jeito aberto, perguntou a Raúl Castro:

– Mas para que vocês queriam bomba atômica e foguetes em Cuba?

Castro respondeu:

– Para jogar nos Estados Unidos! É claro!

O PRIMEIRO

Logo que o papa Francisco assumiu a Cadeira de São Pedro, houve uma corrida para definir quem seria recebido, em primeiro lugar, pelo Santo Padre. Evidentemente, a vitória foi da Cristina Kirchner, por ser presidente da Argentina, embora, em Buenos Aires, não tivessem tido bom relacionamento: viviam quase sempre se bicando.

Pouco tempo depois a nossa presidente Dilma foi recebida, e o papa foi muito simpático com ela, sorrindo bastante. Mas, com certo gosto pela ironia, disse-lhe:

– Presidente Dilma, sou o primeiro papa latino-americano, sou o primeiro papa argentino, sou o primeiro papa jesuíta, sou o primeiro papa do Club Atlético San Lorenzo e sou o primeiro papa peronista!

A MOSCA AZUL

No período de dois anos antes de eleição, em geral, começam a surgir moscas azuis na cabeça de todo mundo.

Com o sucesso da sua campanha contra os marajás, construída pelo Alberico Silva, o grande jornalista que dirigia o “Jornal Nacional” [da TV Globo], Collor foi colocando na cabeça que podia participar da campanha presidencial.

Como a candidatura [presidencial] de Ulysses Guimarães era consagrada dentro do partido, o PMDB, como uma solução natural, não contestada por ninguém, Collor procurou-o em Brasília e começou com uma conversa de cerca-lourenço, que jamais apanharia o velho Ulysses na sua teia.

Em determinado momento, pediu-lhe -foi testemunha o Jader Barbalho- que o aceitasse como vice na chapa.

Construiu seu argumento de que, como Ulysses era de certa idade, ele, como jovem, equilibraria a chapa e seria um nome ideal para o cargo.

Ulysses foi rápido no gatilho e respondeu-lhe:

– Collor, cresça e apareça!

A política dá suas voltas…

TIRIRICA

Antes de Tiririca ser candidato a deputado [federal], perguntei a um jovem que trabalha no Senado se ele gostava de política. Respondeu-me que não. E aventurei:

– De que você gosta?

Ele respondeu-me:

– Agora, do Tiririca; há alguns meses, dos Mamonas Assassinas.

Em casa, fui com curiosidade atualizar-me com um neto:

– Quero saber tudo sobre o Tiririca.

– Meu avô, tu estás totalmente por fora. Só ficas aí nesse negócio de Senado, FHC, PMDB. E aí começou a cantarolar:

– Florentina, Florentina, Florentina de Jesus…

Ligo para o Maranhão, quero saber notícias. Atende minha neta. Antes que eu falasse com seu pai sobre o andamento da eleição em São Luís, ela se antecipa e me dá a grande notícia:

– Vovô, sabe quem vem ao Maranhão esta semana? Tiririca. Vê se tu mandas para mim a Neguinha, a Beijoca, a Sorriso, a Manhosa e a Delícia -eram as bonecas do Tiririca.

(Folha de SP)